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Fuzileiros Navais comemoram 218 anos em evento no Rio de Janeiro

As novas Embarcações de Desembarque Litorâneo (EDLit) foram apresentadas durante a cerimônia


Primeiro-Tenente (RM2-T) Jéferson Cristiano

Rio de Janeiro, RJ


 

A fim de celebrar os 218 anos do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), foi realizada uma Cerimônia Militar, na última sexta-feira (6/3), na Fortaleza de São José, no Centro do Rio de Janeiro, com presença do Ministro de Estado da Defesa, José Mucio Monteiro. Além do Ministro, o evento, que marcou o Dia dos Fuzileiros Navais, contou com a presença de autoridades civis e militares, brasileiras e estrangeiras, e teve uma demonstração de capacidades da Força Estratégica de Pronto-Emprego da Marinha do Brasil (MB).

 


Embarcação de Desembarque Litorâneo (EDLit) esteve presente no evento – Imagem: Suboficial Roberto/Marinha do Brasil


 

Durante o evento, foram apresentados os novos equipamentos e armamentos do Corpo de Fuzileiros Navais, como as Embarcações de Desembarque Litorâneo (EDLit), projetadas e produzidas no Brasil, com capacidade de transportar 15 militares e velocidade de cerca de 80km/h; os Drones do recém-ativado Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque; os robôs da companhia de desativação de artefatos explosivos; e a Viatura Blindada Lançadora Múltipla, equipada com o Míssil Antinavio Nacional (MANSUP), de fabricação nacional e que também equipa as Fragatas Classe Tamandaré. 


 

Público pode conhecer os Drones de Reconhecimento do novo Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque junto ao JLTV – Imagem: Suboficial Roberto/Marinha do Brasil


 

Além deles estavam presentes na demonstração a viatura blindada Joint Light Tactical Vehicle (JLTV); a Viatura Blindada Especial Sobre Rodas 8x8 PIRANHA; e o Carro Lagarta Anfíbio (CLAnf). Durante o evento também ocorreu o lançamento do Cordel dos Fuzileiros Navais, que conta a história dessa tropa anfíbia, expedicionária e de pronto-emprego.

 


Corpos de Fuzileiros Navais de cinco nações amigas são homenageados – Imagem: Suboficial Roberto/Marinha do Brasil


 

Na cerimônia ainda foram homenageados os Corpos de Fuzileiros Navais de cinco nações amigas: Espanha, Estados Unidos da América, França, Peru e Portugal, os quais receberam medalhas em reconhecimento aos serviços prestados e a parceria entre os países. O evento também contou com a participação do jornalista e historiador Milton Teixeira, que, vestido de Dom João VI, contou a história da chegada dos Fuzileiros Navais, à época Brigada Real de Marinha, ao Brasil em 7 de março de 1808.


 


O historiador e jornalista Milton Teixeira alegrou o evento ao contar a história do CFN vestido de Dom João VI – Imagem: Suboficial Roberto/Marinha do Brasil


 

Outro momento marcante foi o desfile dos Veteranos Fuzileiros Navais, que estiveram presentes e se apresentaram com o Jeep Anfíbio (JeepAnf), construído em 1942, por ocasião da II Guerra Mundial, e empregado pelos Fuzileiros Navais durante a década de 1950. Houve, ainda, desfile dos motociclistas militares do Batalhão de Polícia, apresentação de uma fusão entre as Bandas Marcial e Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais, desfile de viaturas militares e entrega de medalhas, além da participação do coral de crianças do Programa Forças no Esporte (PROFESP), iniciativa que promove o desenvolvimento integral, a inclusão social, a cidadania e a qualidade de vida de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social de comunidades carentes do Rio de Janeiro.


 

Jeep Anfíbio (JeepAnf), construído em 1942, por ocasião da II Guerra Mundial, marcou o passado do CFN – Imagem: Suboficial Roberto/Marinha do Brasil


 

O Ministro de Estado da Defesa, José Mucio Monteiro, ressaltou a relevância do Corpo de Fuzileiros Navais e sua alegria em estar na cerimônia de aniversário dos 218 anos da tropa. “Olha, a gente se enche de orgulho. A gente, quando vem aqui, esquece dos problemas, dos conflitos, e tem orgulho das nossas Forças Armadas. E hoje é um dia especial, dos Fuzileiros Navais. A fala do ator, em nome de Dom João VI, me encheu de orgulho e de emoção. Porque a nossa história é antiga, nós já servimos muito a esse país, servimos muito hoje, e estamos nos preparando para continuar servindo bem”, declarou.


 


Motociclistas militares do Batalhão de Polícia também participaram do desfile – Imagem: Suboficial Roberto/Marinha do Brasil


 

O Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, destacou, em ordem do dia, a importância do CFN a partir da chegada ao Brasil. “Desde 7 de março de 1808, afirma-se na história do país o Corpo de Fuzileiros Navais, Força de caráter expedicionário e letal, constitui vetor imprescindível para atuar em ambientes hostis, assegurando soberania e efetiva presença do Estado”, afirmou. Ele ainda destacou que “mercê do empenho, abnegação e profissionalismo de vibrantes guerreiros, a tropa assentou ao longo de mais de dois séculos, reputação alicerçada em disciplina, coesão e disposição permanente de servir a Pátria".


