Page 547 - Livro - Economia Azul
P. 547
baixas exergias, que podem ser aplicados certificado pela assistência francesa. No mo- Como já mencionado, a MB também cleares no mar, pois estão envolvidas com
tanto à recuperação de calor da propul- mento, o projeto encontra-se em fase de de- colabora com a Comissão Nacional de a produção de combustível nuclear, com a
são nuclear quanto a combustíveis fósseis talhamento, já tendo sido concedidas, pelo Energia Nuclear – CNEN, por intermédio construção de plantas nucleares para pro-
(Lisboa et al., 2021). A Figura 4 ilustra um órgão licenciador naval, uma autorização e do IPEN, no projeto do Reator Multipropó- pulsão naval e com a construção de rea-
protótipo de dessalinizador de destilação uma licença parcial para construção do meio. sito Brasileiro – RMB, destinado a produzir tores de pesquisa e produção de radioisó-
com membranas construído e instalado O Acordo com a França previu também radioisótopos e radiofármacos. topos que contribuirão para desenvolver
no Laboratório de Tecnologias em Ener- a construção de quatro submarinos com Todas as iniciativas do PNM acabam materiais de utilização direta ou indireta
gias Sustentáveis, LATES, do IPqM, com propulsão diesel elétrica, dois dos quais já por incrementar o uso de tecnologias nu- em aplicações marítimas.
apoio financeiro do Programa PROCAD- estão no mar, enquanto os dois restantes
-Defesa da CAPES. estão em fase adiantada de construção. 6. Considerações finais
Para enfrentar o desafio de construir um Para tanto, foram criadas a Unidade de Fa-
casco de submarino capaz de receber um bricação de Estruturas Metálicas – UFEM e Em 2017, a ONU proclamou a Década sobre Mudanças Climáticas (COP26) termi-
reator nuclear, a MB optou por absorver Estaleiros de Construção – ESC e de Manu- da Ciência Oceânica para o Desenvolvi- nou em 12/11/21, mas desde então desta-
tecnologia estrangeira para a parte não nu- tenção – ESM, em Itaguaí, cuja evolução mento Sustentável, com diversos eventos ca-se a energia nuclear como central para
clear do SCPN (a transferência de tecnologia no tempo aparece na Figura 5 a seguir. Na e iniciativas a se realizarem entre 2021 e combater a crise climática. As fontes mais
de construção do casco não incluiu a planta área do Complexo Naval de Itaguaí, que 2030. Um dos focos dessa iniciativa é au- seguras para nós hoje são as mesmas que
de propulsão nuclear), por meio de Acordo abriga uma base naval, além dos estalei- mentar o conhecimento sobre o oceano e têm o menor impacto no clima, ou seja,
e Parceria Estratégica com a França, iniciado ros, haverá um Complexo de Manutenção suas oportunidades, já que apenas 5% do nuclear, eólica e solar.
em 2008, o qual deu origem ao já mencio- Especializada – CME, destinado especifica- solo dos oceanos foi mapeado em alta re- A energia nuclear ainda representa uma
nado PROSUB. O projeto básico do SCPN mente à manutenção e eventuais trocas de solução até hoje e estima-se que mais de 1 parcela relativamente pequena do con-
foi finalizado em janeiro de 2017 e depois combustível nuclear do SCPN. milhão de espécies marinhas permanecem sumo global de energia – cerca de 10%
desconhecidas. Busca-se um oceano pro- da energia primária mundial – mas tem o
Figura 5. Evolução da implantação da Unidade de Fabricação de dutivo e sustentável, com informação con- maior fator de capacidade em compara-
Estruturas Metálicas (UFEM) em Itaguaí, RJ fiável para a sociedade sobre as condições ção a todas as demais fontes de energia.
atuais e futuras de sua exploração como A energia nuclear para propulsão marítima
fonte de alimentos e riquezas. surge como possibilidade atraente, passível
Tecnologias nucleares oferecem boas de viabilizar-se economicamente, tanto pe-
perspectivas de aplicação no mar, inclu- los avanços tecnológicos quanto pelos cus-
sive para seu monitoramento e proteção. tos cada vez mais altos que serão impostos
Na realidade, o conhecimento sobre essas às energias poluentes.
tecnologias, tão necessárias para a Econo- O estabelecimento e a consolidação
mia Azul, está em franco desenvolvimento da opção nuclear no transporte mercante
e próximo de ser mais efetivamente utiliza- marítimo dinamizará a indústria de cons-
do. Pequenos reatores modulares e micror- trução naval e poderá eventualmente re-
reatores oferecerão, muito em breve, novas duzir custos no comércio marítimo. Para
opções de uso no ambiente marítimo. tanto, deve-se dedicar especial atenção
Na medida em que questões ambien- à segurança nuclear naval e à sua ampla
tais tornam-se a cada dia mais relevantes, divulgação na sociedade, convencendo-a
a necessidade de mitigar as emissões de de que é possível compatibilizá-la com a
gases de efeito estufa advindas da queima proteção efetiva de tripulações, meio am-
de combustíveis fósseis aponta, forçosa- biente e público em geral.
mente, para a busca por outras opções de A opinião pública sobre a energia nu-
Fonte: Marinha do Brasil (2018) energia. A Conferência das Nações Unidas clear tende a ser negativa, mas os números
544 ECONOMIA AZUL Tecnologias Nucleares para o Mar 545

