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entendido como uma experiência incipiente   veis (local, regional e nacional) passa a ser                         simultaneamente  aos  mares  oriundos  do   hídricos para o gerenciamento integrado de
               de transição de sustentabilidade. Para a UE   um objetivo a ser atingido.                                         interior, através de bacias hidrográficas e   bacias hidrográficas, o que extrapolou os
               o PEM é um instrumento técnico e político,   Para se pensar na Economia Azul, a es-                               tendem a infringir alterações significativas   aspectos econômicos, hidrológicos, sociais,
               considerado como uma importante ferra-   cala regional é prioritária. Ainda que seja                              no ambiente marinho (Coccossis  et al.,   e demográficos, passando a contemplar
               menta para desenvolvimento sustentável   clara a importância de projetos e ações                                  1999; Nicolodi  et al., 2009; Mulazzani &   também as dimensões sobre a conservação
               da Economia Azul das zonas marinhas e re-  locais, bem como a definição de uma es-                                Malorgio, 2017; Scherer e Nicolodi, 2021),   de habitats e espécies fluviais e ecossiste-
               giões costeiras. O objetivo geral do PEM é   tratégia nacional, a região deveria emergir                          como poluição e perda de habitats. Em    mas adjacentes (Massoud et al., 2004). Este
               gerenciar as atividades humanas no espaço   como escala institucional de organização                              um sentido inverso, marés, ondas e ventos   paradigma tem como abordagem o geren-
               marítimo de forma que estas sejam desen-  política e fiscal, sendo para isso, crucial a                           provenientes  do  oceano  podem  impactar   ciamento integrado de múltiplos recursos e
               volvidas cumprindo seus propósitos sociais   existência de um projeto nacional que in-                            áreas costeiras e, em caso de incidentes   setores visando o desenvolvimento susten-
               e econômicos, mas ainda considerando a   clua a instância regional com algum grau                                 com hidrocarbonetos, por exemplo, po-    tado regional, uma vez que busca minimi-
               eficiência, a segurança e a sustentabilidade   de autonomia e dotado de capacidade po-                            dem  contaminar  vários  quilômetros  em   zar os potenciais efeitos adversos sobre as
               necessárias para a manutenção do equilíbrio   lítica e não apenas como uma mera ferra-                            direção a terra (Coccossis, 2004; Disner &   dimensões econômica, social e ecológica
               e da saúde do ambiente marinho. Dado que   menta acessória (Bercovici, 2003; Barbosa                              Torres, 2020; Magris e Giarrizzo, 2020).  (Nakamura, 2003).  Uma vez que a ZC cons-
               60% dos oceanos estão sob responsabili-  e Randolph, 2019).                                                          É inegável que usos e atividades      titui parte relevante de bacias exorréicas,
               dade compartilhada, faz-se imprescindível   Segundo Barbosa e Randolph (2019),                                    humanas  no  mar,  os  quais  são  partes   (bacia com águas levadas diretamente para
               a cooperação internacional e os princípios   para pensar o Brasil do século XXI o plane-                          relevantes  da  Economia  Azul,  estão   o mar aberto) tem sua sustentabilidade de-
               comuns sobre o uso do meio marinho, for-  jamento regional é imprescindível para que                              conectados e são altamente dependentes   pendente, em parte, de abordagens de ges-
               talecendo a governança global dos oceanos   se tenha um projeto de nação. Deve-se res-                            dos ecossistemas e infraestruturas terres-   tão adotadas no âmbito das bacias.
