Page 422 - Livro - Economia Azul
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As áreas quantificadas de cada recurso   ção aos níveis de 2014 para R$ 9,32 bilhões                            de precipitação, temperatura e vento sobre   turas projetadas até soluções baseadas na na-
               costeiro, para ambos os cenários, estão re-  (US$ 3.97 bilhões) em 2030. Prognosticamos                           o mar e sobre a terra, intensificando tem-  tureza. Em particular, os modelos climáticos
               presentadas na Tabela 2. Os resultados in-  também que, no cenário de BAU, as emis-                               pestades, condições de ondas, inundações,   da próxima geração fornecerão detalhes sem
               dicam que, num cenário crítico de aumen-  sões totais de carbono de Recife estão previs-                          secas, tempestades tropicais e ciclones ex-  precedentes sobre os impactos climáticos lo-
               to do nível do mar (1,0 m) em 2100, espe-  tas para crescer 79,1% em relação aos níveis                           tratropicais, ondas de calor e de frio.  cais. Estes ajudarão a melhorar os sistemas
               ram-se incrementos significativos nas áreas   de 2014 até o ano de 2030.                                             Os extremos oceânicos são críticos, pois   de alerta precoce e podem ser integrados na
               a serem impactadas, quando comparadas       Depois de examinar os potenciais custos e                             as regiões costeiras abrigam aproximada-  preparação para desastres e na adaptação
               ao cenário de elevação de 0,5 m acima do   benefícios da ampla gama de eficiência ener-                           mente 40% da população mundial e 75%     a longo prazo. O investimento em platafor-
               nível médio do mar atual.                gética, energias renováveis e outras medidas                             das maiores áreas metropolitanas estão em   mas de observação in situ é necessário para
                 Por fim, no que se refere à adaptação às   de baixo carbono que poderiam ser implanta-                          áreas costeiras. Consequentemente, uma   melhorar as condições iniciais de previsão e
               mudanças climáticas para a cidade de Recife,   das nos diferentes setores da cidade, encon-                       proporção significativa da atividade econô-  fornecer “verdade do terreno” para previ-
               Gouldson et al. (2020) realizaram um estudo   tramos que – comparado com as tendências                            mica global depende das zonas costeiras e   sões e projeções de modelos. As soluções
               para identificar os melhores caminhos para   do BAU,  Recife poderia reduzir suas emissões                        oceânicas, desde a pesca e agricultura até a   que se adaptam às mudanças climáticas po-
               o estabelecimento de uma cidade de baixo   de gás carbônico até 2030 em: (i) 24,3%                                exploração de recursos naturais. Além disso,   dem gerar vários cobenefícios, incluindo o
               carbono em 2030. Os autores estimaram que   através de investimentos rentáveis na cida-                           as regiões costeiras e oceânicas são respon-  progresso em direção aos Objetivos de De-
               o PIB de Recife foi de R$ 35,6 bilhões (US$   de que poderiam mais que se autofinanciar/                          sáveis pela geração de energia renovável e   senvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
               16.55 bilhões) em 2014, e caso as tendências   sustentar em termos comerciais ao longo de                         não renovável e pelo transporte de 80% das   A pesquisa interdisciplinar é essencial para
               recentes continuem, estimamos que o PIB   suas vidas. Para tal fim, seriam exigidos um                            mercadorias comercializadas globalmen-   identificar os cobenefícios e as compensa-
               crescerá para R$ 70,54 bilhões (USD 32.82   investimento de R$ 7,79 bilhões (US$ 3.32                             te. Elas também oferecem proteção con-   ções das estratégias de adaptação para oti-
               bilhões) até 2030. Encontramos também que   bilhões), ocasionando uma economia anual                              tra extremos relacionados ao clima, como   mizar seu planejamento e implementação.
