A importância da presença brasileira na decisão sobre o futuro da Antártica
PROANTAR
Há mais de três décadas, a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) recebeu a tarefa de implementar o PROANTAR.

Há mais de três décadas, a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM) recebeu a tarefa de implementar o PROANTAR. Assim, em 6 de fevereiro de 1984, foi inaugurada a Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF). Naquela ocasião, os pioneiros do PROANTAR hastearam, pela primeira vez, a Bandeira Brasileira que nunca mais deixou de tremular na Latitude 62º 05´ Sul e Longitude 58º 23,5´ Oeste.
Com igual entusiasmo, nesse mesmo local, iniciou-se a reconstrução da Estação Brasileira na Antártica. A nova EACF possui design moderno e tecnologia de ponta. O projeto atendeu aos requisitos estabelecidos pela comunidade científica e privilegiou a área de pesquisa.
Construir uma Estação na Antártica é um desafio que vai muito além de soluções tecnológicas de arquitetura e engenharia, balanceando custo e benefício. As condicionantes são ventos de até 200km/h, baixas temperaturas e atmosfera agressiva. Além disso, a logística de implantação e operação; as questões de segurança e da construção; a facilidade de manutenção; a flexibilidade e durabilidade são, também, elementos importantes no conceito do projeto. Considerando a realidade atual, espera-se que a estação seja eficiente e cause o mínimo impacto ambiental. Os novos tempos e o Protocolo de Madri exigem que sejam obedecidos parâmetros ambientais rígidos.
Embora o avanço tecnológico dos meios de comunicação e dos transportes tenham reduzido as distâncias e facilitado a forma de vida, uma estação científica na Antártica deve adotar planejamento semelhante à concepção de uma cidade de pequeno porte, em que se deve prover aos habitantes condições de boa qualidade de vida e segurança. A dependência da logística de transporte, seja para sobrevivência, seja para construção, uso e operação, deve sempre ser considerada, porque este aspecto é um dos mais restritivos naquela região.
Tendo em vista essas considerações, inicialmente, o minucioso Termo de Referência da reconstrução da EACF estabeleceu uma área de 3.300m², um pequeno aumento em relação à primeira Estação, que chegou a medir 2.800m². No desenvolvimento do projeto, as edificações foram ampliadas para 4.500m², a fim de atender às exigências da comunidade científica por mais laboratórios especializados e dar ênfase, em particular, à segurança.
Assim, a Estação contará com 19 laboratórios, setor de saúde, biblioteca e sala de estar, com capacidade para 64 pessoas, no verão, e 35 no inverno. A dimensão é compatível com a importância que o Brasil conquistou no cenário Antártico, atendendo às atuais e às futuras demandas de pesquisas nacionais, assim como à cooperação internacional na área científica.
É fácil compreender que o maior impacto no orçamento de uma construção na Antártica não é a área construída, mas a logística, que responde por quase 50% do custo.
Cabe esclarecer, também, que a reconstrução da EACF, no mesmo local, foi motivada por diversos fatores que determinaram a decisão:
- Facilidade de acesso pelo mar para o reabastecimento: enseada livre de obstáculos naturais, que favorece a aproximação dos navios, durante o verão, com o gradiente da praia adequado, requisitos imprescindíveis para o desembarque.
- Disponibilidade de água para consumo. No local da EACF existem dois lagos de degelo que fornecem água na forma líquida capaz de atender a demanda da Estação durante o verão e o inverno.
- Continuidade das pesquisas: não interrupção de uma série histórica de mais de 20 anos de pesquisas; e
- Fator ambiental: como a região já estava impactada, o processo de aprovação foi simplificado, o que demandou menor prazo para a tramitação e aprovação da obra.
Assim, a nova EACF materializa a expansão das nossas atividades científicas, compatível com a dimensão geopolítica da presença brasileira na Antártica. Esses são os requisitos que nos credenciam a permanecer como Membro Consultivo do Tratado da Antártica e, desse modo, continuar participando das importantes decisões sobre os destinos do Continente Branco.
PROANTAR
Responsável pela logística do PROANTAR, a Marinha do Brasil vem, desde 1982, apoiando as pesquisas na EACF, nos navios e nos acampamentos, fornecendo treinamento, vestimentas especiais, alimentação, segurança, equipamentos de comunicação e transporte (embarcações e aeronaves).
