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e nas necessidades do setor de petróleo. Es-  te  introdução:  panorama  internacional  da   Navy (RCN), estabelecida em 1910, lidava   poder naval e a soberania nacional (COL-
 sas demandas têm garantido investimentos  construção naval, para situar o leitor quanto   com embarcações antigas e sucateadas,   TON; HUNTZINGER, 2002).
 na infraestrutura e desenvolvimento tecno-  ás origens da indústria de construção naval   após tentativa falha do primeiro-ministro   Apesar de alguns fatores serem comuns
 lógico do Brasil.  e os maiores construtores internacionais; a   Sir Wilfrid Laurier de equipar  a marinha   à construção naval ao redor do mundo, in-
 Desse  modo,  o capítulo  tem  como  história da construção naval no Brasil, des-  com embarcações projetadas e construídas   fluenciando a competitividade no mercado
 principal objetivo trazer um panorama da  tacando o papel das encomendas militares e   no país (BARRETO, 2021a).  internacional, como custo, layout das em-
 indústria de construção naval brasileira,  do setor de óleo e gás para o seu desenvol-  Durante a Segunda Guerra Mundial   barcações, desenvolvimento tecnológico e
 destacando sua importância econômica e  vimento; e o papel da inovação nesse cená-  (1939-1945), diversos países investiram   ciclos da demanda; todos esses fatores so-
 social para o país. Para isso, o texto é di-  rio. A conclusão traz algumas ponderações   massivamente na sua indústria de constru-  frem impactos de questões específicas de
 vidido em quatro partes, além da presen-  para o futuro da construção naval brasileira.  ção naval, principalmente pelo destaque   cada país. A forma como o governo inter-
                  que as embarcações tiveram no conflito    fere e organiza esse setor pode definir sua
 2. Panorama internacional da construção naval  anteriormente. A necessidade em larga es-  atuação e espaço no cenário internacional,

                  cala fez com que o setor se adaptasse para   principalmente porque muitos setores se
 A prática da construção naval é eviden-  diferentes  países  que  não  conseguiram   constituir uma produção mais rápida, inclu-  tornam dependentes dos incentivos do Es-
 ciada ao longo da história da humanidade,   acompanhar o desenvolvimento tecnológi-  sive adotando a prática de “linha de produ-  tado para sobreviver (TODD, 2019).
 com o desenvolvimento de embarcações   co, como no caso do Canadá. A indústria   ção” e a pré-fabricação de algumas partes   No Canadá, o setor de construção na-
 para  cruzar  rios  e  oceanos.  Foi  durante  a   de construção naval canadense tem seu   e peças dos navios (TODD, 2019).  val teve o Estado como o principal res-
 Primeira Revolução Industrial, no final do sé-  início no período em que o país ainda era   No Canadá, o governo deu uma sé-  ponsável  pelo  seu  desenvolvimento  e  es-
 culo XVIII e início do século XIX, o primeiro   colônia do Reino Unido, no século XIX. O   rie de incentivos para o desenvolvimento   tabilização em momentos de crise, sendo
 salto de desenvolvimento do setor, com o   desenvolvimento  dessa  atividade  foi  im-  dos estaleiros, principalmente para com-  completamente voltada para as demandas
 advento das máquinas a vapor e, no meio   pulsionado pelo aumento da população e   pensar a desmobilização da indústria de   nacionais. Isso se dá, principalmente, pela
 naval, a criação das primeiras docas secas na   o comércio de madeira com a metrópole,   construção naval após o fim da Primeira   prática do país de investir nos momentos
 Inglaterra. O período foi marcado por uma   principalmente nos estaleiros localizados   Guerra Mundial. Mesmo com uma série   de crise e, após esses momentos de alto
 melhoria significativa na construção das em-  em Quebec (WILSON, 2009).  de investimentos, a indústria do país não   crescimento, quedas bruscas pela falta de
 barcações, causando menos naufrágios e   Ainda no início do seu desenvolvimen-  tinha conhecimento tecnológico nem ha-  demanda. Essa tradição de “produzir para
 melhor navegabilidade (TODD, 2019).  to, o setor sofreu uma queda na produção   bilidades específicas para a construção de   responder” afeta diretamente a estrutu-
 Os projetos e materiais utilizados na   por causa das novas embarcações constru-  grandes embarcações. Por isso, a pedido   ra do mercado e a conduta das empresas
 construção naval foram gradualmente al-  ídas em aço. Logo, políticas de incentivo   da Marinha do país, o foco foi a constru-  (BARRETO, 2020).
 terados durante o século XIX. Os barcos   por parte do governo eram demandadas   ção de destroyers classe Tribal, baseados   Reconhecendo a importância da área
 feitos de madeira tiveram o acréscimo tí-  pelos estaleiros, que se concentravam na   nos projetos da Marinha Britânica (SHOU-  para a  criação de  empregos nas  regiões
 mido de ferro para confecção de juntas   região costeira do país, mas não eram de-  TE, 2015).  costeiras, mais afastadas dos centros indus-
 mais resistentes no convés. Foi em 1843   vidamente atendidas. O setor se manteve   Após a Segunda Guerra Mundial, uma   triais do país, o governo geralmente se utili-
 que  o  primeiro  navio  com  o  casco  feito   até meados do século XIX através de de-  série de práticas adotadas durante a guerra   za desses impactos positivos para defender
 de ferro foi concebido, construído pelo   mandas do Reino Unido (BARRETO, 2020).   para uma fabricação mais rápida se estabe-  os projetos diante da opinião pública. O
 engenheiro Isambard Kingdom Brunel.   Foi apenas com o início da Primeira   leceram na indústria de construção naval,   país também adota a política de compen-
 O navio Great Britain foi projetado para   Guerra Mundial (1914-1918) que essa in-  em especial a utilização de seções pré-fa-  sações industriais em todas as suas aqui-
 levar 250 passageiros e teve sua primei-  dústria voltou a ser altamente demandada   bricadas  em  blocos  para  ganhar  tempo   sições, inclusive as nacionais, buscando o
 ra viagem em 1845. Esse projeto repre-  pelo governo para suprir o número de em-  no processo com menor esforço. Alguns   desenvolvimento econômico e tecnológico
 sentou uma grande ruptura com a tradi-  barcações necessárias para a marinha Britâ-  exemplos desses componentes são tubos   de outros setores (BARRETO, 2021b).
 ção de construção de navios de madeira   nica, ainda com dificuldades para assimilar   e cabos elétricos. Ademais, com o fim do   Não foi apenas o Canadá que investiu
 (COLTON; HUNTZINGER, 2002).  os novos conhecimentos de construção de   conflito, a indústria de construção naval   em políticas de subsídio para a indústria de
 Essa mudança na matéria-prima dos na-  embarcações de aço (YOUNG, 2012). Até   ganhou destaque em diversos países como   construção naval. Entretanto, por criar uma
 vios prejudicou o setor de construção em   esse momento, a própria Royal Canadian   uma atividade estratégica para garantir o   distorção na competição internacional,



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