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(um reator.ano = um reator operando por O caso brasileiro é singular, pois a demonstrar viabilidade econômica do até o momento não foram exitosas. Porém,
um ano), cerca de 7.000 da Rússia e mais Marinha do Brasil vai construir um sub- transporte marítimo com propulsão nu- a necessidade de restringir o uso de combus-
de 6.200 dos EUA. marino cuja propulsão nuclear está sendo clear, algo que, como veremos, ainda não tíveis fósseis, por contribuírem para o aqueci-
Em um período de 50 anos, a Marinha desenvolvida de maneira totalmente au- ocorreu, exceto para navios quebra-gelo. mento global, pode levar a novas tentativas
estadunidense operou, sem acidentes, 526 tóctone, enquanto a parte naval, que in- No caso dos quebra-gelos usados no de construção e utilização desses navios que
reatores nucleares, ao longo de 240 mi- clui o casco e todos os equipamentos não Ártico, os russos demonstraram que a incorporem avanços tecnológicos recentes.
lhões de quilômetros. Toda a sua frota de diretamente ligados à propulsão, utilizará propulsão nuclear era técnica e economi- O primeiro navio mercante nuclear
submarinos utiliza propulsão nuclear. Em tecnologia francesa já repassada a técni- camente viável para operar em condições foi o NS Savannah, de 22.000 toneladas,
2017, possuía 11 porta-aviões e 70 subma- cos brasileiros responsáveis pelo projeto e adversas, enfrentando camadas de gelo construído nos Estados Unidos, comis-
rinos, que usavam 92 reatores. Em geral, construção. Esse submarino, que levará o espessas sem as dificuldades de reabaste- sionado em 1962 e desativado oito anos
suas embarcações são projetadas para ope- nome do Almirante Álvaro Alberto, deve cimento das embarcações convencionais. mais tarde, pois, apesar do bom desem-
rarem por mais de 40 anos, com combustí- ser comissionado a partir de 2030. Desde a introdução dos quebra-gelos nu- penho técnico, não era economicamen-
vel de alto enriquecimento (> 90%) e uma Todos os países mencionados têm indús- cleares, a navegação no Ártico aumentou te viável. O mesmo ocorreu com o navio
única parada prevista para reabastecimen- trias de construção naval capazes de pro- de dois para dez meses por ano. cargueiro e de pesquisa alemão Otto
to e manutenção geral. jetar e construir meios navais com reatores O primeiro desses quebra-gelos foi o Hahn, de 15.000 toneladas, que navegou
A Marinha russa registrou 6.500 reato- embarcados. Dado o quantitativo de navios Lenin, o primeiro navio civil de superfície durante dez anos com propulsão nucle-
res-ano em uso marítimo até 2015. Possui e a constante necessidade de manutenção e com propulsão nuclear, comissionado em ar, mas foi convertido para propulsão a
cerca de 21 submarinos nucleares, um cru- atualização, esse segmento militar da indús- 1959 e desativado trinta anos depois. Se- diesel em 1982. Já o japonês Mutsu, de
zador com propulsão nuclear em operação e tria naval é de grande relevância econômica, guiram-se seis da classe Arktika, nome do 8.000 toneladas, comissionado em 1970,
três outros em manutenção. Existem planos pois cada embarcação custa bilhões de dó- primeiro navio de superfície a atingir o Polo teve problemas técnicos e econômicos.
de construir mais oito submarinos nucleares lares. Essa indústria, por envolver projeto e Norte, em 1977. Desses, dois permanecem Os três usavam urânio de baixo enrique-
e um submersível com propulsão nuclear construção, gera muitos empregos, alguns em operação, sendo que o último foi comis- cimento, entre 3.7 e 4.4% de 235U.
para grandes profundidades, além de au- deles de alta qualificação, já que a cons- sionado em 2007. Para se ter uma ideia do Uma experiência de sucesso com um
mentar de 25 para 35 anos o tempo de vida trução de embarcações nucleares tem alto porte desses navios, este último tem 25.800 navio mercante nuclear ocorreu na Rússia,
de seus submarinos de terceira geração. grau de complexidade tecnológica. toneladas de peso morto, 160 m de compri- onde as condições de navegação do Mar
A China possui cerca de doze submari- 4.2 A indústria naval civil mento, 20 m de largura e pode romper 2,8 do Norte demandam esse tipo de propul-
nos nucleares e cogita construir navios pola- m de espessura de gelo com uma potência são para lidar com o gelo e as dificuldades
res, porta-aviões e navios quebra-gelo com O emprego da propulsão nuclear em de propulsão de cerca de 54 MWe. de reabastecimento. O NS Sevmorput, des-
propulsão nuclear. A França opera um porta- embarcações civis, especialmente quebra- Há dois outros quebra-gelos em ope- tinado a servir portos do norte da Sibéria,
-aviões de propulsão nuclear e dez submari- -gelos e navios mercantes de grande porte, ração na Rússia, projetados para as águas foi comissionado em 1988, programado
nos nucleares, com seis novos, classe Barra- como graneleiros e navios de transporte de rasas de rios e estuários. Além disso, a in- para desativação em 2014, mas teve sua
cuda, planejados, dos quais o Suffren será o minérios, é algo que tem sido considerado, dústria naval russa, prevendo maior tráfe- vida útil estendida. Em 2019, transportava
primeiro a ser comissionado. A Grã-Bretanha pois pode levar a uma redução de custos go pelo Ártico no futuro, está empenha- alimentos frescos do Pacífico, pela rota do
possui doze submarinos, todos nucleares. de transporte e à substituição de combus- da na construção de cinco quebra-gelos Mar do Norte, para Murmansk.
Mais recentemente, a Marinha indiana tíveis fósseis por fontes de energia que não da classe LK-60, o primeiro dos quais Há também exemplos de quebra-gelos
construiu, com tecnologia russa, um sub- produzem gases de efeito estufa. deve ser comissionado este ano, outro com propulsão nuclear sendo utilizados
marino nuclear balístico, o INS Arihant, co- Para tanto, será necessário lidar com da classe LK-120, de maior porte, e um naquela rota para guiar, e eventualmente
missionado em 2016, e está construindo questionamentos quanto à segurança nu- menor, da classe LK-40, para águas rasas. socorrer, navios-tanque para transporte de
um segundo, o INS Aridaman, a ser comis- clear naval que têm levado a restrições de Esses projetos têm orçamentos entre 0,5 gás, resultando em uma economia de tem-
sionado em 2022. Ela também faz o leasing acesso a portos, convencendo os diversos e 2 bilhões de dólares. po de até 20 dias e de milhares de quilô-
de um submarino russo seminovo, da clas- atores da sociedade de que a tecnologia mo- Navios mercantes com propulsão nuclear metros em relação a outras rotas. Existem
se Akula II, o INS Chakra, e tem planos de derna é plenamente capaz de garantir essa precisam ainda demonstrar sua viabilidade planos para ampliar a utilização dessa rota
construir nove outros submarinos nucleares. segurança. Adicionalmente, será preciso econômica, pois as experiências realizadas para incluir o transporte de minérios.
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