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O Catarina tornou-se um furacão de ca-  convectiva durante o período do Catarina                                ocorreram no Pacífico Norte, Atlântico Nor-  atmosféricos sobre o sudeste do Brasil são
               tegoria 1 na manhã de 26 de março (MC-   e foram encontradas como as principais                                   te, Austrália Ocidental e Mar Mediterrâneo   responsáveis por até 60% dos eventos de
               TAGGART-COWAN et al., 2006). Nesse dia,   componentes das anomalias positivas do                                  (SCANNELL  et al., 2016; HOBDAY  et al.,   OCM no Atlântico Sul sudoeste durante o
               a tempestade interagiu com fatores am-   GPI. No entanto, os três maiores picos de                                2016; OLIVER et al., 2017). As OCMs po-  verão. A falta de nuvens permite que mais
               bientais que produziram o segundo maior   GPI só apareceram depois que o sistema                                  dem ser causadas por processos atmosfé-  radiação solar chegue tanto ao continente
               pico de GPI (Figura 3a). Notavelmente, esse   se dirigiu para a região de baixa tensão                            ricos ou oceânicos, dependendo do evento   quanto ao oceano causando o aquecimen-
               pico foi formado durante o forte aumento   de cisalhamento do vento (entre os níveis                              e da localidade (HOLBROOK et al., 2019).  to da superfície da terra e do mar que leva
               de  umidade observado entre  25 e  26 de   de 850 e 200 hPa). Portanto, confirman-                                   As OCMs têm um impacto devastador     às ondas de calor sobre o continente e no
               março (Figura 3g). Enquanto isso, o OHC   do que a transição de Catarina foi iniciada                             para ecossistemas marinhos (SMALE et al.,   oceano, respectivamente. A causa desses
               estava próximo de sua climatologia (Figura   pelo padrão atípico de bloqueio de dipolo                            2019). Por exemplo, o evento que ocorreu   bloqueios também foi identificada e está
               4a). Foi apenas em 27 de março que o fura-  (MCTAGGART-COWAN et al., 2006).                                       no Mediterrâneo em 2003 causou uma       associada  a Oscilação de Madden Julian,
               cão encontrou o OHC anormalmente alto e     As  áreas  de  anomalias  positivas do                                mortalidade em massa de pelo menos 25    principalmente quando esta se encontra
               o campo de vento se intensificou para um   OHC sugerem que as condições oceâni-                                   espécies de invertebrados de costões ro-  mais ativa no Oceano Índico (RODRIGUES
               máximo de 34,7 m/s (VIANNA et al., 2010).   cas podem ter sido favoráveis à ciclogê-                              chosos (BLACK et al., 2004; OLITA et al.,   & WOOLLINGS, 2017). Além disso, Costa
                 Os resultados sugerem uma estreita     nese. No entanto, não houve correspon-                                   2007; GARRABOU  et al.,  2009). Os da-   e Rodrigues (2021), usando saídas dos mo-
               correspondência entre grandes anoma-     dência significativa entre tais anomalias e                              nos causados pelas OCMs não se limitam   delos climáticos do Coupled Model Inter-
               lias positivas do GPI e os principais está-  os principais estágios do desenvolvimen-                             a organismos demersais ou ecossistemas   comparison Project Phase 6 (CMIP6), iden-
               gios do ciclo de vida de Catarina, princi-  to do Catarina.  Ao contrário do OHC em                               costeiros. A OCM que ocorreu no Noroes-  tificaram uma tendência de aumento na
               palmente quando o sistema desenvolveu    março de 2004, o GPI foi o mais alto en-                                 te do Oceano Atlântico em 2012 teve um   ocorrência, intensidade, duração e extensão
               estrutura de ciclone subtropical, passou   tre março de todos os anos (1990-2019).                                impacto nos pescados de grande importân-  espacial dessas OCMs no Atlântico Sul su-
               por transição tropical e se intensificou em   Portanto, os resultados de Lauton et al.                            cia comercial (MILLS et al., 2013). Quando   doeste, tanto para o período de 2021-2050
               um furacão de categoria 1. Lauton et al.   (2021) indicam que o GPI é potencial-                                  as  temperaturas  são  tão  extremas  quan-  como para o período de 2071-2100, anali-
