Page 538 - Livro - Economia Azul
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(um reator.ano = um reator operando por     O caso brasileiro é singular, pois a                                   demonstrar viabilidade econômica do      até o momento não foram exitosas. Porém,
              um ano), cerca de 7.000 da Rússia e mais   Marinha do Brasil vai construir um sub-                                 transporte marítimo com propulsão nu-    a necessidade de restringir o uso de combus-
              de 6.200 dos EUA.                         marino cuja propulsão nuclear está sendo                                 clear, algo que, como veremos, ainda não   tíveis fósseis, por contribuírem para o aqueci-
                 Em um período de 50 anos, a Marinha    desenvolvida de maneira totalmente au-                                   ocorreu, exceto para navios quebra-gelo.  mento global, pode levar a novas tentativas
              estadunidense operou, sem acidentes, 526   tóctone, enquanto a parte naval, que in-                                   No caso dos quebra-gelos usados no    de construção e utilização desses navios que
              reatores nucleares, ao longo de 240 mi-   clui o casco e todos os equipamentos não                                 Ártico,  os  russos  demonstraram  que  a   incorporem avanços tecnológicos recentes.
              lhões de quilômetros. Toda a sua frota de   diretamente  ligados  à  propulsão,  utilizará                         propulsão nuclear era técnica e economi-    O primeiro navio mercante nuclear
              submarinos utiliza propulsão nuclear. Em   tecnologia  francesa já  repassada a técni-                             camente viável para operar em condições   foi o NS Savannah, de 22.000 toneladas,
              2017, possuía 11 porta-aviões e 70 subma-  cos brasileiros responsáveis pelo projeto e                             adversas, enfrentando camadas de gelo    construído nos Estados Unidos, comis-
              rinos, que usavam 92 reatores. Em geral,   construção. Esse submarino, que levará o                                espessas sem as dificuldades de reabaste-  sionado em 1962 e desativado oito anos
              suas embarcações são projetadas para ope-  nome do Almirante Álvaro Alberto, deve                                  cimento  das  embarcações  convencionais.   mais tarde, pois, apesar do bom desem-
              rarem por mais de 40 anos, com combustí-  ser comissionado a partir de 2030.                                       Desde a introdução dos quebra-gelos nu-  penho técnico, não era economicamen-
              vel de alto enriquecimento (> 90%) e uma    Todos os países mencionados têm indús-                                 cleares, a navegação no Ártico aumentou   te viável. O mesmo ocorreu com o navio
              única parada prevista para reabastecimen-  trias de construção naval capazes de pro-                               de dois para dez meses por ano.          cargueiro e de pesquisa alemão Otto
              to e manutenção geral.                    jetar e construir meios navais com reatores                                 O primeiro desses quebra-gelos foi o   Hahn, de 15.000 toneladas, que navegou
                 A Marinha russa registrou 6.500 reato-  embarcados. Dado o quantitativo de navios                               Lenin, o primeiro navio civil de superfície   durante  dez  anos  com  propulsão  nucle-
              res-ano em uso marítimo até 2015. Possui   e a constante necessidade de manutenção e                               com  propulsão  nuclear, comissionado em   ar, mas foi convertido para propulsão a
              cerca de 21 submarinos nucleares, um cru-  atualização, esse segmento militar da indús-                            1959 e desativado trinta anos depois. Se-  diesel em 1982. Já o japonês Mutsu, de
              zador com propulsão nuclear em operação e   tria naval é de grande relevância econômica,                           guiram-se seis da classe Arktika, nome do   8.000 toneladas, comissionado em 1970,
              três outros em manutenção. Existem planos   pois cada embarcação custa bilhões de dó-                              primeiro navio de superfície a atingir o Polo   teve problemas técnicos e econômicos.
              de construir mais oito submarinos nucleares   lares. Essa indústria, por envolver projeto e                        Norte, em 1977. Desses, dois permanecem   Os três usavam urânio de baixo enrique-
              e um submersível com propulsão nuclear    construção, gera muitos empregos, alguns                                 em operação, sendo que o último foi comis-  cimento, entre 3.7 e 4.4% de 235U.
