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Marinha e BNDES apresentam Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais durante Seminário Internacional de Operações Humanitárias

Marinha e BNDES apresentam Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais durante Seminário Internacional de Operações Humanitárias

Durante o evento, novo acordo entre o COpPazNav e o UN OCHA elevou a cooperação ao nível internacional

Por Capitão de Corveta (T) Fabrício Costa e Primeiro-Tenente (RM2-T) Jéferson Cristiano

A Marinha do Brasil (MB) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentaram ao público, pela primeira vez, o projeto-piloto da Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (FRIDA).

Essa foi uma das novidades do Seminário Internacional de Operações Humanitárias e Resposta a Desastres, promovido pelo Programa PRÓ-DEFESA, realizado nos dias 13 e 14 de novembro, sob coordenação do Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval (COpPazNav), na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro.

Outro destaque do evento foi a assinatura de um protocolo de intenções entre a MB e o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (UN OCHA).

A Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais nasce como uma tropa de pronto-emprego, anfíbia e expedicionária do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), especialmente concebida para atuar em situações emergenciais, capaz de prestar auxílio humanitário e executar operações altamente qualificadas, utilizando seu treinamento especializado em logística, resgate e segurança.

 

Trata-se de importante passo no Projeto “Preparar para Proteger: Aprendizado organizacional militar no Brasil face aos novos contextos de crise humanitária”, que integra o Programa PRÓ-DEFESA. O projeto, fruto da parceria entre MB (COpPazNav e Escola de Guerra Naval), Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Universidade Federal de Roraima (UFRR), está em plena execução, desde 2024, quando foi aprovado em 3º lugar dentre todos os 79 projetos apresentados.

O seminário recebeu 360 inscritos, sendo 250 deles da academia, entre 29 instituições de ensino distintas, com o propósito de fomentar o intercâmbio de ideias e fortalecer a cooperação no enfrentamento de emergências climáticas cada vez maiores e com a frequência cada vez mais constante. Do lado de fora do auditório do Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC), onde foi realizado o evento, o CFN montou um mostruário com os principais meios utilizados tanto no combate quanto nas operações humanitárias. Havia desde veículos blindados, passando pelo Hospital de Campanha, até a mais nova aquisição dos Fuzileiros Navais: a Embarcação de Desembarque Litorâneo, entregue à tropa no mês passado.

Outro ponto alto do evento foram as apresentações internacionais da Chefe de Coordenação Civil-Militar Humanitária (UN-CMCoord) da América Latina e Caribe do Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (UN OCHA, Panamá), Chiara Capozio; do responsável das Operações Europeias de Proteção Civil e Ajuda Humanitária (ECHO) da Comissão Europeia, Álvaro de Vicente; e do Diretor-Geral da Comissão de Defesa Civil da República da Guiana, Coronel Nazrul Hussain, que chefiou os trabalhos de planejamento e condução, em seu país, do Mecanismo de Coordenação de Desastres (MECODE) - uma atividade da Junta Interamericana de Defesa (JID).

O seminário, que foi gratuito, aberto ao público e patrocinado pelo BNDES, teve como objetivo apresentar e discutir a participação da MB e das Forças Auxiliares em operações humanitárias; proporcionar subsídios e oportunidades de pesquisa à academia; divulgar o Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval (COpPazNav) como hub de conhecimento acerca das operações humanitárias; e promover o networking humanitário em níveis nacional e internacional por meio da participação de representantes de entidades governamentais, Forças Armadas, Forças Auxiliares, organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), representada pela Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), ONGs humanitárias e comunidade acadêmica.

Primeiro dia
A abertura foi realizada pelo Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga que destacou a importância da parceria com o BNDES, com agências internacionais como a OCHA e com universidades e ressaltou a importância de manter o preparo das tropas e suas características de pronto emprego e capacidades anfíbias e expedicionárias. Isso faz com que seja possível as intervenções em operações humanitárias. 

“Esse evento de hoje é multipropósito, sendo um intercâmbio de ideias entre militares, academia, dentre outros, para respostas humanitárias a desastres, pois sempre temos algo a melhorar, uma vez que os desafios são cada vez maiores”, explicou.

Em seguida, coube a Diretora de Pessoas, TI e Operações do BNDES, Helena Tenório Veiga de Almeida, realizar a sua apresentação e falar sobre a importância do seminário para a nação brasileira. 

“Esse encontro representa mais do que um diálogo técnico, ele é um marco de avanço civilizatório na construção de uma agenda nacional de referência, solidariedade e ação coordenada de desafios em desastres naturais que assolam o nosso País”, ressaltou.

Na sequência, foi a vez da palestra a “Operação Abrigo pelo Mar: as capacidades da Marinha do Brasil em ação nas crises humanitárias”, ministrada pelo Diretor de Pessoal da Marinha, Vice-Almirante Marcelo Menezes. “Termos atuado nessa operação foi o que nos preparou para a operação nas enchentes no Rio Grande do Sul, pois pudemos mensurar na prática várias questões”, explicou.

Depois coube ao Comandante de Material de Fuzileiros Navais, Contra-Almirante (Fuzileiro Naval) Claudio Leite, explicar melhor as características da Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais da Marinha do Brasil, também chamada de FRIDA, desdobrando em detalhes o seu funcionamento e capacidades.

“Os três pilares dos desastres são monitoramento, alerta e resposta, e a FRIDA surge justamente para atuar na parte de resposta aos desastres naturais”. No fim da apresentação os participantes puderam conhecer pessoalmente a FRIDA e seus diversos componentes.

