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no mundo que fornecem 25 a 30 por cento vernança ambiental global, que, de forma por Estados-nação se governe sem que dis- de governos, organizações internacionais,
da energia do mundo. A indústria da pes- sintética, ocorre pelo conjunto de organiza- ponha de governo central. Atividades para empresas, e até a sociedade civil, de que a
ca global gera empregos para cerca de 180 ções, instrumentos de políticas, mecanismos as quais também contribuem muitos atores solução de muitos desses problemas não
milhões de pessoas e fornece uma fonte pri- de financiamento, regras, procedimentos e da sociedade civil, além de, é claro, gover- tem como se restringir aos mecanismos
mária de proteína para mais de 1 bilhão de normas que regulam os processos de prote- nos nacionais e organizações internacionais tradicionais da coerção e autoridade for-
pessoas (FAO 2020). Além disso, estimativas ção ambiental global (YOUNG, 2017). (ROSENAU, CZEMPIEL, 2000; GONÇALVES, mal. Mas também não se trata de rejeitar
do valor econômico dos serviços ambientais A construção dessa agenda de gover- COSTA, 2011; YOUNG, 2017). as formas tradicionais do exercício do po-
comercializados e não comercializados (for- nança ambiental global visa fundamental- Além da desconcentração de poderes, der. O desafio é incorporar dimensões que
necimento de alimentos, oxigênio, água e mente permitir que a cooperação e a di- do compartilhamento de decisões e do vêm adquirindo importância estratégica,
regulação do clima) chegam a um total de plomacia sejam alcançadas para resolver envolvimento de novos atores não esta- baseadas em instituições e organizações
21 trilhões de dólares americanos por ano grandes problemas ambientais, com partici- tais, como poderes supranacionais, setor extraestatais de cooperação para que tor-
(CONSTANZA, 1999; HALPERN et al., 2012). pação cada vez mais ampliada de múltiplos privado e organizações da sociedade civil, nem mais efetivos os processos de nego-
Essa magnitude e interdependência autores (GONÇALVES, COSTA, 2011). Com a governança global enfrenta o desafio da ciação voltados à formação de consensos
com diversos setores da sociedade faz com a crescente influência da Ciência na toma- amplificação vertiginosa dos temas que capazes de garantir aplicabilidade e conti-
que a perspectiva global de governança da de decisão diplomática, em particular na passam a ser regulados também no plano nuidade no espaço e tempo.
do oceano exija lidar com problemas que governança do oceano, é imprescindível a dos regimes e organizações multilaterais A diplomacia científica contribui nesse
transcendem os limites de soberania e ge- compreensão da dinâmica entre pesquisa e (CHASEK; WAGNER, 2012). É o caso, por sentido, já que os resultados científicos têm
opolítica, ou seja, implica mecanismos que relações internacionais, tema central da Di- exemplo, do oceano. A governança global se tornado fator determinante de consen-
não estão na esfera dos estados nacionais plomacia Científica no Oceano (POLEJACK, do oceano não é um núcleo de autoridade sos ambientais no âmbito internacional.
e compreendem um conjunto de situações BARROS-PLATIAU, 2020). E é nesse sentido com latitude para determinar o que todos As evidências científicas disponíveis hoje
nas quais os Estados e os grupos (indivíduos, que este capítulo busca discutir a relevân- os países devem fazer. O que há é uma cen- tanto apontam para os limites planetá-
ONGs, empresas) interagem. Por isso, o tra- cia da cooperação e da diplomacia científica tral de coordenação representada pela Or- rios, nos quais a humanidade pode ope-
tamento dos problemas ambientais no oce- para a governança e a economia do oceano, ganização das Nações Unidas (ONU) e suas rar com segurança, quanto também dis-
ano só pode ser analisado sob a ótica da go- com destaque para o caso brasileiro. agências, bem como as cúpulas periódicas cutem soluções inovadoras na busca de
entre seus membros. No âmbito da ONU, um planeta mais sustentável. Nesse sen-
a governança é uma forma de articulação, tido, a ciência torna-se ator crítico nos
2. Panorama: relevância do oceano na cooperação e diplomacia e não de comando. Para alguns estudiosos processos de tomada de decisão interna-
do tema, o objetivo maior da governança cional. Assim nasce a diplomacia científi-
Ao longo das últimas décadas, os pro- as regras e normas institucionais. Embora global é melhorar o estado atual do am- ca, na busca de compreender a dinâmica
blemas ambientais têm sido cada vez mais a cooperação em ambiente anárquico pos- biente rumo a um desenvolvimento sus- entre imperativos distintos com sistemas
abordados por meio de instituições inter- sa ser difícil, as melhores análises sobre as tentável (RIBEIRO, 2012; NAJAM, PAPA & de valores próprios pertencentes ao mé-
nacionais. Estima-se que existam mais de relações internacionais têm demonstrado TAIYAB, 2006; YOUNG, 2021). todo científico e aos processos políticos
700 acordos ambientais multilaterais (MIT- nos últimos 30 anos que frequentemente No entanto, o futuro da governança do em âmbito internacional.
CHELL, 2003). Além disso, há mais de 155 a cooperação pode ser alcançada confe- oceano como possibilidade de efetivo en-
acordos registrados com as Nações Unidas rindo maior eficácia à governança global frentamento dos graves desafios socioam- O que é diplomacia científica?
desde 1921, e mais de 90 Acordos Am- (KEOHANE, 1984; KRASNER, 1983; SNI- bientais do século XXI depende de fatores
bientais Internacionais (IEA, na sigla em in- DAL, 1993; YOUNG, 2017; 2021). que na realidade estão absolutamente rela- Diplomacia científica é um recente
glês) desde a Conferência das Nações Uni- A expressão “governança global” co- cionados, mas que podem ser classificados campo de pesquisa, mas uma prática an-
das sobre o Meio Ambiente, realizada em meçou a se legitimar entre pesquisadores de estruturais e conjunturais para efeito de tiga (TUREKIAN, 2018), lidando com os
Estocolmo, em 1972 (CHASEK; WAGNER, e atores chaves do cenário político desde o inevitável redução analítica. Os estruturais processos nos quais a evidência científica
2012). Esses acordos procuram proteger e final da década de 1980. Basicamente, para dizem respeito à própria noção de gover- influencia a diplomacia e vice-versa. Ainda
melhorar o meio ambiente mediante indu- designar atividades geradoras de institui- nança e sua difusão. Tem sido mais difícil do sem uma definição formal, o conceito de
ção de cooperação em conformidade com ções que garantem que um mundo formado que se poderia imaginar o convencimento diplomacia científica é muito debatido. No
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