Page 539 - Livro - Economia Azul
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(um reator.ano = um reator operando por   O caso brasileiro é singular, pois a    demonstrar viabilidade econômica do   até o momento não foram exitosas. Porém,
 um ano), cerca de 7.000 da Rússia e mais   Marinha do Brasil vai construir um sub-  transporte marítimo com propulsão nu-  a necessidade de restringir o uso de combus-
 de 6.200 dos EUA.   marino cuja propulsão nuclear está sendo   clear, algo que, como veremos, ainda não   tíveis fósseis, por contribuírem para o aqueci-
 Em um período de 50 anos, a Marinha   desenvolvida de maneira totalmente au-  ocorreu, exceto para navios quebra-gelo.  mento global, pode levar a novas tentativas
 estadunidense operou, sem acidentes, 526   tóctone, enquanto a parte naval, que in-  No caso dos quebra-gelos usados no   de construção e utilização desses navios que
 reatores nucleares, ao longo de 240 mi-  clui o casco e todos os equipamentos não   Ártico,  os  russos  demonstraram  que  a   incorporem avanços tecnológicos recentes.
 lhões de quilômetros. Toda a sua frota de   diretamente  ligados  à  propulsão,  utilizará   propulsão nuclear era técnica e economi-  O primeiro navio mercante nuclear
 submarinos utiliza propulsão nuclear. Em   tecnologia  francesa já  repassada a técni-  camente viável para operar em condições   foi o NS Savannah, de 22.000 toneladas,
 2017, possuía 11 porta-aviões e 70 subma-  cos brasileiros responsáveis pelo projeto e   adversas, enfrentando camadas de gelo   construído nos Estados Unidos, comis-
 rinos, que usavam 92 reatores. Em geral,   construção. Esse submarino, que levará o   espessas sem as dificuldades de reabaste-  sionado em 1962 e desativado oito anos
 suas embarcações são projetadas para ope-  nome do Almirante Álvaro Alberto, deve   cimento  das  embarcações  convencionais.   mais tarde, pois, apesar do bom desem-
 rarem por mais de 40 anos, com combustí-  ser comissionado a partir de 2030.  Desde a introdução dos quebra-gelos nu-  penho técnico, não era economicamen-
 vel de alto enriquecimento (> 90%) e uma   Todos os países mencionados têm indús-  cleares, a navegação no Ártico aumentou   te viável. O mesmo ocorreu com o navio
 única parada prevista para reabastecimen-  trias de construção naval capazes de pro-  de dois para dez meses por ano.  cargueiro e de pesquisa alemão Otto
 to e manutenção geral.  jetar e construir meios navais com reatores   O primeiro desses quebra-gelos foi o   Hahn, de 15.000 toneladas, que navegou
 A Marinha russa registrou 6.500 reato-  embarcados. Dado o quantitativo de navios   Lenin, o primeiro navio civil de superfície   durante  dez  anos  com  propulsão  nucle-
 res-ano em uso marítimo até 2015. Possui   e a constante necessidade de manutenção e   com  propulsão  nuclear, comissionado em   ar, mas foi convertido para propulsão a
 cerca de 21 submarinos nucleares, um cru-  atualização, esse segmento militar da indús-  1959 e desativado trinta anos depois. Se-  diesel em 1982. Já o japonês Mutsu, de
 zador com propulsão nuclear em operação e   tria naval é de grande relevância econômica,   guiram-se seis da classe Arktika, nome do   8.000 toneladas, comissionado em 1970,
 três outros em manutenção. Existem planos   pois cada embarcação custa bilhões de dó-  primeiro navio de superfície a atingir o Polo   teve problemas técnicos e econômicos.
 de construir mais oito submarinos nucleares   lares. Essa indústria, por envolver projeto e   Norte, em 1977. Desses, dois permanecem   Os três usavam urânio de baixo enrique-
 e um submersível com propulsão nuclear   construção, gera muitos empregos, alguns   em operação, sendo que o último foi comis-  cimento, entre 3.7 e 4.4% de 235U.
 para grandes profundidades, além de au-  deles de alta qualificação, já  que a  cons-  sionado em 2007. Para se ter uma ideia do   Uma experiência de sucesso com um
 mentar de 25 para 35 anos o tempo de vida   trução de embarcações nucleares tem alto   porte desses navios, este último tem 25.800   navio mercante nuclear ocorreu na Rússia,
 de seus submarinos de terceira geração.  grau de complexidade tecnológica.  toneladas de peso morto, 160 m de compri-  onde as condições de navegação do Mar
 A China possui cerca de doze submari-  4.2 A indústria naval civil  mento, 20 m de largura e pode romper 2,8   do Norte demandam esse tipo de propul-
 nos nucleares e cogita construir navios pola-  m de espessura de gelo com uma potência   são para lidar com o gelo e as dificuldades
 res, porta-aviões e navios quebra-gelo com   O emprego da propulsão nuclear em   de propulsão de cerca de 54 MWe.   de reabastecimento. O NS Sevmorput, des-
 propulsão nuclear. A França opera um porta-  embarcações civis, especialmente quebra-  Há dois outros quebra-gelos em ope-  tinado a servir portos do norte da Sibéria,
 -aviões de propulsão nuclear e dez submari-  -gelos e navios mercantes de grande porte,   ração na Rússia, projetados para as águas   foi comissionado em 1988, programado
 nos nucleares, com seis novos, classe Barra-  como graneleiros e navios de transporte de   rasas de rios e estuários. Além disso, a in-  para desativação em 2014, mas teve sua
 cuda, planejados, dos quais o Suffren será o   minérios, é algo que tem sido considerado,   dústria naval russa, prevendo maior tráfe-  vida útil estendida. Em 2019, transportava
 primeiro a ser comissionado. A Grã-Bretanha   pois pode levar a uma redução de custos   go pelo Ártico no futuro, está empenha-  alimentos frescos do Pacífico, pela rota do
 possui doze submarinos, todos nucleares.   de transporte e à substituição de combus-  da na construção de cinco quebra-gelos   Mar do Norte, para Murmansk.
 Mais recentemente, a Marinha indiana   tíveis fósseis por fontes de energia que não   da classe LK-60, o primeiro dos quais   Há também exemplos de quebra-gelos
 construiu, com tecnologia russa, um sub-  produzem gases de efeito estufa.   deve  ser  comissionado  este  ano,  outro   com propulsão nuclear sendo utilizados
 marino nuclear balístico, o INS Arihant, co-  Para tanto, será necessário lidar com   da classe LK-120, de maior porte, e um   naquela rota para guiar, e eventualmente
 missionado em 2016, e está construindo   questionamentos quanto à segurança nu-  menor, da classe LK-40, para águas rasas.   socorrer, navios-tanque para transporte de
 um segundo, o INS Aridaman, a ser comis-  clear naval que têm levado a restrições de   Esses projetos têm orçamentos entre 0,5   gás, resultando em uma economia de tem-
 sionado em 2022. Ela também faz o leasing   acesso a portos, convencendo os diversos   e 2 bilhões de dólares.   po de até 20 dias e de milhares de quilô-
 de um submarino russo seminovo, da clas-  atores da sociedade de que a tecnologia mo-  Navios mercantes com propulsão nuclear   metros em relação a outras rotas. Existem
 se Akula II, o INS Chakra, e tem planos de   derna é plenamente capaz de garantir essa   precisam ainda demonstrar sua viabilidade   planos para ampliar a utilização dessa rota
 construir nove outros submarinos nucleares.  segurança. Adicionalmente, será preciso   econômica, pois as experiências realizadas   para incluir o transporte de minérios.



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