Na tarde do dia 27 de setembro, uma comissão da Secretaria da Comissão Interministerial de Recursos para o Mar- SECIRM esteve no Arquipélago de Fernando de Noronha para visitação ao local das futuras instalações da estação científica e coleta de informações para subsidiar o projeto. Na ocasião, repórteres de três veículos de comunicação participaram da visita: Band RJ, jornal O Globo e equipe do documentário Luzes da Amazônia Azul, da produtora Larty Mark.
A visita fez parte da programação da comissão APOIEX ASPSP da SECIRM, realizada no período de 20 a 29 de setembro, com apoio do NPaOc “Araguari”, subordinado ao Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Nordeste. O Capitão de Corveta (T) Marco Antonio Carvalho, da SECIRM, foi o guia da visitação e apresentou o terreno de pouco mais de 600 m², no qual será construída a estrutura de 200m² que abrigará 3 laboratórios, alojamentos e espaços de trabalho e convivência para até 20 pesquisadores.
A futura estação científica faz parte do programa de pesquisa científica em ilhas oceânicas já desenvolvido em Trindade e no Arquipélago de São Pedro e São Paulo.
De acordo com o Capitão de Corveta (T) Carvalho, a construção da Estação Científica vai ampliar as possibilidades de desenvolvimento de trabalhos científicos no arquipélago e servir como ponto de apoio para provocar as agências de fomento a realizarem investimentos. Um exemplo é o CNPQ que abre processos seletivos de projetos de pesquisa, atesta o método científico e possibilita pesquisadores e universidades a ingressarem no projeto de pesquisa em ilhas oceânicas.
O projeto de engenharia civil da futura estação de Fernando de Noronha está em fase final e em breve será enviado para a fase de avaliação dos atores que respondem pela administração da ilha, como Governo, IcMBio e IPHAN. Após a avaliação, será possível iniciar a fase de construção.
De acordo com a estudante de arquitetura, Julia Tabet, do Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo da PUC Rio, empresa responsável pelo projeto da estação científica, desde o início da concepção do projeto foi priorizada a resposta positiva às questões ambientais e ecológicas, a fim de garantir menor impacto à Fernando de Noronha.
“Utilizaremos o sistema construtivo modular, que garante uma flexibilidade e adaptabilidade do projeto para se expandir ou diminuir o tamanho da estrutura de acordo com a demanda. No sistema os módulos chegam prontos à ilha, o que facilita a logística de trazer o material, uma vez que são peças pré moldadas, assim, a única obra in loco serão as fundações. Neste sistema levaremos em média 5 meses para finalizar a estação”, afirmou Julia Tabet.
O projeto prevê um sistema de reutilização da água e estudo de fachada para garantir uma maior eficiência energética; iluminação zenital e utilização de placas solares, além de uma área de integração para a comunidade local e visitantes, com potencial para disseminação do conhecimento científico e para se tornar um novo ponto turístico.
Para o professor Jorge Lins, oceanógrafo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a estação científica de Fernando de Noronha é muito esperada pela comunidade científica, e servirá como importante ponto de apoio, “será um local em que teremos espaço para pesquisa, laboratório, apoio logístico e uma estrutura essencial. Esse é um passo decisivo, uma vez que a partir da instalação da estação teremos oportunidade de buscar financiamentos necessários para o desenvolvimento de pesquisas”.