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CAPÍTULO 3 - CONCEITO ESTRATÉGICO MARÍTIMO-NAVAL


          Cumpre destacar que vários dos princípios de guerra,  navio”; arquipélagos e ilhas oceânicas; os recursos
          inicialmente  teorizados  para campanhas militares  vivos e a biodiversidade marinha; os recursos naturais
          contra  forças  organizadas,  também  são  aplicáveis  não  vivos,  aos  quais  se  somam  as  infraestruturas
          contra as demais ameaças abordadas neste Plano, e,  marítimas associadas à sua explotação, e os meios
          portanto, no Combate pelo Mar, que introduzimos na  que compõem o Poder Naval, que existe para proteger
          próxima seção.                                      as riquezas marítimas do Brasil.


          3.3 – O COMBATE PELO MAR                            Da análise de cada elemento pertencente ao conjunto
                                                              de  interesses  marítimos  nacionais,    em  função  de
          Quando apontamos  a necessidade da ativação de  sua importância estratégica e dos antagonismos e
          sistemas  defensivos,  o  primeiro  ímpeto  é  pensar  ameaças  visualizadas,  são  depreendidas  posturas
          apenas  no  combate  a  oponentes.  No  entanto,  defensivas e graus de prontidão distintos. Na
          também dizem respeito à preservação de interesses  prática,  a  cooperação  internacional,  em  termos  de
          marítimos  e à atenção às  múltiplas  ameaças dos  intercomunicação marítima, é incentivada; entretanto,
          tempos  modernos,  por  meio  da  dissuasão.  Para  em  termos  de explotação marítima  e partilha de
          ficarmos em alguns dados que ilustram essa tarefa,  recursos naturais, nem sempre há um alinhamento
          novas descobertas no leito marinho correspondem ,  de pensamento nas relações internacionais.
          atualmente, a 40% do crescimento do total mundial
          das reservas de óleo e gás no mundo .               Ademais,  as  linhas  de  comunicação  marítimas,
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                                                              dispostas  em  escala  mundial,  ultrapassam  a
          A dispersão  espacial e o grau de relevância dos  Amazônia Azul, situação que comprova a influência
          interesses marítimos e fluviais para a vida nacional  que  uma  marinha  mercante,  com  amplo  grau  de
          devem ser considerados na prioridade de objetivos e  internacionalização e abrangência espacial em sua
          na concepção de sistemas defensivos. Existem três  atuação, pode possuir na promoção da cooperação
          porções marítimas diferenciadas de interesse para o  internacional para a defesa de interesses marítimos
          Brasil, denominadas águas territoriais, patrimoniais e  nacionais.
          de interesse marítimo.
                                                              Por  outro  lado,  é  fato  que  o  ambiente  marítimo
          Como visto anteriormente, no Atlântico Sul, contíguas  não  revela  somente  ameaças,  mas  também
          às águas territoriais que estão localizadas em uma  oportunidades,  como  o  exercício  da  diplomacia  e
          faixa de 12 milhas náuticas a partir da costa, onde  a possibilidade  do estabelecimento de  alianças
          o Brasil exerce soberania, temos águas patrimoniais  estratégicas.
          nas quais o País tem grau de jurisdição assegurado
          pela CNUDM III e que integram o conceito da Amazônia  3.4 – OPORTUNIDADES DE DIPLOMACIA NAVAL
          Azul. Essa  jurisdição  relativa  se  transforma em
          direitos patrimoniais sobre a massa líquida costeira,  Embora  esteja  prevista  como  atividade  essencial,
          estendidos,  na  porção  mais  externa,  pelo  subsolo  as  marinhas  não existem  somente  para se
          marinho correspondente ao prolongamento do solo  prepararem  contra  ameaças,  mas  também  para
          pátrio,  a  denominada  Plataforma  Continental,  que  explorar oportunidades que, quando adequadamente
          pode chegar a 350 milhas náuticas da costa.         empregadas,  têm  o  poder  de  evitar  ou  dissuadir
                                                              intenções contrárias aos  interesses  de seus
          Nos  espaços  marítimos  supramencionados,  temos  países. Nesse sentido, a gestão de nossa Marinha,
          interesses,  que  envolvem  atores  internacionais  e  direcionada de forma  concomitante  a ameaças e
          ameaças  não  convencionais,  como  as  linhas  de  oportunidades,  é  fundamental  para  a  conquista  e
          comunicação  marítimas  e  hidrovias,  incluindo  os  preservação dos objetivos nacionais.
          navios  mercantes  nacionais  e  o  binômio  “porto-


          12  WEDIN, 2015.




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