               com intuito de reduzir as pressões e aumen-  gatar a concepção de planejamento regio-                             tres, não podendo existir sem essa interação   No Brasil, a Política Nacional de Recur-
               tar os usos sustentáveis. Na Agenda 2030   nal como instrumento para o desenvolvi-                                (European Commission, 2020; Garcia  et   sos Hídricos – PNRH, estabelecida em 1997
               da ONU para o desenvolvimento susten-    mento e para a redução das desigualdades                                 al., 2020; Morillo & Spalding, 2017).    pela Lei nº. 9.433, tem como um de seus
               tável, o PEM visa contribuir ao Objetivo de   sociais e territoriais.                                                Tanto as Zonas Costeiras, as Bacias Hi-  pressupostos  a  bacia  hidrográfica  como
               Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14),    E, para pensar esse planejamento em                                   drográficas e a Zona Econômica Exclusiva   unidade  territorial  para  o  desenvolvimen-
               relacionado à vida subaquática  (European   escala regional que sirva como suporte ao                             (ZEE) possuem suas políticas e instrumentos   to do planejamento de recursos hídricos.
               Commission, 2020).                       desenvolvimento de uma Economia Azul,                                    de gestão específicos, os quais acabam por   O Conselho Nacional de Recursos Hídricos
                 Neste cenário, a questão da escala     o Brasil já possui sistemas estabelecidos de                             ter rebatimentos nos aspectos econômicos   – CNRH é a instância superior para articu-
               geográfica tem especial relevância para o   gestão para três espaços em especial: as Ba-                          dos oceanos. Uma premissa indiscutível é:   lar a integração das políticas públicas em
               desenvolvimento de uma Economia Azul,    cias Hidrográficas, a Zona Costeira e a Zona                             quanto melhor e mais integrados forem os   relação aos recursos hídricos, tendo como
               especialmente em um país de dimensões    Econômica Exclusiva. Integrá-las, na medida                              planejamentos estratégicos para estas por-  principal instrumento facilitador do pro-
               continentais como  o Brasil.  Partindo do   do possível, é uma tarefa árdua, mas que                              ções do território melhores serão os resul-  cesso de gestão o Comitê de Bacias Hidro-
               pressuposto de que o ordenamento territo-  trará benefícios concretos no escopo de                                tados em termos de geração de riquezas,   gráficas. Uma das principais diretrizes da
               rial da ZC é crucial para a Economia Azul,   uma Economia Azul que seja, efetivamente,                            sustentabilidade de utilização de recursos   PNRH é “a integração da gestão das bacias
               a integração de planejamentos nos três ní-  pensada em bases ecossistêmicas.                                      naturais, qualidade dos ambientes e manu-  hidrográficas com a dos sistemas estuarinos
                                                                                                                                 tenção dos serviços ecossistêmicos básicos.  e zonas costeiras”. Para tanto, em 2005,
               3. A integração da Zona Costeira com as bacias hidrográficas e com a                                                 Os limites terrestres da ZC, claramen-  foi criada (por meio da Resolução nº. 51 do
                Zona Econômica Exclusiva (ZEE)                                                                                   te definidos na legislação com base nos   CNRH) a Câmara Técnica de Integração da
                                                                                                                                 limites municipais, são sobrepostos pelas   Gestão das Bacias Hidrográficas e dos Siste-
                 Uma das premissas mais básicas da re-  de uma questão complexa em termos de                                     bacias hidrográficas, as quais têm sua defi-  mas Estuarinos e Zona Costeira – CTCOST
              lação das ZC com suas regiões limítrofes   iniciativas de gestão territorial (Van Assche                           nição nos aspectos físicos das redes de dre-  (Nicolodi et al, 2009). Esta câmara técnica
              é a de que “O que acontece na terra in-   et al., 2020) e que acabará por impactar                                 nagem. Em termos de gestão destes espa-  discutiu esta integração entre estes dois sis-
              fluencia o oceano e vice-versa”. Uma afir-  as relações econômicas deste espaço. Água                              ços, percebe-se que houve uma evolução   temas  (Zona Costeira e  Recursos Hídricos)
              mação simples como essa pode ser o início   doce, sedimentos e contaminantes chegam                                dos sistemas de gerenciamento de recursos   até o ano de 2019, quando foi desativada



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