               o gasto total energético de Recife em 2014   de R$ 1,37 bilhões (US$ 585,25 milhões),                             tempestades. As mudanças climáticas irão    Em outras palavras, “os oceanos que
               foi de R$ 3,40 bilhões (US$ 1.45 bilhões), o   retornando o investimento em 5,7 anos e                            exacerbar a vulnerabilidade e os impactos   precisamos para o futuro que  deseja-
               que significa 8,7% de todos os rendimen-  gerando uma economia anual por todo o pe-                               existentes, principalmente através da eleva-  mos” preconiza um nível crescente de
               tos arrecadados em Recife está atualmente   ríodo de duração das medidas; e (ii) 31,0%                            ção do nível do mar e extremos oceânicos,   conhecimento científico que seja capaz de
               comprometido com Energia. Os aumentos    com medidas sem custo que poderiam ser                                   como tempestades costeiras, tempestades   identificar ações que garantam os serviços
               nos gastos de energia estão estimados em   pagas ao reinvestir os lucros gerados pelas                            extremas (ventos fortes acompanhados por   ecossistêmicos e a transição de uma Eco-
               12,1% do PBI da cidade até 2030.         medidas custo-efetivas. Tais medidas exigi-                              ondas de altura extrema), ciclones tropicais   nomia do Mar para uma Economia Azul.
                 Os resultados das análises indicaram que   riam um investimento de R$ 14,91 bilhões                             e extratropicais extremos, ondas de calor   Neste capítulo abordamos, a partir de
               a continuação da tendência do BAU no perí-  (US$ 6,35 bilhões), gerando uma economia                              marinhas, eventos extremos de desoxige-  exemplos concretos, o estado da arte da
               odo até 2030 aumentaria o uso de energia   de custos anuais  de R$ 1,35  bilhões (US$                             nação e acidificação. Esses extremos oceâ-  compreensão de alguns dos principais fe-
               em Recife em 94,1% comparado com os ní-  575,01 milhões), retornando o investimento                               nicos afetam os ecossistemas marinhos, a   nômenos geofísicos associados às mudan-
               veis de 2014 e que o gasto energético total   em 11 anos e gerando uma economia anual                             disponibilidade de alimentos e, portanto, as   ças climáticas que possuem consequências
               para a cidade crescerá em 174,2% em rela-  por todo período de duração das medidas.                               economias locais e globais. À medida que   importantes sobre o oceano e o clima e,
                                                                                                                                 os extremos oceânicos representam desafios   consequentemente, sobre os diferentes se-
               6. Conclusões e perspectivas                                                                                      crescentes para as áreas costeiras, a adapta-  tores da economia do país.
                                                                                                                                 ção climática e a resiliência costeira devem   A evidência do papel que desempenham
                 O oceano desempenha um papel funda-    oceanos e desoxigenação estão se tornan-                                 ser objetivos-chave no planejamento e im-  os oceanos Atlântico e Pacífico sobre a
               mental nos ciclos da água, energia e carbo-  do mais frequentes e intensos, tendo um                              plementação de políticas de zonas costeiras.  ocorrência de eventos climáticos extremos e
               no. Absorve 93% do excesso de calor das   efeito devastador nos ecossistemas mari-                                   A adaptação bem-sucedida baseia-se    seus impactos tanto socioeconômico como
               mudanças climáticas provocadas pelo ho-  nhos e nas comunidades costeiras locais.                                 em uma ampla gama de recursos, des-      ambientais na região exige que esses últi-
               mem e um terço das emissões de CO . Con-  Ao mesmo tempo, o oceano fornece calor e                                de a modelagem baseada na ciência até o   mos  beneficiam  de uma  atenção  especial.
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               sequentemente, ondas de calor marinhas,   umidade à atmosfera e, como tal, também                                 conhecimento da comunidade local e abran-  Entretanto, os mecanismos de interação en-
               eventos extremos de acidificação dos     é responsável pelo aumento dos extremos                                  ge muitos tipos de intervenções, desde estru-  tre as bacias tropicais e suas implicações para


     420  ECONOMIA AZUL                                                                                                                                                                       Oceano e Clima: Novos Desafios  421
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