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entanto, busca estudar como a ciência in-  sejamos detentores de riquezas que vão além   contribuir com o avanço de um futuro mais   Se cooperar é importante, e tem indica-
 forma a tomada de decisão internacional,  de nossa capacidade científica. Dessa forma,   sustentável para o oceano.  tivos de sucesso, quais seriam as estratégias
 como a diplomacia pode promover e fo-  o Brasil é alvo de interesse das grandes po-  Haas (1992) argumenta que a difusão  usadas por outros países para a coopera-
 mentar projetos conjuntos de pesquisa, e  tências científicas do mundo. Pelo viés da   de novas ideias e informações é um dos  ção e a diplomacia científica no contexto
 também como tais projetos e comunidades  diplomacia científica, temos a chance de or-  fatores que pode levar a novos padrões de  da Economia Azul que vem dando certo ou
 de pesquisadores podem amenizar ten-  ganizar nosso sistema de ciência e tecnolo-  comportamento, sendo um determinante  tem  potencial  para  ser  bem-sucedido?  O
 sões políticas (THE ROYAL SOCIETY, 2010).  gia e buscar os elementos estrangeiros que   necessário de eficácia da cooperação po-  discurso em torno da Economia Azul tem
 Mais recentemente, houve uma tentativa  atendam a nossa demanda nacional, obtida   lítica internacional. Além disso, para Haas  sido promovido como algo benéfico, como
 de incluir no conceito o papel que os in-  por meio de amplo diálogo com os atores   (2015), três principais condições podem  um bem comum a todos. No entanto, di-
 teresses (nacionais, regionais e globais)  envolvidos.  Assim,  a  diplomacia  científica   contribuir para o sucesso do manejo de  versos países têm adotado diferentes con-
 teriam nas distintas motivações em se en-  pode se tornar uma ferramenta poderosa   problemas ambientais através de institui-  ceitos para a Economia Azul com base nos
 gajar em práticas de diplomacia científica  de negociação de acordos bi e multilaterais   ções. Primeiro, a preocupação governa-  interesses nacionais e na importância que os
 (GLUCKMAN; TUREKIAN; GRIMES, 2018).  e a busca pela implementação das provisões   mental deve ser suficientemente alta para  serviços ecossistêmicos marinhos têm para
 Inegável, no entanto, é que cada vez mais  legais contidas nos diversos instrumentos   mobilizar os estados a ponto de disponibi-  a economia daquele país (PEREIRA, 2020).
 a ciência tem papel importante nos deba-  multilaterais que regram a governança do   lizarem recursos, já escassos, para resolver  Ponto de inflexão em todos os conceitos
 tes ambientais internacionais.  oceano (POLEJACK; COELHO, 2021).  o problema ambiental. Segundo, os pro-  abordados é a necessidade de promover o
 No oceano, esse papel da ciência tor-  blemas ambientais comuns e transfrontei-  desenvolvimento de forma sustentável, o
 nou-se preponderante, em especial nas ne-  Por que é importante a cooperação?  riços não podem ser efetivamente resolvi-  que em si requer níveis de cooperação no
 gociações para a adoção da Convenção das   dos sem um ambiente contratual em que  qual a ciência e a diplomacia interagem sig-
 Nações Unidas para o Direito do Mar, ou a   A discussão sobre a governança glo-  os estados assumam compromissos que  nificativamente (POLEJACK, 2021).
 constituição do oceano (ROBINSON, 2020).  bal do oceano foi incluída entre os princi-  sejam capazes de cumprir e honrar. E, por   Assim,  a  cooperação  e a  diplomacia
 Desde a adoção da Convenção e até os dias  pais temas discutidos na Conferência das   último, mas não menos importante, que  científica apoiam e fomentam a boa go-
 atuais, a ciência tem atuado como uma for-  Nações Unidas sobre Desenvolvimento   os estados possuem capacidade política  vernança, que entre outros princípios in-
 ma de poder brando nas negociações oce-  Sustentável – Rio+20 e vem desde então   e administrativa para fazer os ajustes do-  clui a existência de um Estado de Direito,
 ânicas, ou seja, uma forma de poder não  ganhando espaço na arena internacional.   mésticos necessários para a implementa-  com previsão clara de competências e de
 coercitiva pela qual países seduzem seus  Por meio da Agenda 2030 e em especial   ção do acordo.  responsabilidades no que concerne à ges-
 pares a adotarem posturas e valores basea-  do Objetivo de Desenvolvimento Sustentá-  Ainda para Haas e Stevens (2011), o  tão do espaço e dos recursos; a garantia da
 dos na ciência apresentada em negociações  vel 14 (Vida Abaixo da Água), estabelece-  conhecimento opera e muda o comporta-  participação pública, do acesso à informa-
 internacionais, muitas vezes usada para jus-  ram-se indicadores relevantes para manter   mento quando organizado e transmitido  ção e da transparência em todo o ciclo das
 tificar fins políticos (NYE, 2017; POLEJACK,  a saúde do oceano e das zonas costeiras.   de forma que os formuladores de políticas  políticas públicas; a previsão, o monitora-
 2021). Assim, torna-se preponderante o  Ainda, nesse mesmo contexto, as Nações   possam entender e confiar na informação.  mento e a fiscalização de instrumentos re-
 entendimento da dinâmica entre ciência e  Unidas lançaram a Década da Ciência do   Nesse contexto, regimes que são desenvol-  lacionados à gestão dos recursos; a existên-
 diplomacia no oceano.  Oceano para o Desenvolvimento Sustentá-  vidos por um processo de aprendizagem  cia de equidade e inclusão; a capacidade
 Países como o Brasil, com alguma ca-  vel (também conhecida como Década do   social e cujas regras refletem o consenso  de lidar com emergências e a coerência
 pacidade de pesquisa oceânica, mas ainda  Oceano) (2021-2030) para apoiar os esfor-  científico sobre sustentabilidade ambiental  de decisões entre diferentes instituições
 longe dos níveis desejados de fomento e  ços científicos de reverter a tendência de   tendem a ser mais efetivos.  (OLIVEIRA et al., 2022) (Figura 1).
 desenvolvimento de capacidades, têm cer-  degradação do oceano e garantir que seja
 ta dependência das capacidades analíticas  produzida uma ciência oceânica que pos-
 estrangeiras (POLEJACK; BARROS-PLA-  sa ser interdisciplinar e útil no sentido de
 TIAU, 2020). No entanto, nossa posição  apoiar a tomada de decisão (RYABININ et
 geográfica, nossa excelência em produção  al., 2019). Com isso, esforços para a diplo-
 de conhecimento e a rica diversidade social  macia científica e para a cooperação mere-
 e cultural ao longo do Brasil faz com que  cem destaque e atenção para que possam



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