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CAPÍTULO 2 - AMEAÇAS
2.8 – AMEAÇAS CIBERNÉTICAS crescente de ingerência estrangeira com respaldo
de uma opinião pública internacional comprometida
O desenvolvimento e a difusão mundial da tecnologia com o meio ambiente.
digital têm alterado significativamente a vida da
sociedade moderna. Cabe citar, ainda, fenômenos climáticos como
enchentes, tsunamis e vendavais, que ameaçam a
O espaço cibernético, onde inexistem fronteiras sobrevivência humana e, especialmente, no caso do
físicas, permeia todos os setores (marítimo, terrestre, ambiente operacional marítimo, com suas condições
aéreo e espacial) e é considerado um teatro de austeras, a eficiente atividade de salvaguarda da
operações, em que a atribuição da responsabilidade vida humana no mar para socorro das pessoas e
de uma ação é difícil de ser totalmente confirmada. salvamento de patrimônio.
Nesse contexto, sobressai a possibilidade de ataques
cibernéticos a infraestruturas críticas marítimas, Adicionalmente, temos as pandemias provocadas
capazes de tornar essas instalações indisponíveis. por doenças infectocontagiosas, como o COVID-19,
a dengue e a gripe suína (H1N1). São flagelos que
Cumpre acrescentar que tais ameaças provêm de afetam sobremaneira a sociedade e exigem o pronto
criminosos e que possíveis ações cibernéticas enfrentamento, sob pena de provocar perdas de vidas
de origem estatal estão em cena desde o início e graves prejuízos econômicos.
deste século, caracterizadas, principalmente,
como sabotagem digital em desenvolvimentos 2.10 – DISPUTA POR RECURSOS NATURAIS
indesejados e implantação de circuitos ou programas
maliciosos em sistemas importantes, para posterior A América do Sul, a Antártica e a África ocidental
acionamento. detêm significativas reservas de recursos naturais.
Nesse entorno estratégico, com foco no Atlântico Sul,
2.9– QUESTÕES AMBIENTAIS, DESASTRES é indispensável a consolidação da região como Zona
NATURAIS E PANDEMIAS de Paz e Cooperação (ZOPACAS) , a fim de evitar
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interferência de interesses ilegítimos. Motivações
A questão ambiental tem pautado diversos fóruns políticas, conflitos sociais, interesses de grupos
internacionais e merece ser analisada em suas econômicos e até de cunho étnico e religioso trazem,
distintas frentes. A primeira delas é a ocorrência como questão subjacente, a busca por energia, água,
de crimes ambientais, que podem ter repercussão minerais raros e espaço geográfico.
prolongada e negativa, como ocorreu no vazamento
de óleo na costa brasileira em 2019. Nesse sentido, os espaços marítimos tornaram-se
objeto de disputa entre Estados, paradoxalmente
O segundo é seu aspecto econômico. Desastres acentuada. Os conflitos armados, agora híbridos ,
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ambientais são uma forte ameaça à economia, nos quais se dissimulam os autores das agressões
devido à degradação das fontes de arrecadação pelo e os reais interesses, ainda não foram abolidos das
turismo, pelos custos que impõem à saúde pública relações internacionais, tendo a disputa por recursos
ou, ainda, pelas restrições operacionais que geram como um forte fator motivador.
em determinadas áreas marítimas.
No cenário atual, é imperiosa uma rigorosa prontidão
O terceiro tem uma dimensão oceanopolítica: o risco dos Sistemas de Defesa, o que envolve tanto as
5 Estabelecida em 1986 por Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, a ZOPACAS integra 24 países lindeiros ao Atlântico Sul, sendo um
fórum de concertação que busca criar condições para que as rivalidades extra-regonais não venham afetar as relações econômicas e políticas
nesse espaço geopolítico.
6 Combinação de múltiplas ferramentas de guerra convencional e não convencional, como, por exemplo, o arranjo de ações de forças regulares, for-
ças especiais, forças irregulares, apoio a manifestações locais, guerra de informação, diplomacia, ataques cibernéticos e guerra econômica.
28 PLANO ESTRATÉGICO DA MARINHA

