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baixas exergias, que podem ser aplicados   certificado pela assistência francesa. No mo-  Como já mencionado, a MB também   cleares no mar, pois estão envolvidas com
 tanto à recuperação de calor da propul-  mento, o projeto encontra-se em fase de de-  colabora com a Comissão Nacional de   a produção de combustível nuclear, com a
 são nuclear quanto a combustíveis fósseis   talhamento, já tendo sido concedidas, pelo   Energia Nuclear – CNEN, por intermédio   construção de plantas nucleares para pro-
 (Lisboa et al., 2021). A Figura 4 ilustra um   órgão licenciador naval, uma autorização e   do IPEN, no projeto do Reator Multipropó-  pulsão naval e com a construção de rea-
 protótipo de dessalinizador de destilação   uma licença parcial para construção do meio.  sito Brasileiro – RMB, destinado a produzir   tores de pesquisa e produção de radioisó-
 com membranas construído e instalado   O Acordo com a França previu também   radioisótopos e radiofármacos.  topos que contribuirão para desenvolver
 no Laboratório de Tecnologias em Ener-  a construção de quatro submarinos com   Todas as iniciativas do PNM acabam   materiais de utilização direta ou indireta
 gias Sustentáveis, LATES, do IPqM, com   propulsão diesel elétrica, dois dos quais já   por incrementar o uso de tecnologias nu-  em aplicações marítimas.
 apoio financeiro do Programa PROCAD-  estão no mar, enquanto os dois restantes
 -Defesa da CAPES.  estão em fase adiantada de construção.   6. Considerações finais
 Para enfrentar o desafio de construir um   Para tanto, foram criadas a Unidade de Fa-
 casco de submarino capaz de receber um   bricação de Estruturas Metálicas – UFEM e   Em 2017, a ONU proclamou a Década   sobre Mudanças Climáticas (COP26) termi-
 reator  nuclear,  a  MB  optou  por  absorver   Estaleiros de Construção – ESC e de Manu-  da Ciência Oceânica para o Desenvolvi-  nou em 12/11/21, mas desde então desta-
 tecnologia estrangeira para a parte não nu-  tenção  –  ESM,  em  Itaguaí,  cuja  evolução   mento  Sustentável,  com  diversos  eventos   ca-se a energia nuclear como central para
 clear do SCPN (a transferência de tecnologia   no tempo aparece na Figura 5 a seguir. Na   e iniciativas a se realizarem entre 2021 e   combater a crise climática. As fontes mais
 de construção do casco não incluiu a planta   área do Complexo Naval de Itaguaí, que   2030. Um dos focos dessa iniciativa é au-  seguras para nós hoje são as mesmas que
 de propulsão nuclear), por meio de Acordo   abriga  uma  base  naval,  além  dos  estalei-  mentar o conhecimento sobre o oceano e   têm o menor impacto no clima, ou seja,
 e Parceria Estratégica com a França, iniciado   ros, haverá um Complexo de Manutenção   suas oportunidades, já que apenas 5% do   nuclear, eólica e solar.
 em 2008, o qual deu origem ao já mencio-  Especializada – CME, destinado especifica-  solo dos oceanos foi mapeado em alta re-  A energia nuclear ainda representa uma
 nado  PROSUB.  O  projeto  básico  do  SCPN   mente à manutenção e eventuais trocas de   solução até hoje e estima-se que mais de 1   parcela relativamente pequena do con-
 foi finalizado em janeiro de 2017 e depois   combustível nuclear do SCPN.  milhão de espécies marinhas permanecem   sumo global de energia – cerca de 10%
                   desconhecidas. Busca-se um oceano pro-   da energia primária mundial – mas tem o
    Figura 5. Evolução da implantação da Unidade de Fabricação de   dutivo e sustentável, com informação con-  maior fator de capacidade em compara-
 Estruturas Metálicas (UFEM) em Itaguaí, RJ  fiável para a sociedade sobre as condições   ção a todas as demais fontes de energia.
                   atuais e futuras de sua exploração como   A energia nuclear para propulsão marítima
                   fonte de alimentos e riquezas.           surge como possibilidade atraente, passível
                     Tecnologias nucleares oferecem boas    de viabilizar-se economicamente, tanto pe-
                   perspectivas de aplicação no mar, inclu-  los avanços tecnológicos quanto pelos cus-
                   sive para seu monitoramento e proteção.   tos cada vez mais altos que serão impostos
                   Na realidade, o conhecimento sobre essas   às energias poluentes.
                   tecnologias, tão necessárias para a Econo-  O estabelecimento e a consolidação
                   mia Azul, está em franco desenvolvimento   da opção nuclear no transporte mercante
                   e próximo de ser mais efetivamente utiliza-  marítimo dinamizará a indústria de cons-
                   do. Pequenos reatores modulares e micror-  trução naval e poderá eventualmente re-
                   reatores oferecerão, muito em breve, novas   duzir custos no comércio marítimo. Para
                   opções de uso no ambiente marítimo.      tanto, deve-se dedicar especial atenção
                     Na medida em que questões ambien-      à segurança nuclear naval e à sua ampla
                   tais tornam-se a cada dia mais relevantes,   divulgação na sociedade, convencendo-a
                   a necessidade de mitigar as emissões de   de que é possível compatibilizá-la com a
                   gases de efeito estufa advindas da queima   proteção efetiva de tripulações, meio am-
                   de combustíveis fósseis aponta, forçosa-  biente e público em geral.
                   mente, para a busca por outras opções de    A opinião pública sobre a energia nu-
 Fonte: Marinha do Brasil (2018)  energia. A Conferência das Nações Unidas   clear tende a ser negativa, mas os números



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