               (2021) especulam que até mesmo o pre-    mente um bom índice para a obtenção                                      to o evento que persistiu no noroeste do   sando um cenário moderado e outro mais
               cursor extratropical do Catarina recebeu   de um limiar para a ciclogênese na re-                                 Oceano Pacífico de 2014 a 2016, a OCM    extremo de mudanças climáticas. Além dis-
               importantes contribuições da interação   gião. Provavelmente, isso afetará futu-                                  pode ter efeitos negativos até em aves e   so, os resultados mostram que o Atlântico
               com altos valores do GPI.  As anomalias   ras investigações sobre os impactos das                                 outros animais marinhos (CAVOLE  et al.,   Sul sudoeste pode atingir um estado quase
               de vorticidade a 850 hPa e umidade re-   mudanças climáticas na probabilidade de                                  2016). Recentemente, Smith et al. (2021)   permanente de OCMs até o fim do século
               lativa a 600 hPa favoreceram a atividade   outros eventos extremos desse tipo.                                    forneceram uma perspectiva global sobre   XXI, com OCMs durando todo o verão.
                                                                                                                                 os impactos das OCMs nas sociedades hu-     Ainda são inexistentes estudos sobre
               3. Ondas de Calor Marinhas                                                                                        manas. Impactos ecológicos variaram des-  OCMs em outras partes do Atlântico Sul e
                                                                                                                                 de proliferação de algas nocivas e eventos   Tropical, mas a Figura 5 mostra um aumen-
                 As mudanças climáticas afetam subs-    eventos de temperatura extrema nos oce-                                  de mortalidade em massa até reconfigura-  to da ocorrência desses eventos extremos
               tancialmente o planeta e a sociedade, es-  anos, chamados de Ondas de Calor Mari-                                 ções de ecossistemas inteiros, afetando o   em praticamente todo Atlântico Sul e Tro-
               pecialmente por aumentar a intensidade   nhas (OCMs). Uma OCM é definida como                                     habitat, regulação e serviços ecossistêmi-  pical durante o verão, com valores de in-
               e frequência de eventos extremos, como   um evento prolongado (de no mínimo de                                    cos globalmente. Os custos econômicos    tensidade acumulada positivos ao longo de
               inundações, secas e ondas de calor, sendo   5 dias) de temperaturas da superfície do                              de eventos individuais de OCM excederam   quase toda a costa do Brasil. Infelizmente,
               países  subdesenvolvidos e em desenvol-  mar (TSM)  acima do  limite  do  90° per-                                US$ 800 milhões em perdas diretas e US$   os impactos das OCMs  nos  ecossistemas
               vimento os mais afetados (TRENBERTH      centil em relação a uma climatologia de                                  3,1 bilhões em perdas indiretas de serviços   marinhos do Atlântico Sul e Tropical e seus
               et al., 2007). Apesar da maior parte dos   pelo menos 30 anos de dados (HOBDAY                                    ecossistêmicos por vários anos.          desdobramentos econômicos não foram es-
               estudos focarem em extremos sobre os     et al., 2016, 2108). Além dos estudos em                                    Embora comprovada sua importância,    tudados a fundo. Brauko et al. (2020) iden-
               continentes, Oliver et al. (2018) constata-  escala global sobre a duração, frequência                            são escassos estudos de OCMs e suas pro-  tificaram uma diminuição da diversidade
               ram que houve um aumento significativo   e intensidade de OCMs, pesquisas foram                                   priedades para o Atlântico Sul. Rodrigues   de espécies nas comunidades planctônicas
               na frequência, duração e intensidade dos   conduzidos para eventos específicos que                                et al. (2019) mostraram que os bloqueios   e bênticas na região costeira de Santa



     410  ECONOMIA AZUL                                                                                                                                                                       Oceano e Clima: Novos Desafios  411
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