Page 36 - PEM 2040
P. 36

CAPÍTULO 3 - CONCEITO ESTRATÉGICO MARÍTIMO-NAVAL



          3.1 – INTRODUÇÃO                                    Na  conjuntura  atual  brasileira,  cabe  ressaltar  que
                                                              as  atividades  extrativistas  na  Amazônia  Azul,
          Como forma de orientação das ações estratégicas  materializadas por uma produção oceânica alicerçada
          navais  formuladas  neste  plano,  foi  elaborado  na  implementação  de  infraestruturas  críticas,  têm
          um  conceito estratégico marítimo-naval que  evocado a necessidade de desenvolvimento de um
          fornecerá  elementos  para  a  atualização da DMN7,  novo paradigma  associado à defesa de interesses
                                                                             8
          do Planejamento de Forças e dos planos setoriais  marítimos  na  doutrina  naval  brasileira,  o Combate
          decorrentes.                                        pelo Mar.

          Neste  capítulo,  deve  ser  considerada  a  estratégia  Este conceito estratégico marítimo-naval deve
          numa acepção predominantemente militar, como arte  privilegiar tanto a interoperabilidade — capacidade de
          ou ciência de emprego do poder em prol de objetivos  forças  militares  nacionais  operarem,  efetivamente,
          políticos,  enfrentando  óbices  e  antagonismos  de  de acordo com a estrutura de comando estabelecida
          toda ordem, não restritos àqueles de caráter estatal.  – quanto a capacidade de conduzir operações
                                                              interagências,  que  integram  as  Forças  Armadas  e
          Vale  retomar  comentários  sobre  o  fenômeno  outros órgãos com a finalidade de conciliar interesses
          da  “territorialização”  do  mar,  a  propósito,  não  e  coordenar  esforços,  o  que  se  revela  crucial  nas
          amparado  pela  CNUDM  III,  na  medida  em  que  as  vastas porções marítimas e fluviais brasileiras. Nesse
          funções modernas de pesquisa e explotação do  sentido,  devemos  enfatizar  o  desenvolvimento  da
          Poder  Marítimo,  vistas  no  capítulo  inicial,  levaram  capacidade de condução de ações conjuntas, dada
          a humanidade a buscar usufruir  dos espaços  a complexidade dos desafios no setor de Defesa e
          marítimos  que,  ao  se  tornarem  valiosas  fontes  de  a necessidade de  emprego racional de  recursos
          recursos  econômicos,  assumem  valor  intrínseco,  militares, na consecução dos objetivos nacionais.
          o qual  transcende o clássico  direito de passagem
          correspondente à função intercomunicadora.          Dessa  forma,  este  capítulo  tem  o  propósito  de
                                                              apresentar um conceito estratégico marítimo-naval
          Nesse sentido, na modernidade, além dos Combates  que  oriente  uma  postura  dissuasória  e  proativa
          no Mar, em função de objetivos políticos orientados  da força no mar e nas águas interiores, em defesa
          pelo  continente,  também  têm  lugar  os  Combates  permanente dos interesses nacionais.
          pelo Mar, em virtude de todos os recursos que pode
          oferecer.

























          Navio da MB patrulhando as águas próximas da Baía de Guanabara - Rio de Janeiro

          7  Na versão 2017, A Doutrina Básica da Marinha passou a ser denominada Doutrina Militar Naval.
          8 Em termos científicos, um paradigma consiste em um modelo de pensamento estruturado não redutível, amplamente aceito na área de estudo a
          que pertence.

          34      PLANO ESTRATÉGICO DA MARINHA
   31   32   33   34   35   36   37   38   39   40   41