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Militar da Marinha quebra recordes e faz história na Copa do Mundo de Ultratriatlo

O que você conseguiria fazer em uma hora? E em 200 horas? Que tal 219 horas e 39 minutos? Para o Segundo-Sargento (Mergulhador) da Marinha do Brasil (MB), Roberto da Silva Stael, esse tempo — exatos nove dias — foi suficiente para percorrer 38 km de natação, 1.800 km de ciclismo e 422 km de corrida, garantindo o recorde sul-americano de Deca Ironman, competição que equivale a 10 vezes as distâncias de um Ironman tradicional.

Atleta do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), da MB, o militar enfrentou um dos maiores desafios de resistência do mundo, colocando em prática ideais marinheiros como disciplina, espírito de sacrifício, coragem e abnegação. Ele conquistou o terceiro lugar na Copa do Mundo de Ultratriatlo, realizada na última semana, em Búzios (RJ). Integrante da equipe de Ultramaratona do Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, foi o melhor brasileiro na prova — que totalizou 2.260 km de atividades — e o único militar no pódio, ficando atrás de dois atletas civis.

A Agência Marinha de Notícias (AgMN) entrevistou o Segundo-Sargento, que compartilhou detalhes de sua preparação e os desafios para manter a motivação durante treinos intensos. Confira a seguir:

Agência Marinha de Notícias (AgMN): Como iniciou sua carreira na Marinha?

Segundo-Sargento Roberto Stael: Iniciei minha carreira na MB de forma natural. Ela surgiu na minha vida quando eu tinha 17 para 18 anos. Vi uma propaganda sobre a Força na época e aquilo despertou algo em mim. Senti que eu queria fazer parte daquele grupo e comecei a buscar as informações de que eu precisava. Fiz concurso para Aprendiz-Marinheiro em 2004. Concentrei em fevereiro de 2005 na Escola de Aprendizes-Marinheiros do Espírito Santo (EAMES) e iniciei minha jornada. Com o tempo, virei mergulhador e fui me especializando.

Agência Marinha de Notícias (AgMN):  O que o motivou a se tornar atleta?

Segundo-Sargento Roberto Stael: Como mergulhador, sempre tive afinidade com atividades físicas, e o preparo físico militar é essencial para o desempenho das nossas funções. Naturalmente, buscamos práticas esportivas. Comecei a praticar vários esportes como hobby, em paralelo às minhas atividades na Marinha, até descobrir no triatlo a minha verdadeira paixão.

Percebi que o triatlo de ultradistância exige muito mais do que preparo físico: é 90% mental. É preciso “negociar” com a dor, com os problemas e com a vontade de desistir. Isso desenvolve uma resiliência enorme. Minha formação militar foi essencial nesse processo. A Marinha canalizou em mim todos esses valores e consegui aplicá-los no esporte. Está sendo uma jornada incrível.

Agência Marinha de Notícias (AgMN): Qual é a sua avaliação sobre o CEFAN atualmente?

Segundo-Sargento Roberto Stael: Consegui quebrar os recordes sul-americano e brasileiro, que estavam intactos havia mais de 15 anos. Essa conquista, de nível mundial, só foi possível graças ao apoio e à estrutura que recebo hoje no CEFAN.

A própria trajetória do Centro mostra que ele é uma referência. Lá encontro tudo de que preciso, e foi ali que consegui manter minha preparação física de forma segura, sem lesões durante a competição. Foram nove dias extremamente intensos, com apenas cerca de 10 horas de sono em todo o período. Um esforço físico e mental contínuo.

Nos 38 km de natação, por exemplo, consegui reduzir meu tempo em duas horas em relação à última competição e atribuo esse resultado à qualidade do treinamento que realizo no complexo aquático do CEFAN.

Agência Marinha de Notícias (AgMN): Como é a sua rotina de treinamento?

Segundo-Sargento Roberto Stael: É extremamente pesada. Faço de três a quatro treinos no dia e meu horário de almoço é reduzido – pois treino de manhã, no almoço, à tarde e faço uma sessão à noite. Durmo bem pouco, pelo volume que preciso desenvolver para uma prova dessas. Isso exige muito do físico e do mental, sem contar da saúde, pois corremos riscos de ficar com a imunidade mais baixa. Mas é essa a rotina que eu gosto, que tem funcionado e que eu pretendo intensificar ainda mais para buscar objetivos maiores.

Agência Marinha de Notícias (AgMN): Quais são as principais dificuldades na preparação para uma prova como essa?

Segundo-Sargento Roberto Stael: É uma prova que exige muito recurso físico, material e de suplementação. E isso a gente vai exaurindo já com a preparação, mas nada que não seja esperado ou que eu não tenha apoio para enfrentar. Mas as dificuldades não são nada perante o retorno, o feito que tivemos, o que buscamos alcançar e perante o apoio que sempre tive.

Agência Marinha de Notícias (AgMN): Qual o papel da Marinha em sua trajetória como atleta?

Segundo-Sargento Roberto Stael: Se não fosse a Marinha, eu não seria atleta. Na verdade, não teria nada do que conquistei. Sou eternamente grato à Marinha do Brasil e a todos que me ajudam e me apoiam.

Pretendo continuar representando e divulgando o nome da nossa Instituição. Tenho condições de manter a Marinha em evidência nesse esporte tão exigente e realizado por tão poucas pessoas no mundo. Esse é o meu propósito.

Agência Marinha de Notícias (AgMN): Que recado você deixa para quem ainda não iniciou uma atividade física?

Segundo-Sargento Roberto Stael: Para quem ainda não pratica atividade física, é hora de repensar. O exercício vai muito além da estética. Está diretamente ligado ao bem-estar físico, mental e social.

Quem se exercita costuma ser mais bem-humorado, produtivo, proativo e feliz. Na minha opinião, a atividade física deveria ser um hábito essencial para qualquer pessoa. Não importa o ponto de partida: de uma caminhada, pode-se evoluir para uma hidroginástica, de uma corrida para um salto livre.

O importante é manter-se ativo, alongar o corpo e se alimentar bem. E, principalmente, entender que não se trata do outro, mas de você. Esqueça julgamentos e foque no seu próprio bem-estar.

Fonte: Agência Marinha de Notícias
Acesse: https://www.agencia.marinha.mil.br/

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