Page 417 - Livro - Economia Azul
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ecossistemas costeiros leva a respostas re-  tendência entre 1991 e 2011 de acidificação   dados dos ecossistemas marinhos brasi-  iniciado como uma estratégia de estado,
 gionais diferentes (COTOVICZ et al., 2022).  e aumento da fugacidade do CO  (fCO , um   leiros continua aquém do desejado quan-  alinhada ao Objetivo do Desenvolvimento
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 Ainda não temos observações suficientes   proxy para a quantidade de CO  no oceano)   do levamos em consideração a extensão   Sustentável 14 – Vida na Água da Agenda
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 para inferir sobre as tendências de acidifica-  na superfície do mar foram de -0.0016 ±   e heterogeneidade da Amazônia Azul. É   2030 e  à Década  das Nações  Unidas da
 ção do oceano nas regiões costeiras e oceâ-  0.0003 unidades pH a-1 e 1.81 ± 0.32 µatm   fundamental que um programa nacional,   Ciência Oceânica. Somente desta forma
 nicas do Brasil (KERR et al., 2016; COTOVICZ   CO /ano, segundo Lauvset et al. (2015).  alinhado às melhores práticas de análise   será possível traçar políticas públicas para
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 et al., 2022). No oceano Atlântico tropical,   Apesar  dos  esforços da rede BrOA, a   e transparência de dados empregadas   a adaptação e mitigação dos efeitos da
 resultados de modelagem  estimam que  a   capacidade de observação e análise de   pela comunidade internacional (DICKSON   acidificação do oceano nos diversos ecos-
                   et al.,  2007; TANHUA  et  al., 2021), seja   sistemas marinhos do país.
  Figura 6
                   5. Elevação do nível do mar: o caso da região metropolitana de Recife
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                     Os últimos relatórios da Comissão Inter-  também pode resultar em supressão comple-
                   governamental Painel sobre Mudanças Cli-  ta de praias arenosas e zonas húmidas. Tal im-
 EQ                máticas concluem que o planeta está ine-  pacto, embora sentido globalmente, depen-
                   quivocamente experimentando um aqueci-   de das peculiaridades locais; portanto, acon-
                   mento rápido, e isso se deve em parte às   tece de forma desigual entre países, regiões,
                   atividades humanas (IPCC, 2021). Como    comunidades e indivíduos como resultado de
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                   consequência, o nível médio global do mar   diferentes níveis de exposição e vulnerabilida-
                   continuará a subir ao longo de séculos a   de. Além disso, a adaptação das regiões cos-
                   milênios em todos os cenários de emissões.   teiras  representa  naturalmente  um  desafio
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 20 S              O aumento do nível do mar acelerará ain-  maior para os países em desenvolvimento do
                   da mais sob altas emissões (por exemplo,   que para os países mais desenvolvidos, por
                   RCP8.5). Essas mudanças são projetadas   razões sobretudo econômicas.
 30 S              para resultar em impactos diretos e indiretos   No Brasil, as tendências do nível do mar
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                   disruptivos nos ecossistemas costeiros e nos   para diferentes os lugares são diferenciados.
                   meios de subsistência e infraestrutura utili-  Para  Recife,  especificamente,  Harari  et al.
                   zadas por dezenas de milhões de pessoas na   (2008) apontaram um aumento do nível do
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 50 W               40 W              30 W              20 W               10 W              50 W               40 W              30 W             zona costeira de baixa altitude (considerada   mar de cerca de 5,6 mm/ano. Apesar dessa
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 Fonte: Kerr et al. (2016)  elevação <10 m em relação ao nível médio   lacuna, alguns estudos têm se dedicado às
                   do mar). De acordo com este e outros es-  previsões costeiras diante dos futuros cená-
 Figura 6. Principais instituições en-  costeiras e de plataforma sombreadas   tudos  (NEVES  e  MUEHE,  1995;  THIELER  e   rios do nível do mar, como Alfredini et al.
 volvidas na Rede BrOA e os ecossiste-  em cinza foram destacadas regional-  HAMMAR-Klose, 1999; ALFREDINI  et al.,   (2008), que descreve ilhas e áreas urbanas
 mas-chave para monitoramento no   mente: cinza-claro para a porção nor-  2008;  SNOUSSI  et  al.,  2008;  VARGAS  et   como as mais vulneráveis a inundações a
 Brasil. Painel A (esquerda): Os números   te, cinza-médio para a região leste e   al., 2008), os cenários de elevação do nível   médio e longo prazos. Outro estudo, elabo-
 representam os grupos regionais, se-  cinza-escuro para a porção sul-sudeste.   do mar para futuro próximo são de grande   rado por Marengo et al. (2007) em escala
 gundo as instituições, e as respectivas   Painel B (direita): ecossistemas-chave,   preocupação. Resultados recentes indicam   nacional, apontou Pernambuco como um
 áreas de estudo. Os triângulos indicam   com maior vulnerabilidade para aci-  uma aceleração da taxa de aumento do ní-  dos mais afetados estados pelo aumento
 as posições em 2016 da rede de boias   dificação, identificados por Kerr et al.   vel do mar. Esta aceleração da taxa na qual   do nível do mar. A mesma conclusão é de-
 SiMCosta, os círculos indicam a posição   (2016): recifes de corais, manguezais,   o nível do mar sobe não só aumenta a pos-  monstrada por outros dois estudos: Neves
 das boias meteoceanográficas PIRATA   lagunas costeiras, rodolitos, pradarias   sibilidade de impactos intensificados – como   et al. (2007) e Nacarati (2008). De acordo
 (Prediction and Research Moored Ar-  de fanerógamas e áreas sob influência   erosão costeira, perdas de habitat e intrusão   com esses autores, causas tanto naturais
 ray in the Tropical Atlantic), e as áreas   de plumas fluviais.   salina em aquíferos costeiros e rios –, mas   como de características de ocupação do


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