Page 535 - Livro - Economia Azul
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2. Tecnologias nucleares para geração de energia    neutralidade de emissões de carbono até   avançados, com destaque para os cerca
                  lá. Até aqui, cerca de metade dos países   de 50 projetos de reatores modulares de
 Inicialmente, as tecnologias nucleares fo-  altas  temperaturas, com  alta eficiência e   da UE concordou com a expansão do uso   pequeno porte (Small Modular Reactors
 ram direcionadas para a produção de ener-  com preços competitivos.  da energia nuclear na transição energética.  – SMR). Estes últimos são construídos de
 gia, seja em aplicações civis, em usinas nu-  Ao final de 2019, de acordo com o Nu-  A utilização da energia nuclear para pro-  maneira  modular,  em  sítios  industriais,  e
 cleares, seja em aplicações militares, seja em   clear Technology Review 2020 da Agência   pulsão de meios navais iniciou-se em 1955,   transportados para o local de utilização.
 propulsão nuclear naval. Em ambos os casos,   Internacional de Energia Atômica – AIEA,   com o já mencionado submarino Nautilus,   Produzem potência térmica na faixa entre
 houve avanços tecnológicos notáveis. Tenta-  havia 443 reatores nucleares em operação,   da  Marinha  dos  EUA.  Submarinos  com   20 e 300 MWt (megawatts térmicos), têm
 remos traçar um panorama dessa evolução.  com capacidade de gerar 392,1 GWe. As   propulsão nuclear  vêm sendo igualmente   projetos mais simples e mais robustos, são
 As usinas nucleares em terra empre-  projeções da AIEA, no cenário mais pessi-  construídos e operados pelas Marinhas bri-  menos sujeitos a problemas operacionais e
 gam reatores nucleares para produção de   mista, preveem redução dessa capacidade   tânica, russa, francesa, chinesa e indiana,   acidentes severos, mais independentes da
 energia térmica por meio de reações em   até 2030, seguida de aumento, de modo a   algumas das quais também constroem e   ação do operador e incorporam as lições
 cadeia nas quais átomos pesados, como os   atingir 371 GWe em 2050. No cenário mais   operam navios de guerra e porta-aviões de   do acidente de Fukushima (geração III+),
 de urânio, são fissionados em átomos mais   otimista, a capacidade deve aumentar 25%   propulsão nuclear. Pode-se distinguir ao me-  bem como a experiência prévia em pro-
 leves, com grande liberação controlada de   até 2030, chegando a 496 GWe, e 80% até   nos quatro gerações desses meios navais.   jeto e operação. Seu licenciamento deve
 energia e de nêutrons. A energia térmica   2050, chegando a 715 GWe. A participa-  Cada nova geração incorporou elementos   ser mais ágil e eles terão maior disponi-
 é convertida em energia elétrica por meio   ção da energia nuclear na geração global   de segurança nuclear naval e trouxe me-  bilidade e vida operacional de 60 anos.
 de turbinas a vapor acopladas a geradores   de energia elétrica  eria de 6% ou 12% em   lhorias quanto à versatilidade e capacidade   Há também projetos de micro-reatores
 s
 elétricos. Ao longo dos anos, foram desen-  2050, conforme o cenário adotado, número   operacional. Em relação à segurança, algu-  (potência < 20 MWt), em geral para apli-
 volvidas quatro gerações de reatores, que   a ser comparado com 10% em 2019. Vale   mas Marinhas optam por usar combustível   cações offgrid, como em regiões inóspitas
 serão descritas brevemente.   notar que havia 54 reatores em construção   nuclear de baixo teor de enriquecimento   ou zonas de conflito ou de desastres natu-
 A geração I, predominante nos anos   ao fim de 2019, 35 deles na Ásia, e que 74   (< 20%, low enrichment uranium – LEU),   rais, que se juntam aos SMR para oferecer
 1950-1960, usava, como combustíveis,   reatores foram conectados à rede elétrica   em vez do alto teor (> 90%, high enrich-  uma gama de possibilidades de aplicação
 urânio (U) metálico ou dióxido de urânio   desde 2005, dos quais 61 na Ásia.   ment uranium) utilizado, por exemplo, por   de sua energia elétrica e do seu calor re-
 (UO ); como moderadores, grafite, água   Trinta países usam energia nuclear e há   estadunidenses e russos. Revisitaremos os   jeitado, que inclui dessalinização e produ-
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 pesada, água leve ou berílio (Be); como   cerca de 28 candidatos a ingressar nesse   meios navais na seção dedicada à utilização   ção de hidrogênio. Esses reatores, além de
 refrigerantes, líquidos  ou gases; e atingia   grupo. O interesse na área nuclear advém   de tecnologias nucleares no mar.  contribuírem para uma economia de baixo
 potências entre 5 e 180 MWe. A geração II,   de considerações sobre sua relevância para   Atualmente, com o progresso tecnoló-  carbono, devem ampliar a participação do
 dos anos 1970-1990, corresponde à maio-  a mitigação de mudanças climáticas, ga-  gico, busca-se construir reatores nucleares   setor nuclear na economia.
 ria dos reatores em operação atualmente,   rantia de segurança energética e imple-
 de tipo PWR (pressurized water reactor) ou   mentação de políticas ambientais e socioe-  Usina Nuclear de Angra dos Reis - RJ
 BWR (boiling water reactor). A geração III,   conômicas. A International Conference on
 pós-1990, incorporou sistemas passivos de   Climate Change and the Role of Nuclear
 segurança e tem projeto, operação e ma-  Power, organizada pela AIEA e pela Orga-
 nutenção simplificados e padronizados. En-  nização para a Cooperação e Desenvolvi-
 globa reatores recentes, de grande porte,   mento Econômico –  OCDE, em  outubro
 como o AP1000 – PWR da Westinghouse,   de 2019, discutiu amplamente o papel do
 de  1.100  MWe,  o  EPR  –  PWR  da  Areva,   setor nuclear na transição para uma eco-
 de 1.650MWe e o ABWR – BWR da GE-  nomia de baixo carbono. A União Europeia
 -Hitachi, de 1.350 MWe. A geração IV, em   recentemente reconheceu que precisará
 franco desenvolvimento, incluirá sistemas   investir mais de 500 bilhões de euros em
 passivos de segurança adicionais, repro-  energia nuclear até 2050 (50 bilhões de
 cessamento de combustível e operação em     euros até 2030), para honrar suas metas de


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