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As áreas quantificadas de cada recurso ção aos níveis de 2014 para R$ 9,32 bilhões de precipitação, temperatura e vento sobre turas projetadas até soluções baseadas na na-
costeiro, para ambos os cenários, estão re- (US$ 3.97 bilhões) em 2030. Prognosticamos o mar e sobre a terra, intensificando tem- tureza. Em particular, os modelos climáticos
presentadas na Tabela 2. Os resultados in- também que, no cenário de BAU, as emis- pestades, condições de ondas, inundações, da próxima geração fornecerão detalhes sem
dicam que, num cenário crítico de aumen- sões totais de carbono de Recife estão previs- secas, tempestades tropicais e ciclones ex- precedentes sobre os impactos climáticos lo-
to do nível do mar (1,0 m) em 2100, espe- tas para crescer 79,1% em relação aos níveis tratropicais, ondas de calor e de frio. cais. Estes ajudarão a melhorar os sistemas
ram-se incrementos significativos nas áreas de 2014 até o ano de 2030. Os extremos oceânicos são críticos, pois de alerta precoce e podem ser integrados na
a serem impactadas, quando comparadas Depois de examinar os potenciais custos e as regiões costeiras abrigam aproximada- preparação para desastres e na adaptação
ao cenário de elevação de 0,5 m acima do benefícios da ampla gama de eficiência ener- mente 40% da população mundial e 75% a longo prazo. O investimento em platafor-
nível médio do mar atual. gética, energias renováveis e outras medidas das maiores áreas metropolitanas estão em mas de observação in situ é necessário para
Por fim, no que se refere à adaptação às de baixo carbono que poderiam ser implanta- áreas costeiras. Consequentemente, uma melhorar as condições iniciais de previsão e
mudanças climáticas para a cidade de Recife, das nos diferentes setores da cidade, encon- proporção significativa da atividade econô- fornecer “verdade do terreno” para previ-
Gouldson et al. (2020) realizaram um estudo tramos que – comparado com as tendências mica global depende das zonas costeiras e sões e projeções de modelos. As soluções
para identificar os melhores caminhos para do BAU, Recife poderia reduzir suas emissões oceânicas, desde a pesca e agricultura até a que se adaptam às mudanças climáticas po-
o estabelecimento de uma cidade de baixo de gás carbônico até 2030 em: (i) 24,3% exploração de recursos naturais. Além disso, dem gerar vários cobenefícios, incluindo o
carbono em 2030. Os autores estimaram que através de investimentos rentáveis na cida- as regiões costeiras e oceânicas são respon- progresso em direção aos Objetivos de De-
o PIB de Recife foi de R$ 35,6 bilhões (US$ de que poderiam mais que se autofinanciar/ sáveis pela geração de energia renovável e senvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
16.55 bilhões) em 2014, e caso as tendências sustentar em termos comerciais ao longo de não renovável e pelo transporte de 80% das A pesquisa interdisciplinar é essencial para
recentes continuem, estimamos que o PIB suas vidas. Para tal fim, seriam exigidos um mercadorias comercializadas globalmen- identificar os cobenefícios e as compensa-
crescerá para R$ 70,54 bilhões (USD 32.82 investimento de R$ 7,79 bilhões (US$ 3.32 te. Elas também oferecem proteção con- ções das estratégias de adaptação para oti-
bilhões) até 2030. Encontramos também que bilhões), ocasionando uma economia anual tra extremos relacionados ao clima, como mizar seu planejamento e implementação.
o gasto total energético de Recife em 2014 de R$ 1,37 bilhões (US$ 585,25 milhões), tempestades. As mudanças climáticas irão Em outras palavras, “os oceanos que
foi de R$ 3,40 bilhões (US$ 1.45 bilhões), o retornando o investimento em 5,7 anos e exacerbar a vulnerabilidade e os impactos precisamos para o futuro que deseja-
que significa 8,7% de todos os rendimen- gerando uma economia anual por todo o pe- existentes, principalmente através da eleva- mos” preconiza um nível crescente de
tos arrecadados em Recife está atualmente ríodo de duração das medidas; e (ii) 31,0% ção do nível do mar e extremos oceânicos, conhecimento científico que seja capaz de
comprometido com Energia. Os aumentos com medidas sem custo que poderiam ser como tempestades costeiras, tempestades identificar ações que garantam os serviços
nos gastos de energia estão estimados em pagas ao reinvestir os lucros gerados pelas extremas (ventos fortes acompanhados por ecossistêmicos e a transição de uma Eco-
12,1% do PBI da cidade até 2030. medidas custo-efetivas. Tais medidas exigi- ondas de altura extrema), ciclones tropicais nomia do Mar para uma Economia Azul.
Os resultados das análises indicaram que riam um investimento de R$ 14,91 bilhões e extratropicais extremos, ondas de calor Neste capítulo abordamos, a partir de
a continuação da tendência do BAU no perí- (US$ 6,35 bilhões), gerando uma economia marinhas, eventos extremos de desoxige- exemplos concretos, o estado da arte da
odo até 2030 aumentaria o uso de energia de custos anuais de R$ 1,35 bilhões (US$ nação e acidificação. Esses extremos oceâ- compreensão de alguns dos principais fe-
em Recife em 94,1% comparado com os ní- 575,01 milhões), retornando o investimento nicos afetam os ecossistemas marinhos, a nômenos geofísicos associados às mudan-
veis de 2014 e que o gasto energético total em 11 anos e gerando uma economia anual disponibilidade de alimentos e, portanto, as ças climáticas que possuem consequências
para a cidade crescerá em 174,2% em rela- por todo período de duração das medidas. economias locais e globais. À medida que importantes sobre o oceano e o clima e,
os extremos oceânicos representam desafios consequentemente, sobre os diferentes se-
6. Conclusões e perspectivas crescentes para as áreas costeiras, a adapta- tores da economia do país.
ção climática e a resiliência costeira devem A evidência do papel que desempenham
O oceano desempenha um papel funda- oceanos e desoxigenação estão se tornan- ser objetivos-chave no planejamento e im- os oceanos Atlântico e Pacífico sobre a
mental nos ciclos da água, energia e carbo- do mais frequentes e intensos, tendo um plementação de políticas de zonas costeiras. ocorrência de eventos climáticos extremos e
no. Absorve 93% do excesso de calor das efeito devastador nos ecossistemas mari- A adaptação bem-sucedida baseia-se seus impactos tanto socioeconômico como
mudanças climáticas provocadas pelo ho- nhos e nas comunidades costeiras locais. em uma ampla gama de recursos, des- ambientais na região exige que esses últi-
mem e um terço das emissões de CO . Con- Ao mesmo tempo, o oceano fornece calor e de a modelagem baseada na ciência até o mos beneficiam de uma atenção especial.
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sequentemente, ondas de calor marinhas, umidade à atmosfera e, como tal, também conhecimento da comunidade local e abran- Entretanto, os mecanismos de interação en-
eventos extremos de acidificação dos é responsável pelo aumento dos extremos ge muitos tipos de intervenções, desde estru- tre as bacias tropicais e suas implicações para
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