Page 534 - Livro - Economia Azul
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2. Tecnologias nucleares para geração de energia neutralidade de emissões de carbono até avançados, com destaque para os cerca
lá. Até aqui, cerca de metade dos países de 50 projetos de reatores modulares de
Inicialmente, as tecnologias nucleares fo- altas temperaturas, com alta eficiência e da UE concordou com a expansão do uso pequeno porte (Small Modular Reactors
ram direcionadas para a produção de ener- com preços competitivos. da energia nuclear na transição energética. – SMR). Estes últimos são construídos de
gia, seja em aplicações civis, em usinas nu- Ao final de 2019, de acordo com o Nu- A utilização da energia nuclear para pro- maneira modular, em sítios industriais, e
cleares, seja em aplicações militares, seja em clear Technology Review 2020 da Agência pulsão de meios navais iniciou-se em 1955, transportados para o local de utilização.
propulsão nuclear naval. Em ambos os casos, Internacional de Energia Atômica – AIEA, com o já mencionado submarino Nautilus, Produzem potência térmica na faixa entre
houve avanços tecnológicos notáveis. Tenta- havia 443 reatores nucleares em operação, da Marinha dos EUA. Submarinos com 20 e 300 MWt (megawatts térmicos), têm
remos traçar um panorama dessa evolução. com capacidade de gerar 392,1 GWe. As propulsão nuclear vêm sendo igualmente projetos mais simples e mais robustos, são
As usinas nucleares em terra empre- projeções da AIEA, no cenário mais pessi- construídos e operados pelas Marinhas bri- menos sujeitos a problemas operacionais e
gam reatores nucleares para produção de mista, preveem redução dessa capacidade tânica, russa, francesa, chinesa e indiana, acidentes severos, mais independentes da
energia térmica por meio de reações em até 2030, seguida de aumento, de modo a algumas das quais também constroem e ação do operador e incorporam as lições
cadeia nas quais átomos pesados, como os atingir 371 GWe em 2050. No cenário mais operam navios de guerra e porta-aviões de do acidente de Fukushima (geração III+),
de urânio, são fissionados em átomos mais otimista, a capacidade deve aumentar 25% propulsão nuclear. Pode-se distinguir ao me- bem como a experiência prévia em pro-
leves, com grande liberação controlada de até 2030, chegando a 496 GWe, e 80% até nos quatro gerações desses meios navais. jeto e operação. Seu licenciamento deve
energia e de nêutrons. A energia térmica 2050, chegando a 715 GWe. A participa- Cada nova geração incorporou elementos ser mais ágil e eles terão maior disponi-
é convertida em energia elétrica por meio ção da energia nuclear na geração global de segurança nuclear naval e trouxe me- bilidade e vida operacional de 60 anos.
de turbinas a vapor acopladas a geradores de energia elétrica eria de 6% ou 12% em lhorias quanto à versatilidade e capacidade Há também projetos de micro-reatores
s
elétricos. Ao longo dos anos, foram desen- 2050, conforme o cenário adotado, número operacional. Em relação à segurança, algu- (potência < 20 MWt), em geral para apli-
volvidas quatro gerações de reatores, que a ser comparado com 10% em 2019. Vale mas Marinhas optam por usar combustível cações offgrid, como em regiões inóspitas
serão descritas brevemente. notar que havia 54 reatores em construção nuclear de baixo teor de enriquecimento ou zonas de conflito ou de desastres natu-
A geração I, predominante nos anos ao fim de 2019, 35 deles na Ásia, e que 74 (< 20%, low enrichment uranium – LEU), rais, que se juntam aos SMR para oferecer
1950-1960, usava, como combustíveis, reatores foram conectados à rede elétrica em vez do alto teor (> 90%, high enrich- uma gama de possibilidades de aplicação
urânio (U) metálico ou dióxido de urânio desde 2005, dos quais 61 na Ásia. ment uranium) utilizado, por exemplo, por de sua energia elétrica e do seu calor re-
(UO ); como moderadores, grafite, água Trinta países usam energia nuclear e há estadunidenses e russos. Revisitaremos os jeitado, que inclui dessalinização e produ-
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pesada, água leve ou berílio (Be); como cerca de 28 candidatos a ingressar nesse meios navais na seção dedicada à utilização ção de hidrogênio. Esses reatores, além de
refrigerantes, líquidos ou gases; e atingia grupo. O interesse na área nuclear advém de tecnologias nucleares no mar. contribuírem para uma economia de baixo
potências entre 5 e 180 MWe. A geração II, de considerações sobre sua relevância para Atualmente, com o progresso tecnoló- carbono, devem ampliar a participação do
dos anos 1970-1990, corresponde à maio- a mitigação de mudanças climáticas, ga- gico, busca-se construir reatores nucleares setor nuclear na economia.
ria dos reatores em operação atualmente, rantia de segurança energética e imple-
de tipo PWR (pressurized water reactor) ou mentação de políticas ambientais e socioe- Usina Nuclear de Angra dos Reis - RJ
BWR (boiling water reactor). A geração III, conômicas. A International Conference on
pós-1990, incorporou sistemas passivos de Climate Change and the Role of Nuclear
segurança e tem projeto, operação e ma- Power, organizada pela AIEA e pela Orga-
nutenção simplificados e padronizados. En- nização para a Cooperação e Desenvolvi-
globa reatores recentes, de grande porte, mento Econômico – OCDE, em outubro
como o AP1000 – PWR da Westinghouse, de 2019, discutiu amplamente o papel do
de 1.100 MWe, o EPR – PWR da Areva, setor nuclear na transição para uma eco-
de 1.650MWe e o ABWR – BWR da GE- nomia de baixo carbono. A União Europeia
-Hitachi, de 1.350 MWe. A geração IV, em recentemente reconheceu que precisará
franco desenvolvimento, incluirá sistemas investir mais de 500 bilhões de euros em
passivos de segurança adicionais, repro- energia nuclear até 2050 (50 bilhões de
cessamento de combustível e operação em euros até 2030), para honrar suas metas de
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