Com uma trajetória centenária que une o vigor do Treinamento Físico Militar (TFM) à precisão do alto rendimento, a Marinha do Brasil consolidou o esporte como um pilar estratégico de projeção institucional. Por meio de iniciativas como o Programa Olímpico da Marinha (PROLIM) e o Programa Forças no Esporte (PROFESP), a Força Naval não apenas sustenta a presença de militares nos pódios mundiais, mas também promove a inclusão social em todo o território nacional.
O que começou como preparação física para o serviço naval, transformou-se, ao longo do tempo, em uma política estruturada que projeta a MB no cenário esportivo nacional e internacional. Da formação militar aos pódios olímpicos, o esporte passou a ocupar papel estratégico na Força, integrando preparo operacional, alto rendimento e ações de inclusão social.
A prática esportiva sempre esteve presente na rotina militar, por sua relação direta com o vigor físico exigido em atividades operativas. Na Marinha, modalidades como remo, vela, tiro, esgrima, ginástica, atletismo, natação e polo aquático remontam aos primórdios da Instituição. Porém, essas atividades não possuíam caráter institucional estruturado, condição que se modificou ao longo do tempo.
O marco desse processo ocorreu em 25 de novembro de 1915, quando Oficiais como Áttila Monteiro Aché, Sylvio de Noronha e Ary Parreiras criaram, em reunião no Clube Naval, a “Liga de Sports”. A iniciativa deu início à organização sistemática do esporte na Marinha, resultando na implantação de programas permanentes. Com o avanço do modelo, o esporte deixou de ter apenas caráter funcional e recreativo e passou a integrar a formação física e mental dos militares. A criação de estruturas específicas, além da ampliação da infraestrutura esportiva, contribuiu para esse processo.
Nesse contexto, foram criados o Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), com instalações que se destacaram à época, e a Comissão de Desportos da Marinha (CDM), instituída em caráter permanente para dirigir, planejar, coordenar e controlar as atividades de educação física e desportos da Força. Essas iniciativas consolidaram a política esportiva da MB. A modernização do CEFAN e a criação do Prolim, em 2008, representaram uma nova etapa, passando a direcionar esforços à preparação de atletas de alto rendimento, ampliando a presença de militares em competições nacionais e internacionais.
É o caso de judocas como os Sargentos William Lima e Larissa Pimenta, a Sargento Beatriz Ferreira, no boxe, e Alisson dos Santos, no atletismo, que integram esse cenário. Como resultado, a Marinha passou a figurar de forma recorrente entre os destaques dos Jogos Mundiais Militares, dos Jogos Pan-Americanos e dos Jogos Olímpicos.
PROFESP: a porta de entrada de crianças e adolescentes nos esportes olímpicos
Além do alto rendimento, a Marinha também trabalha o esporte como ferramenta de inclusão social. Criado como política pública federal em 2003, o Programa Forças no Esporte (PROFESP) promove o acesso de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social à prática esportiva e a atividades educacionais.
A Força atua na execução do PROFESP ao oferecer infraestrutura e apoio técnico para os jovens. Entre os resultados do programa está a trajetória da Terceiro-Sargento Laura Amaro, atleta do levantamento de peso, integrante da equipe olímpica brasileira e medalhista em competições internacionais. “Eu tinha 12 para 13 anos quando conheci o esporte olímpico por meio do Programa Forças no Esporte”, relata a atleta.
Segundo ela, o acesso precoce à prática esportiva em ambiente militar foi determinante para a escolha da carreira. “Nem sempre as crianças têm a oportunidade de experimentar modalidades olímpicas, e o programa abriu esse caminho para mim”, afirma.
Laura Amaro conta que teve contato com outras modalidades ainda durante a participação no PROFESP. “Eu fiz skeleton para as Olimpíadas de Inverno e através dele fui para os Jogos Olímpicos da Juventude de Inverno, na Noruega. E isso foi quando eu ainda tinha 15 anos”, diz.
Já no alto rendimento, a atleta destaca a estrutura do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes. “Com o ingresso na Marinha, tive o apoio necessário para conquistar resultados inéditos, como a medalha de prata mundial, um grande marco para a história das mulheres no levantamento de peso”, completa.
A próxima competição de Laura no levantamento de peso será entre os dias 23 de abril e 2 de maio, nos jogos Panamericanos na Cidade do Panamá.
Presença da Marinha em eventos esportivos de grande porte
Programas como o PROFESP e o PROLIM reforçam a presença da Marinha no cenário esportivo. Nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, dos 274 atletas classificados, 43 militares da MB integraram a delegação brasileira. Em 2025, o Brasil conquistou duas medalhas inéditas no Campeonato Mundial de Ginástica Rítmica, com a participação de três atletas militares da Marinha vinculados ao Prolim.
Mais recentemente, dois representantes da Força, o Suboficial (Reserva) Ricardo Dias dos Santos e o Primeiro-Sargento (Mergulhador) Roberto Stael, foram selecionados para disputar o Double Deca Ironman, prova de resistência contínua equivalente a 20 Ironman completos, com 76 quilômetros de natação, 3.600 quilômetros de ciclismo e 844 quilômetros de corrida, sem interrupção do tempo, uma das provas esportivas mais exigentes em termos de resistência.
Continuidade do PROLIM
Em dezembro de 2025 foram abertas 26 novas vagas para o Programa Olímpico da Marinha, em nove modalidades distintas, com o intuito de selecionar e subsidiar atletas de alto rendimento. O resultado final do processo pode ser consultado no site do Comando do 1º Distrito Naval.


