Page 99 - Livro - Economia Azul
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com recursos humanos para interpretá-los   (a experiência do Brasil no petróleo e gás   meio marinho, bem como a construção, a   Desafios tecnológicos
 e orientá-los estrategicamente, dentro de   evidencia quão dispendiosas são essas ativi-  operação e o uso de todos os tipos de ilhas
 um plano de ação e, portanto, em conso-  dades em tempo, capital e formação de re-  artificiais, instalações e estruturas sobre o   Os desafios tecnológicos decorrentes da
 nância com uma política minerária, cientí-  cursos humanos), o Brasil precisará aprimorar   solo e subsolo; o direito de colocação de   exploração do mar dependem basicamente
 fica, tecnológica e energética para o mar   um necessário plano de ação inicial para ge-  dutos  e  cabos  submarinos;  a  criação  de   de duas variáveis: (i) a distância da costa e
 do Brasil, que deve integrar não apenas o   renciar, sob uma abordagem político-estraté-  ilhas artificiais, instalações e estruturas, zo-  (ii) a profundidade da jazida, neste caso, a
 Plano Nacional de Mineração 2050 como   gica, inclusive, o risco da proposta de exten-  nas de segurança de largura razoável, nas   distância entre a lâmina-d’água e o fundo
 estar adequado, e ser considerado, na re-  são da plataforma continental na ERG junto   quais pode tomar medidas adequadas para   do mar. A distância interfere diretamente
 visão em curso da Política Nacional para os   à ONU se estender indefinidamente, ou ser   garantir tanto a segurança da navegação   nos  custos  de  logística  e  das  instalações,
 Recursos do Mar (Decreto 5.377/2005).  abandonado por uma inviabilidade técnica.   como a das ilhas artificiais, instalações ou   enquanto a profundidade condiciona o de-
 Ainda a curto prazo, o Brasil possui ape-  Mas, acima de tudo, o Brasil precisará deci-  estruturas tendo em conta as normas in-  sempenho do equipamento e sua eficiên-
 nas um navio hidroceanográfico de primei-  dir que sorte quer dar às futuras gerações de   ternacionais aplicáveis (artigos 60 (4) e (5)   cia em operar com custos competitivos.
 ra linha, equipado para executar as ativi-  brasileiros em relação às riquezas do mar.   da CNUDM); e o direito de realizar patrulha   A exploração em águas com até 80
 dades e os levantamentos necessários, que   Desafios jurídicos  naval nessas zonas de segurança.  metros de profundidade se dá nas con-
 precisa receber recursos, gestão e projetos   Além disso, em razão da jurisdição ter-  dições mais convencionais de dragagem
 para navegar e pesquisar não só na ERG:   Um passo relevante para favorecer as   ritorial, é importante lembrar que sobre a   do material do fundo do mar, a exemplo
 o NPqHo Vital de Oliveira, comissionado   oportunidades de investimentos e pesqui-  ERG incidem todas as demais leis do Brasil,   do que ocorre com a exploração de ouro
 na Marinha. Ademais, o  Estado brasileiro   sa, especialmente a médio e longo prazos,   um conjunto numeroso e muitas vezes de-  no Alasca, pedras preciosas em alguns
 precisará contar com equipamentos de mar   diante da nova situação jurídica da ERG, é   sordenado e ininteligível de leis, decretos e   países africanos e calcário na França. A
 profundo, como veículos de operação re-  considerar a construção de uma moldura   normas infralegais. Essa imensa confusão   partir dessa profundidade de até 200 me-
 mota (do inglês ROV – Remotely Operated   jurídica favorável à ocupação, ao uso e à ex-  jurídica gera imprecisão, insegurança e in-  tros, a exigência de equipamentos passa
 Vehicle), veículos submarinos autônomos   ploração sustentável dos recursos da ERG.   certezas para todos, desde as autoridades   a ser mais sofisticada e os riscos ambien-
 (da sigla em inglês AUV – Autonomous Un-  Isso leva tempo, tanto pelo volume de   licenciantes até universidades e empresas   tais são maiores. Ainda assim, para essa
 derwater Vehicle), perfuratrizes (Rock Drill),   normas que incide de forma intercruzada   que buscam licenças de pesquisa ou explo-  modalidade de mineração, a tecnologia
 dentre outros, bem como a garantia de or-  sobre a atividade econômica, indistintamen-  ração, por exemplo. Como será o licencia-  atual está madura, e os problemas, de
 çamento que assegure suas manutenções   te, para atividades em terra ou mar, quan-  mento ambiental de atividades na ERG, a   um modo geral, podem ser resolvidos
 e operações, além de equipe devidamente   to pelo trâmite do processo legislativo que   4.000 m de profundidade e 1.000 km da   com o equipamento concebido a partir
 treinada para operar esses equipamentos.   uma eventual reforma de normas deman-  costa? Certamente, a experiência operacio-  da perfuração de poços de óleo e gás.
 Enfim, o Brasil precisa de um plano para   daria: seriam dezenas, senão centenas de   nal do Brasil com a Petrobras e a exploração   Desafios tecnológicos maiores se co-
 “ocupar” a ERG o mais brevemente possí-  normas em revisão, incidindo competências   de petróleo e gás em águas ultraprofundas   locam quando as áreas prospectadas vão
 vel, que a permita ser estudada com mais   de várias comissões na Câmara e Senado.  ensinará muito às atividades no mar pro-  além de 500 metros de profundidade,
 foco e intensidade, além de ser monitorada.   É preciso começar a enfrentar essa   fundo do Brasil, como a ERG. Considerar a   como no megaprojeto de mineração a
 É preciso “fincar-se uma bandeira” lá. 6  longa caminhada. O Brasil pode legislar   revisão da legislação brasileira para o mar é   mais de 1.600 metros de profundidade,
 sobre a ERG.      uma medida necessária, senão obrigatória.   na plataforma continental da Papua-Nova
 . Ações a médio e longo prazos                             Guiné. Em fase ainda experimental, esse
 A médio e longo prazos, o Brasil enfren-  Como a ERG é parte da plataforma   Sem segurança jurídica, não existe   investimento de uma grande mineradora
 tará desafios político-estratégicos, jurídicos   continental (MORE, 2018), segundo o ar-  investimento. E a exploração minerária   canadense provoca muita celeuma, pois se
 e tecnológicos. A seguir, serão analisados   tigo 76 e 77 da CNUDM, o Brasil pode   do mar em geral, não apenas da ERG,   trata de uma adaptação para o fundo do
 cada um desses desafios individualmente.  estabelecer em seu espaço geográfico, de   demandará vultosos investimentos em
 forma  exclusiva,  normas  e  regulamentos   tempo, tecnologia, inovação e recursos   mar da exploração feita em terra, realiza-
 fixando: o exercício de direitos de sobera-  humanos, que se espera que sejam fei-  da por veículos gigantescos (escavadeiras
 Desafios político-estratégicos
 nia na forma do artigo 77 da CNUDM; a   tos pelo próprio Estado, suas estatais ou   e perfuradoras), operados remotamente.
 Dado o alto grau de investimento espe-  regulamentação da investigação científica   companhias mistas, empresas privadas,   A polêmica se torna mais forte quando se
 cialmente para a exploração do mar profundo   marinha, a proteção e a preservação do   pela academia ou em parcerias.   presume que o impacto no solo marítimo



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