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et al., 2008, SHAY et al., 2000; LEIPPER   GPI jamais havia sido usado para avaliar o   estudos publicados acerca do Catarina.  passado sobre a região de maior OHC ao
 e VOLGENAU, 1972). Por exemplo, Mai-  furacão Catarina.   Na maior parte do tempo da trilha do   longo de sua via (Figura 4a). Esse ambien-
 nelli  et al. (2008) demonstraram que a   Os ciclones tropicais (CTs) são frequen-  Catarina, o GPI permaneceu alto e acima   te de forte vorticidade e alta umidade pro-
 inclusão de OHC em modelos numéricos   tes em todas as bacias oceânicas, exceto   da climatologia de 1990-2019 (Figura 3a).   duziu um pico de GPI que provavelmente
 melhoraram a previsão da intensidade de   no Atlântico Sul. Esse déficit na ocorrên-  A comparação de suas quatro variáveis   influenciou a transição do Catarina, uma
 furacões em até 20%. Além de melho-  cia de CTs é geralmente atribuído a um   com suas respectivas climatologias (Figura   vez que os mesmos processos que mo-
 rar a previsão numérica, estudos recentes   ambiente adverso de temperaturas frias   3, primeira coluna) mostra que a vorticida-  dulam o desenvolvimento de CT também
 apontam uma forte relação entre o au-  da superfície do mar e forte cisalhamen-  de, a umidade e o cisalhamento do vento   podem impactar ciclones extratropicais
 mento do OHC devido ao aquecimento   to vertical do vento (PEZZA e SIMMONDS,   foram mais eficazes na modulação do ciclo   (Hart, 2003).
 global com as chuvas extremas de fura-  2005). Ciclones subtropicais (CSTs), no en-  de vida do sistema do que a intensidade   A partir de 23 de março, tanto a umi-
 cões recentes (e.g., TRENBERTH  et al.,   tanto, ocorrem rotineiramente no Atlânti-  potencial, que na maioria das vezes ficou   dade quanto a vorticidade (i.e., valor ab-
 2018). Ainda de acordo com Trenberth et   co Sul (e.g., EVANS e BRAUN, 2012; GOZ-  abaixo do nível climatológico para mar-  soluto) permaneceram bem acima da cli-
 al. (2018), os valores de OHC acima da   ZO et al., 2014). Em outras regiões como   ço. Apesar de contraintuitivo, não é raro   matologia, enquanto o cisalhamento do
 média climatológica não apenas aumen-  o Atlântico Norte, os CSTs sofrem Transi-  que a intensidade potencial desempenhe   vento cresceu em importância à medida
 taram o “combustível” disponível para   ção Tropical (TT) para CTs frequentemente   um papel secundário na determinação do   que o sistema se dirigia para uma região
 sustentar e intensificar o furacão Harvey,   (EVANS e GUISHARD, 2009). A ciclogê-  GPI (por exemplo, WANG e MOON, 2017;   de cisalhamento abaixo do limite teórico
 mas também aumentaram as inundações   nese subtropical e a TT sobre o Atlântico   GAO et al., 2020).  da ciclogênese tropical de 10 m/s  propos-
 decorrentes das chuvas associadas a ele   Sul só ganharam atenção após o furacão   Durante  a  maior  parte  da  fase extra-  to por Zehr (1992), permanecendo neste
 quando atingiram o continente.  Catarina. Começou como um ciclone ex-  tropical entre 19 e 22 de março, o sistema   ambiente ao longo das fases subsequen-
 Outra quantidade física importante na   tratropical e se tornou um CST antes da   ficou sob a influência de ambientes pró-  tes do seu ciclo de vida (Figura 3m). McTa-
 avaliação da ciclogênese tropical é a in-  transição para um CT propriamente dito,   ximos ao cisalhamento climatológico do   ggart-Cowan et al. (2006) mostraram que
 tensidade potencial (EMANUEL e NOLAN,   que atingiu o sul do Brasil em 28 de mar-  vento (Figura 3m). Nessa fase da tempes-  um padrão atípico de bloqueio do dipolo
 2004), que determina a máxima velocida-  ço de 2004 como um furacão nominal de   tade, o GPI foi dominado pela umidade   Rex, mais intenso e de maior duração, foi
 de que ventos associados a ciclones tro-  categoria 2 (MCTAGGART-COWAN et al.,   e vorticidade. As altas vorticidades nega-  responsável  por  esse  fraco  cisalhamen-
 picais poderiam atingir para determinadas   2006, REBOITA et al., 2019).  tivas anômalas (Figura 3d) são ciclônicas   to do vento. Na noite de 23 de março, a
 condições ambientais. A temperatura da   Em realidade, à medida que o clima   (Hemisfério Sul) e indicam um fator dinâ-  tempestade sofreu insumos ambientais
 superfície do oceano entra como uma   muda, a capacidade de prever variações   mico favorável à ciclogênese (HALL et al.,   que produziram o terceiro maior pico de
 fonte quente no termo termodinâmico da   na frequência de TT no Atlântico Sul de-  2001). A vorticidade atingiu seu máximo   GPI (Figura 3a) e a fase subtropical de Ca-
 equação dessa variável, sendo a tempe-  pende de uma visão abrangente dos fa-  negativo na tarde de 21 de março, apro-  tarina foi alcançada algumas horas depois
 ratura da tropopausa atmosférica a fon-  tores que modularam Catarina. Lauton   ximadamente 12 horas após o sistema ter   (MCTAGGART-COWAN et al., 2006).
 te fria. Emanuel (2007) demonstrou que   et al. (2021) aplicaram o GPI (EMANUEL
 muito da variabilidade da energia cinética   e NOLAN, 2004) existente que quantifica
 atribuída a ciclones tropicais no Atlântico   a contribuição dos fatores ambientais de
 Norte e no oeste do Pacífico Norte foram   grande escala associados à ciclogênese
 explicados pela intensidade potencial, em   tropical para entender o ciclo de vida do
 análise conjunta com a vorticidade relativa   Catarina. Isso difere de estudos anteriores
 atmosférica em baixos níveis, umidade e   que avaliaram cada fator interdependente
 o cisalhamento vertical do vento. A teo-  individualmente. Além disso, os autores
 ria existente que quantifica a contribuição   incorporaram a análise do conteúdo do
 conjunta entre as variáveis descritas por   OHC (LEIPPER e VOLGENAU, 1972), uma
 Emanuel  (2007)  é  o  Índice  de  Potencial   medida do potencial do oceano para sus-
 de Gênesis (Genesis Potential Index – GPI;   tentar a intensificação da CT (HALLIWELL
 EMANUEL & NOLAN, 2004).  Até 2020, o   et al., 2008), ignorada por quase todos os



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