Page 615 - Livro - Economia Azul
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Os conflitos, segundo Bourdieu (2004),   beneficiar diretamente mais do que outras.   dos espaços são as fontes dessas crises, os   A metodologia empregada por Barros
 se impõem no campo de produção simbóli-  O marco característico desse novo direito   problemas gerados nessas apropriações são   (2007) foi composta por Diegues (2001),
 ca como um microcosmo de luta simbólica   é, segundo Marques (2005), a indetermi-  de natureza socioambiental, econômica,   Quadros e Filho (1998) e pela Legislação
 entre as classes, que Viégas (2009) apre-  nação dos titulares.  cultural e política. Os conflitos se instalam   Estadual do Rio Grande do Norte, referente
 senta como um processo que se reproduz   O modelo utilizado para identificação   gerando problemas de toda ordem, diante   ao Zoneamento Ecológico-Econômico Cos-
 nas sociedades através do confronto dos   dos  conflitos,  segundo  Theodoro  (2005),   das diferentes e conflitantes racionalidades   teiro (ZEEC). A seguir é apresentada a me-
 diferentes projetos de uso e significação   valida as relações desiguais de poderes   defendidas, pelos dois lados do conflito, para   todologia empregada criando as seguintes
 dos seus recursos ambientais e territoriais,   (companhias petrolíferas x comunidades   o uso dos bens coletivos ou de uso comum.  áreas de zoneamento (Quadro 2).
 o que significa admitir que a “questão am-  tradicionais; latifundiários x agricultores   O modelo de identificação do conflito a   O ZEE deve atentar para os Planos Dire-
 biental é intrinsecamente conflitiva, embo-  sem-terra; índios x garimpeiros; comunida-  seguir sugere que, a partir do conhecimen-  tores, vulnerabilidades socioambientais e eco-
 ra isso não seja reconhecido”.  des de remanescentes de quilombos x em-  to dos campos de poder, o gestor possa,   lógicas e a participação dos atores sociais e
 Não  se  pode  furtar  da  discussão  dos   presas) que são as geradoras dos conflitos   de alguma forma, mediar as ações no terri-  partes interessadas, visando aos princípios do
 conflitos de usos os direitos difusos. Nos-  de base territorial. Dentro dessa lógica os   tório de modo a torná-los compatíveis en-  desenvolvimento local e da sustentabilidade.
 sa Constituição Federal (1988) estabelece,   conflitos poderão ser analisados segundo   tre os grupos mais poderosos, no sentido   Desta forma, conforme cita Buarque (2002),
 por exemplo, que o meio ambiente é um   os Elementos de Análise: Os Atores; A na-  econômico, e os grupos mais fragilizados,   para serem empregadas as propostas de zo-
 bem de uso comum do povo, fundando   tureza; A Escala; os Objetos e as Dinâmicas   ou seja, aqueles que sentem os efeitos da   neamento dos espaços costeiros deverão:
 uma nova titularidade, fora da esfera do   (Quadro 1).  nova forma de usos de espaços. Para isso, é   .  Ter delimitação da área de atuação do
 direito público e privado, que é o direito da   Na prática dos conflitos, as classes do-  importante um ordenamento do território   planejamento;
 coletividade. Existe uma grande dificulda-  minantes estabelecem suas estratégias de   que avaliem esses usos, e um exemplo é o   .  Possuir o conhecimento da realidade so-
 de em entender que a titularidade de uma   ação, que, segundo Bourdieu (2004), ten-  zoneamento ecológico-econômico.  cioeconômica e cultural da área de planeja-
 das partes do conflito é a coletividade. O   dem a reforçar a crença na legitimidade de   mento;
 titular sempre é o grupo, e não as pessoas   sua dominação, tanto dentro de sua classe   3.1.3. Fase III – Zoneamento ecológico-  .  Criar um diagnóstico dos fatores que po-
 individualmente, embora umas possam se   como fora dela. Os processos de apropriação   econômico (ZEE)
                                                            dem facilitar e dificultar o desenvolvimento
 Quadro 1: Modelo de identificação dos conflitos de usos  Segundo Salim e Melo (2004), o ZEE   local;
                                                            .  Estabelecer um prognóstico que busca
 Elementos de   Descrição do conceito   é um instrumento político e técnico de   antecipar os possíveis desdobramentos fu-
 análise          planejamento cujo objetivo é otimizar o   turos da realidade atual, que terá por obje-
                  uso do espaço e as políticas públicas. É,
 Os atores   Indivíduos, grupos, organizações ou o Poder Público    sem  dúvida,  uma  ferramenta  de  gestão   tivo identificar as oportunidades que a re-
 envolvidos no   são movidos por interesses, valores e percepções próprias   para organizar as informações sobre o   gião poderá oferecer no futuro e os fatores
 conflito  a cada um.  território, necessárias ao planejamento da   exógenos que poderão constituir ameaças;
                                                            . Selecionar as ações convergentes e articula-
 A natureza  Os que têm naturezas diferentes (campos do poder)   ocupação racional e ao uso sustentável dos   das capazes de transformar a realidade atual.
 econômica; política; socioambiental.  recursos naturais. É um instrumento políti-
                  co para aumentar a eficácia das decisões    O que Buarque (2002) propõe está bem
 A escala  Lugar, regional e global.  políticas e da intervenção pública na gestão   alinhado aos caminhos que a DNA percor-
                  do território e para criar canais de nego-  re para propostas estratégicas de atividades
 Os objetos  Podem ser bens ou símbolos (material ou simbólica);   ciação entre as várias esferas de governo e   compatíveis com a Zona Costeira. Dessa
 público ou privado; profana ou sagrado.  a sociedade civil. O fator limitante desses   forma, a próxima fase contempla as etapas
                  zoneamento ecológico-econômico são os     finais, em que deverão ser apresentados
 As dinâmicas  As dinâmicas trazem em si as componentes históricas do
 processo de apropriação e usos dos espaços; dos danos e   aspectos legais, os seja, deve-se compati-  planos e projetos estratégicos de atividades
 impactos ambientais.  bilizar as legislações gerais e específicas de   econômicas  alinhadas  a  um  zoneamento
                  ordenamento territorial de modo a se evi-  ecológico-econômico costeiro, bem como
 Fonte: baseado nos modelos de Theodoro (2005)  tar conflitos jurisdicionais.  a mitigação dos conflitos de usos.


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