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sistemas. As inovações em navipeças de alto   A Região Norte tem sua matriz de trans-  à restrição das demandas ao fornecimento   cações e reduzir custos para o cliente final.
 conteúdo tecnológico têm sido introduzidas   portes fortemente concentrada no modal   de produtos de baixa complexidade.  Porém, a redução futura da demanda por
 no mercado brasileiro, no entanto, por meio   aquaviário. Assim, possui necessidade e ap-  Uma das iniciativas governamentais nesse   novas embarcações, com a permissão para
 de importações. Não há, ainda, grande par-  tidão para o setor naval. O estado do Ama-  sentido é a Lei de Estímulo à Cabotagem “BR   importação de navios, pode impactar nega-
 ticipação de empresas nacionais no desen-  zonas conta com aproximadamente 400   do Mar” (PL 4.199/2020). Apesar de apre-  tivamente a indústria naval, com estaleiros
 volvimento desses produtos.  estaleiros, carreiras e oficinas navais, confi-  sentar avanço para o transporte logístico do   operando atualmente com elevada ociosida-
 Contudo, a transferência de tecnologia,   gurando-se em dois setores claramente dis-  país, a facilitação de afretamento de embar-  de e sem condições de competir com os pa-
 fruto da participação de estaleiros estrangei-  tintos, sendo eles: (i) formais; (ii) informais.   cações estrangeiras pode criar assimetrias re-  íses orientais, por exemplo, devido ao “cus-
 ros (acionistas, fornecedores e consultores),   Os formais utilizam o aço, o alumínio ou   gulatórias no país e diminuir a demanda dos   to Brasil”. Destaca-se que as consequências
 tem permitido trazer para o Brasil a engenha-  a fibra como material de construção. Já os   estaleiros. Ademais, o incentivo claro para o   dessa política serão vitais para a identificação
 ria de processos de construção necessária,   informais (cerca de 300 estaleiros) constro-  setor seria no ramo de reparo de embarca-  do futuro da Indústria Naval Brasileira.
 com equipamentos e software, para qualifi-  em artesanalmente utilizando como insumo   ções, com a possibilidade de utilização do   Outra iniciativa que tem potencial para
 car tecnologicamente os estaleiros. No entan-  predominantemente a madeira, e dedican-  Fundo da Marinha Mercante para financiar   colaborar no desenvolvimento da área é a
 to, para produzir e ser competitivo em um pa-  do-se, também, à área de reparos. Nos esta-  projetos, tanto brasileiros quanto estrangei-  clusterização, que tradicionalmente no ex-
 drão global, além de modernizar as plantas,   leiros informais, os carpinteiros não utilizam   ros, realizados em estaleiros brasileiros. Mais   terior contribui para a dinamização e au-
 é também importante a manutenção do co-  projeto para a execução da embarcação,   estritamente, o texto proposto prevê, entre   mento da competitividade das empresas.
 nhecimento obtido, o que somente se conse-  sendo necessárias, no entanto, adequações   outras medidas, a possibilidade de afreta-  No Brasil, a Associação do Cluster Tecno-
 gue com a continuidade da construção, per-  para se classificarem junto à Capitania dos   mento de embarcação estrangeira, com sus-  lógico Naval (CTN-RJ) foi institucionaliza-
 mitindo passar (e aprimorar) o conhecimento   Portos. A quantidade de empregados tercei-  pensão da bandeira do país de origem, des-  da em novembro de 2019, com atuação
 para as gerações seguintes de profissionais.  rizados nesses estaleiros é muito grande e   vinculado da necessidade e capacidade de   baseada num modelo triplo hélice de coo-
 Outro panorama importante no aspec-  varia em função da demanda.  tonelagem. Ou seja, a Empresa Brasileira de   peração entre os stakeholders.
 to brasileiro são as hidrovias, que possuem   Esses estaleiros têm foco na constru-  Navegação (EBN), que realiza o afretamento,   Ainda que essas atuações sejam lou-
 pouco mais de 40.000 km de trechos nave-  ção de embarcações para uso local (balsas,   não precisará ter frota própria, como é reque-  váveis para assegurarem investimentos
 gáveis, e mais da metade se localizam na re-  empurradores, rebocadores), mas também   rido atualmente. Esse é o ponto essencial da   na infraestrutura, é necessário pensar em
 gião Norte, mais especificamente na Região   constroem lanchas em alumínio ou fibra. O   política de incentivo à cabotagem, pois retira   políticas a longo prazo para garantir sus-
 Amazônica (Dados.gov.br – Portal Brasileiro   reparo de embarcações também é realiza-  a necessidade de apenas embarcações com   tentabilidade no setor. Nesse sentido, não
 de Dados Abertos).  do nesses estaleiros.  bandeira brasileira realizarem o transporte   apenas políticas de incentivo à construção
                   aquaviário entre os portos  nacionais. Com   de embarcações no Brasil seriam bem-vin-
 5. Conclusão      isso, o Governo Federal pretende aumentar   das, mas também ações focadas na área de
                   de forma rápida a disponibilidade de embar-  reparação e desmonte de embarcações.
 O setor de Construção Naval estruturado   visto anteriormente, o setor apresenta instabi-
 tem potencial para geração de empregos e   lidades ao longo da sua história, afetando sua
 renda para a sociedade, sendo um dos seto-  infraestrutura e capacidade produtiva.   Referências
 res industriais que mais demandam mão de   Atualmente, o principal investidor des-
 obra e englobam grandes cadeias produtivas.   se desenvolvimento tem sido a Marinha do   ANDRADE, I.O.; FRANCO, L. G. A.; HIL-  CAMPOS NETO, C. A. S.; POMPERMAYER, F.
 Também  contribui  para  o  desenvolvimen-  Brasil, através do programa para obtenção   LEBRAND, G. R. L. Ciência Tecnologia e   M. Ressurgimento da Indústria Naval no
 to tecnológico, preparo para atuação das   de quatro fragatas Classe Tamandaré (FCT)   Inovação nos Programas Estratégicos da   Brasil (2000/2013). Brasília: IPEA, 2014.
 forças armadas e marinha mercante, e leva   e do Navio de Apoio Antártico (NApAnt).   Marinha do Brasil. Texto para Discussão,   BARRETO, Jéssica Pires Barbosa. O Estado
 investimentos para regiões afastadas do go-  A política de obrigatoriedade de conte-  Rio de Janeiro, n. 2471, IPEA, jan./2019a.  como Agente Facilitador da Indústria
 verno central. Apesar da clara dependência   údo local nas embarcações construídas     BARAT, J.; CAMPOS NETO, C. A. S.;   Naval Militar Canadense (2010-2018).
 do Estado, característica na maior parte dos   prestigia a indústria nacional, tendo como   PAULA, J. M. P. Visão Econômica da Im-  2020. Dissertação (Mestrado) – Programa de
 países, o setor é economicamente e politica-  meta inicial um mínimo de 30% de conteúdo   plantação da Indústria Naval no Brasil:   Pós-graduação em Estudos Marítimos, Escola
 mente estratégico. No caso brasileiro, como   local. Apesar disso, há preocupações quanto   Aprendendo com os erros do passado. In:   de Guerra Naval, Rio de Janeiro, 2020.


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