Page 268 - Livro - Economia Azul
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4.1.1 Macrodiagnóstico da Zona           especificamente entre os instrumentos de                                 realizados (Souza, 2019). Tais testes têm po-  do aproximadamente 5 milhões na capital.
               Costeira do Brasil (MDZC)                gestão e suas respectivas ferramentas. Nes-                              tencial para avançar com a introdução de va-  Além desses autores, muitos outros já discu-
                                                        se contexto, o MDZC teve especial desta-                                 riáveis econômicas que poderiam fornecer a   tiram a vulnerabilidade da ZC tendo como
                 A primeira versão do MDZC na Escala    que em função do mesmo ser um fornece-                                   base técnica e conceitual para a construção   principais ameaças os efeitos das mudanças
               da União foi publicada em 1996, resultan-  dor de subsídios para a tomada de decisão,                             do PEM, já com a noção de integração en-  climáticas. Um bom panorama deste cená-
               te de um esforço de avaliação do processo   ainda que não seja, em sua essência, um                               tre estes instrumentos embutida desde sua   rio pode ser encontrado, tanto do ponto de
               de Gerenciamento Costeiro no país. Como   instrumento de planejamento territorial ou                              concepção, evitando assim esforços poste-  vista acadêmico quanto governamental nos
               produto de atualização deste diagnóstico,   de definição direta de ações e políticas.                             riores para compatibilização entre ambos.   trabalhos de CGEE (2007); IOC (2009); Ne-
               em 2008, foi publicada a segunda versão do   O MDZC oferece subsídios para articu-                                                                         ves e Muehe (2010), Tagliani et al. (2010);
               MDZC, com a inserção de novas combina-   lação interinstitucional dentro das agências                             4.1.2 Programa Nacional para             CEPAL (2011); PBMC (2013); Zanetti et al.,
               ções de análises de impactos diretos e indi-  federais em relação a planos e projetos que                         Conservação da Linha de Costa –          (2016); Lima e Bonetti (2018); Lins-de-Bar-
               retos na costa brasileira, principalmente em   podem  afetar  áreas  e  recursos  costeiros  e                    PROCOSTA                                 ros et al., (2020), entre outros.
               função da migração cada vez maior em di-  marinhos. Além disso, há uma visão geral da                                                                         Para a European Commission (2020), cer-
               reção à offshore de atividades econômicas,   costa brasileira relacionada aos cenários de                            Segundo a European Commission (2020),   ca de 95% de impactos oriundos de mudan-
               bem como da preocupação com a conserva-  risco (MMA, 1996; MMA, 2008). Do ponto                                   aproximadamente 1/3 da população da      ças climáticas poderiam ser evitados através
               ção de áreas marinhas (MMA, 1996; 2008).  de vista teórico, o MDZC é um dos instru-                               União Europeia (UE) vive a menos de 1km da   de planejamento e mitigação, por exemplo,
                 A  principal  característica  desse  instru-  mentos que possui uma das maiores inter-                          costa e cerca de 72.000 pessoas são expos-  com a elevação de diques pré-existentes em
               mento é seu atributo de agregar e inter-re-  faces com o PEM. O MDZC tem potencial                                tas às inundações costeiras todos os anos. Os   assentamentos humanos e em áreas econo-
               lacionar informações de base referentes às   para integrar, sob a ótica de diagnóstico, a                         danos causados pelas inundações costeiras   micamente importantes ao longo da linha
               características socioeconômicas e físico-na-  porção terrestre da ZC com o Zoneamento                             na UE totalizam atualmente 1bilhão de euros   costeira. Na ausência de novos investimentos
               turais, propiciando uma visão de conjunto   Ecológico-Econômico  e  a  porção  marinha                            anuais (equivalente a 0,01% do PIB atual da   em adaptação costeira, projeta-se que as per-
               do litoral brasileiro no que se refere aos ce-  com as iniciativas de PEM (Scherer e Nicolo-                      UE), sendo a França que atualmente sofre o   das anuais decorrentes de inundações costei-
               nários existentes e potenciais de riscos.  di, 2021). Esta integração pode ser um fator                           maior dano (0,2 bilhões de euros/anuais). As   ras na UE cresçam para 18,9 bilhões de euros
                 Deve-se ressaltar que o MDZC tem, na   chave dentro de um escopo de planejamen-                                 estimativas de elevação do nível do mar, se   e 32,3 bilhões até meados do século.