 

Almirantes fizeram saudação à Bandeira – Imagem: Suboficial Roberto/Marinha do Brasil


 

De acordo com o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, os Fuzileiros Navais, nestes 218 anos, diante dos enormes desafios impostos, notou a oportunidade, a necessidade e a urgência de realizar uma importante transformação, buscando adequar-se à nova realidade e aumentar seu poder dissuasório. “Ao longo do último ano, as principais etapas desse processo foram concluídas. Como resultado, o CFN, sem nenhum acréscimo de efetivo, apresenta-se hoje com um poder de combate estruturado de cinco brigadas, com capacidade para operar simultaneamente nas vertentes anfíbia, ribeirinha, litorânea e de proteção, no Brasil e no exterior. Tais estruturas já se encontram em operação, tendo atuado, ao longo de 2025, de norte a sul do país.”, ressaltou.


 

Medalhas distribuídas

Durante a cerimônia, foi realizada a imposição da Medalha Mérito Anfíbio para militares da ativa da MB em reconhecimento àqueles que, em exercícios e operações, se distinguiram pela exemplar dedicação à sua profissão e ao interesse pelo aprimoramento de sua condição de combatente anfíbio.


 


Fuzileiro Padrão 2025 recebeu sua premiação das mãos do Ministro de Estado da Defesa – Imagem: Suboficial Roberto/Marinha do Brasil


 

Outro momento ilustre foi a entrega do Prêmio Fuzileiro Padrão do ano de 2025 para o Cabo Fuzileiro Naval de Infantaria Hennery Dias Barbosa, que entrou embarcado em um JLTV. Ele participou de processo seletivo interno e se destacou pelo alto padrão moral e profissional demonstrado ao longo da carreira. O evento contou com o apoio da Lei Rouanet através do Ministério da Cultura.


 

Celebração religiosa

Para completar o dia, também foi feita a abertura da Capela de São José, da Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, a qual recebeu a benção do Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta. Conforme o Capelão do Batalhão Naval, Capitão de Corveta (CN) Padre Érico Pitágoras Rocha, o local foi construído na década de 60 e desde a década de 80 estava fechado. “Hoje, 6 de março de 2026, ela está sendo abençoada e aberta à frequência dos fiéis. Ou seja, os militares e os membros da família naval que, durante os dias de expediente e finais de semana, tiverem suas necessidades espirituais, terão mais esse espaço precioso de fé na Fortaleza de São José”, explicou. Ele ainda salientou que “recentemente o arcebispo militar publicou um decreto oficializando a capelania de São José da Fortaleza de São José e reconhecendo que este templo, embora esteja a serviço da Igreja Católica, estará a serviço de todas as outras expressões religiosas como um cenário de acolhimento e que contempla a laicidade do Estado brasileiro”.


 


Capela de São José foi aberta e recebeu benção do Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro – Imagem: Suboficial Roberto/Marinha do Brasil


 

Ainda na noite do dia 6 de março, foi realizada uma Missa Campal, na Fortaleza de São José, conduzida pelo Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, pelo Capitão de Mar e Guerra Ubiratan de Oliveira Araújo, Capelão Chefe do Serviço de Assistência Religiosa da Marinha (SARM), e Capitão de Corveta Érico Pitágoras Rocha, Capelão do Batalhão Naval, além de cerca de 20 sacerdotes. A celebração contou também com os Arautos do Evangelho e teve a presença de aproximadamente 2 mil militares e familiares.


 


Missa Campal foi realizada na Fortaleza de São José – Imagem: Suboficial Roberto/Marinha do Brasil


 

Durante a missa, dois momentos marcaram a memória dos fiéis. O primeiro deles quando dois militares chegaram de JLTV e dedicaram uma mochila e um capacete como oferenda à Deus, sendo esses símbolos do trabalho dos Fuzileiros Navais. O segundo foi a coroação da Nossa Senhora Rainha da Paz, a qual foi realizada pelo Comandante-Geral, sua esposa, e um soldado. Além disso, a missa foi abrilhantada pela Banda Sinfônica do CFN e pelo coral do Programa Forças no Esporte (PROFESP).


 

Celebração religiosa reuniu cerca de duas mil pessoas – Imagem: Suboficial Roberto/Marinha do Brasil


 

Corpo de Fuzileiros Navais

Única tropa formada exclusivamente por militares profissionais, os Fuzileiros Navais, sem descuidar um só instante da sua missão principal de defesa da Pátria, têm atuado intensamente, no País e no exterior, em todo o espectro das operações militares, desde as Operações de Guerra Naval - como as Anfíbias e as Ribeirinhas -; passando pelas atividades de emprego limitado da força – a exemplo das Operações de Paz e de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) -; até as atividades benignas - incluindo a Assistência Humanitária e o Apoio à Defesa Civil, como nas enchentes do Sul do país, além dos programas de desenvolvimento social.


 

Trata-se de força estratégica, de caráter anfíbio e expedicionário por excelência, que deve estar sempre em condições de pronto emprego, onde e quando se fizer necessário. Isso demanda treinamento intenso, recursos humanos bem formados, aptidão e preparo físico, armamento e material atualizados, acompanhamento e evolução doutrinária, dentre outros requisitos.


 

A história do CFN se mistura com a formação da identidade nacional. Os primeiros Fuzileiros que aqui chegaram, pertencentes à Brigada Real Portuguesa, jamais saíram. Após cumprirem a missão de escoltar a Família Real na viagem para o Brasil, veio o maior desafio: zelar pela soberania brasileira, mesmo com o sacrifício da própria vida.

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