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4. Acidificação e perda de biodiversidade
Figura 5
A acidificação é provocada pelo au- os bancos de rodolitos (algas calcáreas ver-
mento da absorção do CO atmosférico melhas) (Citação da Figura 6).
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pelo oceano, acarretando mudanças na De forma geral, quase todos os principais
química da água do mar, a saber: i) dimi- sistemas de recifes de coral (rasos e profun-
nuição do pH da água, provocado pela dos) são vulneráveis às mudanças climáticas
reação do CO dissolvido com a água, com diferenças regionais em suas sensibili-
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0 0 ii) diminuição da disponibilidade de íons dades e perdas globais projetadas atingindo
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carbonato [CO -] e do índice de satura- mais de 70% mesmo sob o cenário de aque-
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ção do carbonato de cálcio (Ω). Os íons cimento global mínimo (Representative Con-
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15 S carbonato são essenciais para organismos centration Pathway 2,6 W/m , ou RCP2.6,
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marinhos produtores de estruturas de car- BINDOFF et al. 2019). O aquecimento dos
bonato de cálcio na forma de aragonita e oceanos, a acidificação, o aumento do nível
30 S calcita (CaCO ), como corais, moluscos bi- do mar e a intensificação das tempestades
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valves e gastrópodos, macroalgas calcáreas, impedem uma maior resiliência dos recifes
além de certos produtores primários planc- em nível global e aumentam a sua destrui-
45 S tônicos, como os cocolitoforídeos (DONEY ção. Recifes de coral rasos que são não de-
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30 W 0 W et al., 2009). Segundo o último balanço gradadas por outros impactos, como arrasto
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60 W global do carbono (FRIEDLINGSTEIN et al., extensivo de fundo e enriquecimento de nu-
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2021), o sumidouro oceânico de CO captu- trientes, podem constituir um importante re-
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Tendência de Intensidade Acumulada ( C por decáda) rou em média 26% das emissões globais de fúgio para recifes degradados pelas mudan-
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CO para a atmosfera na década de 2011- ças climáticas. A perda de habitat de recifes
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2020, e no ano de 2021, estima-se que te- de corais em águas profundas é virtualmente
-20 -10 0 10 20 nha assimilado cerca de 2.9 GtC/ano. certa, considerando a projeção de crescente
Segundo o Sexto Relatório de Avaliação acidificação oceânica (BINDOFF et al., 2019).
Fonte: Reynolds et al., 2007 do Clima do IPCC (AR6 – WGI e WGII), é vir- Além da acidificação e do aquecimento do
tualmente certo que a acidificação do oce- oceano, a fragmentação de ecossistemas e a
Figura 5. Tendência de intensidade acu- dias de OCMs multiplicados pela inten-
mulada de eventos de OCMs para o pe- sidade do aumento de temperatura no ano continuará a ocorrer em todos os cená- poluição em regiões costeiras são outras for-
ríodo de 1982-2020 durante os meses de dia (valor da anomalia de temperatura rios de emissões de CO (IPCC, 2021; 2022) tes ameaças aos ecossistemas marinhos em
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verão (dezembro a fevereiro). Unidades da superfície do mar). Os dados para o ao longo do século XXI. No entanto, a taxa todo o planeta (IPCC, 2022).
estão em ˚C por década. Intensidade cálculo foram obtidos do Optimum In- de acidificação será decorrente da quantida- Em relação aos efeitos da acidificação,
acumulada é o somatório do número de terpolation Sea Surface Temperature de de CO emitida nos anos futuros. Pode-se as regiões costeiras podem responder ao
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afirmar com alta confiabilidade que as mu- excesso de CO dissolvido na água mar de
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danças climáticas, incluindo a acidificação, forma heterogênea, já que outros proces-
já provocaram mudanças nos ecossistemas sos, como a eutrofização, podem amplifi-
Catarina como um resultado de OCMs se que o aumento da frequência e in- costeiros e oceânicos (IPCC, 2022). Dentre car ou mitigar parcialmente o efeito da aci-
combinado com a diminuição de oxigênio tensidade das OCMs seja um dos fatores os ecossistemas brasileiros mais vulneráveis, dificação, notadamente através do aumen-
durante o verão de 2020. Carneiro et al. para o declínio desse bivalve nas últimas segundo a avaliação de 2016 realizada pela to da produção primária local (CAI et al.,
(2020) mostraram que o bivalve Anomalo- décadas. OCMs também afetam o cultivo Rede Brasileira de Pesquisa em Acidificação 2011; COTOVICZ et al., 2022). No entanto,
cardia flexuosa, de importância econômica de ostras na região responsáveis por uma dos Oceanos – BrOA (KERR et al., 2016), en- o aspecto potencial de mitigação através
e cultural para a região, é bastante sensí- movimentação de R$ 29.709.300,00 para contram-se os recifes de corais e a região da da eutrofização deve ser cuidadosamente
vel a aumentos de temperatura. Acredita- o estado (SEBRAE, 2018). plataforma este-sudeste onde encontram-se examinado, pois a variabilidade natural dos
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