              para grandes profundidades, além de au-   deles de alta qualificação, já  que a  cons-                             sionado em 2007. Para se ter uma ideia do   Uma experiência de sucesso com um
              mentar de 25 para 35 anos o tempo de vida   trução de embarcações nucleares tem alto                               porte desses navios, este último tem 25.800   navio mercante nuclear ocorreu na Rússia,
              de seus submarinos de terceira geração.   grau de complexidade tecnológica.                                        toneladas de peso morto, 160 m de compri-  onde as condições de navegação do Mar
                 A China possui cerca de doze submari-  4.2 A indústria naval civil                                              mento, 20 m de largura e pode romper 2,8   do Norte demandam esse tipo de propul-
              nos nucleares e cogita construir navios pola-                                                                      m de espessura de gelo com uma potência   são para lidar com o gelo e as dificuldades
              res, porta-aviões e navios quebra-gelo com   O emprego da propulsão nuclear em                                     de propulsão de cerca de 54 MWe.         de reabastecimento. O NS Sevmorput, des-
              propulsão nuclear. A França opera um porta-  embarcações civis, especialmente quebra-                                 Há dois outros quebra-gelos em ope-   tinado a servir portos do norte da Sibéria,
              -aviões de propulsão nuclear e dez submari-  -gelos e navios mercantes de grande porte,                            ração na Rússia, projetados para as águas   foi comissionado em 1988, programado
              nos nucleares, com seis novos, classe Barra-  como graneleiros e navios de transporte de                           rasas de rios e estuários. Além disso, a in-  para desativação em 2014, mas teve sua
              cuda, planejados, dos quais o Suffren será o   minérios, é algo que tem sido considerado,                          dústria naval russa, prevendo maior tráfe-  vida útil estendida. Em 2019, transportava
              primeiro a ser comissionado. A Grã-Bretanha   pois pode levar a uma redução de custos                              go pelo Ártico no futuro, está empenha-  alimentos frescos do Pacífico, pela rota do
              possui doze submarinos, todos nucleares.   de transporte e à substituição de combus-                               da na construção de cinco quebra-gelos   Mar do Norte, para Murmansk.
                 Mais recentemente, a Marinha indiana   tíveis fósseis por fontes de energia que não                             da classe LK-60, o primeiro dos quais       Há também exemplos de quebra-gelos
              construiu, com tecnologia russa, um sub-  produzem gases de efeito estufa.                                         deve  ser  comissionado  este  ano,  outro   com propulsão nuclear sendo utilizados
              marino nuclear balístico, o INS Arihant, co-  Para tanto, será necessário lidar com                                da classe LK-120, de maior porte, e um   naquela rota para guiar, e eventualmente
              missionado em 2016, e está construindo    questionamentos quanto à segurança nu-                                   menor, da classe LK-40, para águas rasas.   socorrer, navios-tanque para transporte de
              um segundo, o INS Aridaman, a ser comis-  clear naval que têm levado a restrições de                               Esses projetos têm orçamentos entre 0,5   gás, resultando em uma economia de tem-
              sionado em 2022. Ela também faz o leasing   acesso a portos, convencendo os diversos                               e 2 bilhões de dólares.                  po de até 20 dias e de milhares de quilô-
              de um submarino russo seminovo, da clas-  atores da sociedade de que a tecnologia mo-                                 Navios mercantes com propulsão nuclear   metros em relação a outras rotas. Existem
              se Akula II, o INS Chakra, e tem planos de   derna é plenamente capaz de garantir essa                             precisam ainda demonstrar sua viabilidade   planos para ampliar a utilização dessa rota
              construir nove outros submarinos nucleares.  segurança. Adicionalmente, será preciso                               econômica, pois as experiências realizadas   para incluir o transporte de minérios.



     536   ECONOMIA AZUL                                                                                                                                                                     Tecnologias Nucleares para o Mar 537
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