Page 44 - PEM 2040
P. 44

CAPÍTULO 3 - CONCEITO ESTRATÉGICO MARÍTIMO-NAVAL



          a) Controle                                         na  massa  líquida  submarina.  Nesse  sentido,
                                                              o  aprimoramento  da  capacidade de emprego
          Uma defesa proativa requer uma capacidade efetiva  conjunto de aeronaves com a Força Aérea Brasileira,
          de monitoramento e o respectivo controle dos  complementando as aeronaves embarcadas em
          espaços  marítimos  críticos,  independentemente  navios de superfície, avulta de importância.
          da  configuração  e  do  inventário  de  meios  que  se
          disponha para a defesa de infraestruturas e demais  Em áreas mais distantes do litoral, um Navio com
          ativos marítimos estratégicos.                      capacidade de Controle de Área Marítima (NCAM),
                                                              capaz de operar com aeronaves de asa fixa, rotativa
          Dessa  forma,  o  esforço  defensivo  deve  ser  e/ou  remotamente  pilotadas,  atua  basicamente
          intensificado  nas  áreas  marítimas  contíguas  às  como plataforma de controle de área marítima, com
          zonas produtivas, por intermédio de sensores ativos,  foco na defesa de forças navais contra ameaças de
          como veículos aéreos, marítimos ou subaquáticos,  superfície, aéreas e submarinas. Deve dispor ainda
          não  tripulados,  remotamente  controlados,  e  de  de capacidade de projeção de poder, para apoio a
          sistemas colaborativos de monitoramento nas  operações anfíbias e forças expedicionárias.
          áreas mais distantes.
                                                              Também foi demonstrado que os submarinos
          b) Proteção                                         convencionais com propulsão nuclear são meios
                                                              de  elevada  proatividade para a defesa de nossas
          Um segundo gradiente complementa naturalmente  águas  jurisdicionais,  sobretudo  pelo  seu  aspecto
          o primeiro requisito e deve ser concatenado por  dissuasório.
          uma estrutura de comando ágil. Nesse pensamento
          sistêmico,  as  peças  defensivas  dispostas  na  Assim,  uma  menor  proatividade  em  áreas
          Amazônia Azul incluem as características que lhes  mais  amplas,  consubstanciada  por  sistemas
          são intrínsecas no seu modo clássico de operação,  colaborativos existentes e informações de
          a natureza colaborativa e pelo resultado sinérgico  inteligência  operacional,  poderia  ser  compensada
          para a defesa integralizada de interesses marítimos  por um maior esforço de controle e proteção nas
          de alto valor.                                      áreas circunvizinhas às unidades produtivas. Nessa
                                                              forma focada de aplicação de esforço, existe uma
          Em  linhas  gerais,  de  acordo  com  o  gradiente  de  estrutura de comando dedicada a tal sistema
          esforço para atendimento ao requisito de proteção,  defensivo que estabelece protocolos para elevar os
          devem ser conjugadas adequadamente as  níveis de alarme de forma tempestiva.
          características do Poder Naval, a fim de possibilitar
          uma maior presença naval nas proximidades  O  primeiro  gradiente,  relacionado  ao  requisito
          de áreas críticas e maior mobilidade em áreas  de  controle,  deverá  buscar  a  maior  consciência
          mais  distantes.  Dessa  forma,  a  capacidade  de  situacional  possível,  consolidada  pela  ativação
          deslocamento  rápido  para  uma  determinada  área,  do  SisGAAz  que,  sincronizado  com  os  meios  de
          com o intuito de agir no tempo oportuno, poderia  proteção na área a defender, conformará o segundo
          contrabalançar, por exemplo, a exiguidade de meios  gradiente, relacionado ao requisito de proteção.
          disponíveis para exercer ação de presença em
          uma área mais longínqua. Por outro lado, sistemas  3.6 – DEFESA MARÍTIMA DE AMPLO ESPECTRO
          de  defesa  posicionados  nos  pontos  próximos  às
          infraestruturas críticas  reduzem a necessidade de  Interesses  marítimos  e  fluviais  de  alto  valor
          pronto deslocamento de meios, tanto no ambiente  estratégico impõem uma estratégia defensiva
          aeroespacial como na superfície marítima ou  proativa,  que  antecede  o  deflagrar  dos  conflitos








          42      PLANO ESTRATÉGICO DA MARINHA
   39   40   41   42   43   44   45   46   47   48   49