30 anos de presença na Antártica
PROANTAR
30 anos de presença na Antártica

A aeronave aproxima-se em voo controlado, penetrando um ambiente completamente diferente de até então. O C-130 Hércules, FAB 2463, robusto e imponente, a quilômetros de distância de sua terra natal, rompe o silêncio de um lugar até então inexplorado pela Força Aérea Brasileira. O tom monocromático do branco e o frio intenso do local diferem do relevo tropical exuberante ao qual a aeronave se acostumou a operar.
Em substituição ao corcovado, a singularidade dos montes cobertos de neve e gelo. A aproximação é cuidadosa, os ventos sopram a inacreditáveis velocidades e uma tremenda precisão de cálculos se faz necessária. A asa inclinada do vetor, na aproximação para o pouso, denuncia a atmosfera hostil. O comandante da aeronave, Major Aviador Sabino, se concentra para o pouso. A atenção de toda a tripulação é requerida. Finalmente, após uma breve viagem desde a decolagem da Patagônia chilena, o trem de pouso da aeronave do Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte toca pela primeira vez a pequena pista de pouso de apenas 1290m de comprimento mantida pela Força Aérea Chilena no continente Antártico. A data era 23 de agosto de 1983. A epopeia da tripulação do Esquadrão Gordo embarcada no FAB 2463, nesta data, dava início a um dos mais brilhantes e extraordinários capítulos da história da Força Aérea Brasileira: a Missão Antártica.
Operar naquele continente é uma capacidade que poucas Forças Aéreas possuem e, por conseguinte, é um privilégio de poucos tripulantes ao redor do mundo. Tal fato, por si só, seria suficiente para explicar o fascínio que a missão exerce sobre os integrantes do Primeiro do Primeiro GT, mormente os aeronavegantes.
Acrescente-se à exclusividade da missão os desafios a serem vencidos a cada voo e tem-se uma receita infalível para tornar a qualificação como tripulante antártico quase que uma obsessão. Entretanto, o que faz os voos ao Continente Antártico tão nobres não é a dificuldade ou exclusividade neles contida. É, sim, o fato de fazerem parte do apoio ao Programa Antártico Brasileiro, mais conhecido como PROANTAR.
O PROANTAR é gerido por uma parceria entre os Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Meio-ambiente, das Relações Exteriores, das Minas e Energia, da Defesa e o CNPq. A quantidade de órgãos públicos envolvidos, por si só, evidencia a importância do programa para o País. Não é para menos. A Antártica influencia sobremaneira no clima mundial e na vida no planeta, detém as maiores reservas de gelo e água doce do mundo e é depositária de riquezas energéticas e minerais incalculáveis. Por tais fatores, o PROANTAR é a ponte entre o Brasil e seus interesses científicos, estratégicos, geopolíticos e econômicos no Continente Austral e nós, do Primeiro do Primeiro Grupo de Transporte, a cada voo que fazemos em apoio ao Programa, contribuímos de forma inequívoca para o alcance dos objetivos almejados por nosso País naquela inóspita região. Este, em minha visão, é o maior motivo de orgulho que devemos ter pelo cumprimento desta missão.
Portanto, sim, hoje é dia de celebrar a missão bem cumprida por trinta anos. É dia de lembrar os desafios vencidos e histórias divertidas vividas. É dia de sentir saudades da Tia Alice e de seu jeito firme e, ao mesmo tempo, carinhoso de nos tratar. É dia de sentir orgulho por passar a carregar a bolacha comemorativa na manga do macacão. Contudo, também é dia de lembrar que a bolacha mais importante que temos em nosso uniforme de voo está a apenas alguns centímetros acima da bolacha dos trinta anos de Operação na Antártica.
Palavras do Comandante do 1° Esquadrão do 1° Grupo de Transporte em Missão no Continente Antártico, Tenente-Coronel-Aviador Sérgio Mourão Mello, durante a cerimônia de comemoração aos 30 anos do 1º Esquadrão do 1º Grupo de transporte (1º/1ºGT) no continente Antártico.
O PROANTAR parabeniza e agradece a parceria da Força Aérea Brasileira nesses 30 anos de presença na Antártica. A missão cumprida exclusivamente pelo Esquadrão Gordo (1º/1º GT), sediado no Rio de Janeiro, faz parte do apoio logístico ao Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR). Os dez voos realizados a cada ano são imprescindíveis para que cientistas brasileiros possam trabalhar na busca de respostas, como a cura do câncer e as soluções para as mudanças climáticas globais.

