Page 105 - Livro - Economia Azul
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                  ECONOMIA AZUL E A AGENDA 2030




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                  1. Introdução


                     Apesar de ainda haver resistência à ques-  Agenda 2030, particularmente devido  a
                  tão, é possível afirmar que o desenvolvimen-  sua natureza transversal e intersetorial.
                  to sustentável já assume um papel central   Dessa maneira, o presente capítulo es-
                  na agenda global. Com tímidos movimentos  treitará o diálogo entre Economia Azul e
                  a partir da década de 1970, é no início do  desenvolvimento sustentável, evidencian-
                  século XXI que a sociedade presencia o pri-  do o  papel estratégico  que os recursos
                  meiro grande esforço global para promover  marinhos e as atividades marítimas têm no
                  o desenvolvimento sustentável. Em 2000,  atual contexto da agenda de desenvolvi-
                  surgiram os Objetivos de Desenvolvimento  mento global, incluindo países desenvolvi-
                  do Milênio (ODM), que totalizavam 8 obje-  dos e em desenvolvimento nesse processo.
                  tivos, 18 metas e 48 indicadores. Após 15   Para tal, apresentará inicial e brevemente
                  anos, é lançada a Agenda 2030, com seus  a Agenda 2030, bem como seus 17 ODS
                  Objetivos de Desenvolvimento Sustentável  e, em seguida, fará uma breve revisão da
                  (ODS), totalizando 17 objetivos, 169 metas  literatura acerca do conceito de Economia
                  e 232 indicadores.                       Azul. Essas duas discussões iniciais servem
                     Tendo interface com diferentes temas,  de suporte à análise seguinte, que desta-
                  os mares e o oceano são frequentemente  cará o papel-chave do mar e do oceano na
                  associados apenas ao ODS 14 (SANTOS,  Agenda 2030.
                  2020, 2021a). Não obstante, este capítulo   Analisando-se, particularmente,  o  caso
                  visa criticar esta perspectiva, já que é limi-  do Brasil, destaca-se que se trata de um
                  tada e inconsistente com a própria Agenda  grande player regional e global, que possui
                  2030 – que pretende ser ousada, transver-  a segunda maior economia e população do
                  sal e interligada. Neste sentido, propõe-se  continente americano, apresentando 7.491
                  uma visão mais ampla dos recursos mari-  km de litoral voltados para o Oceano Atlân-
                  nhos e oceânicos a partir do conceito de  tico. Essa peculiaridade geográfica coloca-o
                  Economia Azul; ao contrário de nos con-  na condição de economia marítima por na-
                  centrarmos apenas na vida marinha, colo-  tureza, razão pela qual merece ser estudado
                  camos os mares e o oceano no centro da  em mais detalhes (SANTOS, 2021a).


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