               escala da União, uma percepção mais ade-  to estratégico com rebatimento direto no                                desacompanhadas de medidas de mitigação     Este cenário é objeto do Programa Na-
               quada sobre fenômenos com potencial de   desenvolvimento de uma Economia Azul.                                    e adaptação poderiam causar danos de 814   cional para Conservação da Linha de Cos-
               evitar possíveis polarizações entre estados e   Como exemplo, podemos citar alguns                                bilhões de euros até 2100, afetando pelo   ta (PROCOSTA), que foi criado tendo como
               regiões e a multiplicação de projetos parcial-  métodos de utilização de sistemas hierár-                         menos 3 milhões de cidadãos da UE.       base o conjunto de mudanças climáticas as-
               mente duplicados com desperdício de espa-  quicos  de classificação de habitats  (Con-                               No Brasil, que possui uma das mais ex-  sociado à dinâmica natural e dos processos
               ço e recursos. Esta escala (União) permite a   galton 1991; Booth  et al. 1996; Connor                            tensas ZC do mundo com mais de 8.500     econômicos e sociais identificados nos últi-
               regulação de formas de gestão, o estabele-  et al. 2004), como o Coastal and Marine                               km, 26,6% da população vive na ZC, que   mos anos no país. Este Programa foi institu-
               cimento de regras de parcerias, bem como   Ecological Classification Standard  (CME-                              compreende 17 estados da federação e     ído por meio da Portaria MMA nº 76/2018
               permite aportar situações que podem ser   CS), e o European Union Nature Informa-                                 abriga 13, das 27, capitais brasileiras. Nico-  e visa promover a gestão integrada da linha
               induzidas, incentivadas, fiscalizadas ou res-  tion System (EUNIS). Estes sistemas aplicam                        lodi e Pettermann (2010) estimaram, com   de costa, seu conhecimento técnico-cien-
               tringidas, tanto do ponto de vista econômi-  chaves de classificação específicas para ha-                         base em dados de risco natural, social e   tífico, suas variações conforme os eventos
               co quanto ambiental (MMA, 1996; Nicolodi   bitats estruturadas em níveis hierárquicos                             tecnológico oriundos do MDZC e Marinha   extremos e mudanças do clima, usos múlti-
               & Gruber, 2020, Nicolodi 2021).          que permitem a aplicação destas chaves em                                do Brasil (MMA, 2008), os potenciais de vul-  plos e proteção dos ecossistemas marinhos
                 Considerando a importância do PEM para   escalas de milhares de km² até menos de                                nerabilidade da ZC, dando ênfase à relação   e costeiros (PROCOSTA, 2018). Tal Progra-
               o estabelecimento de uma Economia Azul,   1 m², abrangendo o litoral, zonas pelági-                               de população exposta e população total.   ma trouxe um caráter inédito ao conjunto
               Scherer e Nicolodi (2021) analisaram e iden-  cas e bentônicas de estuários, zona costei-                         Apenas como exemplo, o Rio de Janeiro    de instrumentos e ferramentas da GCI, uma
               tificaram as oportunidades de integração   ra e oceano aberto (Madden e Grossman,                                 apresentou a mais alta relação, com uma   vez tratar, de forma integrada e sob a ótica
               da base já consolidada do GERCO ao PEM,   2004).  Testes  metodológicos  iniciais  para                           taxa de 78%, o que equivalia à época a um   da Gestão com base Ecossistêmica, de qua-
               ressaltando o potencial desta integração   adaptação ao Brasil destes sistemas foram                              contingente de 11.194.150 habitantes, sen-  tro eixos centrais para a gestão da costa:



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