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CAPÍTULO 3 - CONCEITO ESTRATÉGICO MARÍTIMO-NAVAL



          3.5 – DEFESA PROATIVA E REATIVA                     Antes  do  início  da  última  fase  do  ciclo,  deve  ser
                                                              lembrada a terceira fase para a efetiva proteção da
          A  defesa  proativa  requer  maior  agilidade,  inclusive  Amazônia Azul, representada pela agilidade decisória
          decisória,  para  a  tomada  da  iniciativa  das  ações,  que uma estrutura organizacional operacional deve
          enquanto a reativa espera a ameaça ser concretizada,  ter  para,  instrumentalizado  o  SisGAAz,  exercer
          para dar início  às  medidas. A adoção da primeira  de forma proativa o controle da Amazônia Azul.
          se  faz  necessária,  por  exemplo,  para  defender  as  Assim,  tal  estrutura  estará  capacitada  a  conjugar
          infraestruturas  energéticas marítimas  do Brasil  na  adequadamente  o  monitoramento/controle,  a
          Amazônia Azul.                                      mobilidade e a presença de meios disponibilizados,
                                                              de forma a planejar permanentemente uma defesa
          Na END constam duas áreas marítimas que merecem  proativa.
          uma postura defensiva proativa, pela necessidade de
          controlar o acesso marítimo ao Brasil, quais sejam:  Cabe, no entanto, o registro de que deve ser buscada
          a faixa entre Santos e Vitória e a área marítima em  a obtenção da Consciência Situacional Marítima em
          torno da foz do rio Amazonas.                       todo o entorno estratégico nacional, particularmente
                                                              no Atlântico Sul.  As eventuais  ameaças  pelo  mar
          3.5.1  –  Requisitos para um sistema defensivo  devem ser neutralizadas antes que se contraponham
          proativo                                            à integridade nacional.


          A MB envida esforços para implementar o Sistema  Ademais,  por  analogia  à  doutrina  de  Controle
          de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), que    Naval do Tráfego Marítimo, existem dois requisitos
          consiste num grande “sistema de sistemas” destinado   complementares de sistemas defensivos proativos:
          a prover monitoramento/controle sobre nossas águas   Controle e Proteção. O atendimento desses requisitos
          jurisdicionais, com dupla funcionalidade nos campos   demanda  dois gradientes de esforço crescente  no
          militar  e  civil,  sendo  esta  última  coordenada  pela   sentido de assegurar a defesa dos ativos marítimos,
          Autoridade Marítima. A capacidade obtida com sua    quer  estejam  situados  no  litoral,  como  portos  e
          implementação permitiria, por exemplo, que o crime
          ambiental, ocorrido no litoral do nordeste brasileiro   bases navais, quer sejam implementados em áreas
          no  final  de  2019,  fosse  mitigado  por  aperfeiçoado   oceânicas críticas para a segurança marítima.
          monitoramento da Amazônia Azul.
                                                              Em termos de estrutura de comando, as atividades

          O  monitoramento,  via  SisGAAz,  é  condição       governamentais  relativas à segurança marítima
          necessária  para  o  controle  da  Amazônia  Azul,   podem ser divididas nas seguintes áreas funcionais:
          incluindo parcela da faixa litorânea. Ele deve ser   defesa;  aplicação  da lei no  mar; inteligência; e
          exercido por uma autoridade operacional. Somente  proteção de infraestruturas  críticas marítimas  e
          será proativo aquele que tiver condições para tal e for  fluviais. Essas áreas funcionais, por serem cada vez
          capaz de decidir mais rápido, agilizando o clássico  mais  interdependentes,  obrigam  as  organizações
          ciclo  OODA  para  a  tomada  de  decisões,  baseado   governamentais  a se adaptarem  para fazer  frente
          em  quatro  fases:  “observar”,  “orientar”,  “decidir”  e   à  sobreposição  de  desafios  decorrentes  dessa
          “agir”. As duas primeiras reforçam a necessidade de   interdependência.  Essa  necessidade  de inovação
          implementação do SisGAAz e estão associadas ao      organizacional  também  demanda recursos  que
          conceito  de  Consciência  Situacional  Marítima,  que   excedem as dotações orçamentárias.
          representa a “efetiva compreensão de tudo que está
          relacionado ao  meio marinho e que  possa  causar
          impacto na defesa, na segurança, na economia e no   A ativação do Centro Integrado de Segurança Marítima
          meio ambiente do entorno estratégico”.              (CISMAR), que assumiu um caráter interagências, vai
                                                              ao encontro da evolução organizacional supracitada.






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