Ainda na parte da manhã, foi realizado o primeiro painel, “Cooperação Humanitária nas Américas”, que contou com o responsável da América Latina e Caribe da Diretoria-Geral de Operações de Defesa Civil e Ajuda Humanitária da Comissão Europeia, Alvaro de Vicente; com o Diretor-Geral da Comissão de Defesa Civil da República da Guiana, Coronel Nazrul Hussain; e com o Subchefe da Subchefia de Organismos Internacionais do Ministério da Defesa, Brigadeiro Intendente Antenor José Santos Margotto.

“Muito obrigado por abrirem as portas para trabalharem conosco. Estamos ansiosos para trabalhar ainda mais com a Marinha. Espero na próxima vez saber um pouco mais de português para levar ao público a apresentação em seu próprio idioma”, frisou o Coronel Nazrul Hussain.

Para fechar o primeiro turno de evento, foi assinado o protocolo de intenções entre a Marinha do Brasil e o Escritório para Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (UN OCHA). Para a Chefe de Coordenação Civil-Militar Humanitária (UN-CMCoord) da América Latina e Caribe do Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (UN OCHA, Panamá), Chiara Capozio, é importante documentar as lições aprendidas, a fim de garantir que apenas as boas práticas se repitam e se evitem erros em situações futuras. “Levar essa ajuda a quem mais necessita é extremamente necessário dentro das práticas da Organização das Nações Unidas”, destacou.

Na parte da tarde foi a vez do segundo painel, intitulado “A Marinha do Brasil e as Operações Humanitárias no Exterior: Aprendizado, Cooperação e Coordenação”, que contou com a participação do Comandante de Operações Navais, Almirante de Esquadra Cláudio Henrique Mello de Almeida; do Presidente do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha - CEPE-MB (MINUSTAH), Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval da Reserva) Paulo Martino Zuccaro; do Coordenador-Geral de Cooperação Humanitária da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Ministro de Segunda Classe José Solla Vázquez Júnior; e do responsável pelas Operações Europeias de Proteção Civil e Ajuda Humanitária (ECHO) da Comissão Europeia, Álvaro de Vicente.

“A UNIFIL surge com uma operação de Israel, em 1978, dentro do contexto da Guerra Civil libanesa, em que as forças israelenses ocupam o Sul do Líbano até as margens do Rio Litani, e provocam, por diversas razões, uma reação da ONU quanto à retirada dessas tropas que entraram no território libanês. Então, em 2000, depois da retirada das forças israelenses, é estabelecida a Blue Line, a linha azul, que não é uma fronteira reconhecida entre Líbano e Israel, mas sim uma linha de referência estabelecida pela ONU e reconhecida pelos países apenas como uma referência”, explicou o Almirante Mello.

 

Segundo dia
Para abrir os trabalhos do segundo dia, foi apresentado o terceiro painel, intitulado “A Marinha do Brasil e as Operações Humanitárias em Território Nacional”, o qual contou com a participação do Comandante de Pessoal de Fuzileiros Navais, Vice-Almirante (Fuzileiro Naval) Marcelo Guimarães Dias, que abordou a Operação Petrópolis, de 2022; do Assessor Especial Militar do Ministro da Defesa, Vice-Almirante (Fuzileiro Naval) Elson Luiz de Oliveira Góis, que retratou a Operação Taquari, no Rio Grande do Sul em 2024; e do pesquisador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), Doutor Giovanni Dolif, que apresentou a estrutura de monitoramento e alertas do CEMADEN, explicando as características que qualificam uma região como de risco. Segundo ele, o “risco é igual a ameaça vezes a vulnerabilidade da região. Uma chuva que é insignificante para uma região pode representar um risco muito alto para outra dependendo de vários fatores”, ressaltou.

Em seguida, houve a palestra “Preparar para Proteger: Aprendizado Organizacional Militar no Brasil em face a Novos Contextos de Crise Humanitária”, com o Coordenador do Projeto PRÓ-DEFESA V e Vice-Coordenador do Programa de Pós-Graduação Acadêmica do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Professor Doutor Kai Michael Kenkel. Kenkel explicou a posição de cada instituição dentro do projeto, ressaltando a importância da Marinha e das universidades parceiras, sem as quais não seria possível abranger de forma tão ampla o Brasil de ponta a ponta, agregando desde as experiências adquiridas na Operação Taquari, no Sul do país, até a Operação Acolhida, no Norte do Brasil.

A aluna de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Maria Luisa Macedo, 20 anos, que participou do Curso Internacional de Operação de Paz para Mulheres, destacou que ficou muito interessada pela área de defesa e segurança. “No nosso curso, não temos tanta oportunidade de saber como acontecem coisas relacionadas a área militar no território doméstico.
Então estar em eventos assim é extremamente interessante, até para aprender como são feitos os planejamentos”, ressaltou.

A estudante de Relações Internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e membro da Liga de Defesa e Segurança Internacional da universidade, Beatriz Veríssimo, 21 anos, afirmou que dentro da Liga há muitas discussões sobre o tema, principalmente sobre defesa e fronteira. “Recentemente tivemos um debate sobre diversos tipos de fronteiras, aéreas, terrestres, e fiquei muito interessada em saber ainda mais sobre essa temática, ainda mais dessa forma mais imersiva possível no meio militar”, explicou.

Durante o evento, novo acordo entre o COpPazNav e o UN OCHA elevou a cooperação ao nível internacional
Estudantes e militares lotaram o auditório para as apresentações – Imagem: Sargento Borges/Marinha do Brasil
Novas Embarcações de Desembarque Litorâneo estavam a mostra para o público – Imagem: Sargento Borges/Marinha do Brasil
Novas Embarcações de Desembarque Litorâneo estavam a mostra para o público – Imagem: Sargento Borges/Marinha do Brasil
Novas Embarcações de Desembarque Litorâneo estavam a mostra para o público – Imagem: Sargento Borges/Marinha do Brasil

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