Page 141 - Livro - Economia Azul
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no mundo que fornecem 25 a 30 por cento   vernança ambiental global, que, de forma   por Estados-nação se governe sem que dis-  de governos, organizações internacionais,
 da energia do mundo. A indústria da pes-  sintética, ocorre pelo conjunto de organiza-  ponha de governo central. Atividades para   empresas, e até a sociedade civil, de que a
 ca global gera empregos para cerca de 180   ções, instrumentos de políticas, mecanismos   as quais também contribuem muitos atores   solução de muitos desses problemas não
 milhões de pessoas e fornece uma fonte pri-  de financiamento, regras, procedimentos e   da sociedade civil, além de, é claro, gover-  tem como se restringir aos mecanismos
 mária de proteína para mais de 1 bilhão de   normas que regulam os processos de prote-  nos nacionais e organizações internacionais   tradicionais da coerção e autoridade for-
 pessoas (FAO 2020). Além disso, estimativas   ção ambiental global (YOUNG, 2017).   (ROSENAU, CZEMPIEL, 2000; GONÇALVES,   mal. Mas também não se trata de rejeitar
 do valor econômico dos serviços ambientais   A construção dessa agenda de gover-  COSTA, 2011; YOUNG, 2017).   as formas tradicionais do exercício do po-
 comercializados e não comercializados (for-  nança ambiental global visa fundamental-  Além da desconcentração de poderes,   der. O desafio é incorporar dimensões que
 necimento de alimentos, oxigênio, água e   mente permitir que a cooperação e a di-  do compartilhamento de decisões e do   vêm adquirindo importância estratégica,
 regulação do clima) chegam a um total de   plomacia sejam alcançadas para resolver   envolvimento de novos atores não esta-  baseadas  em  instituições  e  organizações
 21 trilhões de dólares americanos por ano   grandes problemas ambientais, com partici-  tais, como poderes supranacionais, setor   extraestatais de cooperação para que tor-
 (CONSTANZA, 1999; HALPERN et al., 2012).  pação cada vez mais ampliada de múltiplos   privado e organizações da sociedade civil,   nem mais efetivos os processos de nego-
 Essa magnitude e interdependência   autores (GONÇALVES, COSTA, 2011). Com   a governança global enfrenta o desafio da   ciação voltados à formação de consensos
 com diversos setores da sociedade faz com   a crescente influência da Ciência na toma-  amplificação vertiginosa dos temas que   capazes de garantir aplicabilidade e conti-
 que  a perspectiva  global  de governança   da de decisão diplomática, em particular na   passam a ser regulados também no plano   nuidade no espaço e tempo.
 do oceano exija lidar com problemas que   governança do oceano, é imprescindível a   dos regimes e organizações multilaterais   A diplomacia científica contribui nesse
 transcendem os limites de soberania e ge-  compreensão da dinâmica entre pesquisa e   (CHASEK; WAGNER, 2012). É o caso, por   sentido, já que os resultados científicos têm
 opolítica, ou seja, implica mecanismos que   relações internacionais, tema central da Di-  exemplo, do oceano. A governança global   se tornado fator determinante de consen-
 não estão na esfera dos estados nacionais   plomacia Científica no Oceano (POLEJACK,   do oceano não é um núcleo de autoridade   sos  ambientais  no  âmbito  internacional.
 e compreendem um conjunto de situações   BARROS-PLATIAU, 2020). E é nesse sentido   com latitude para determinar o que todos   As evidências científicas disponíveis hoje
 nas quais os Estados e os grupos (indivíduos,   que este capítulo busca discutir a relevân-  os países devem fazer. O que há é uma cen-  tanto apontam para os limites planetá-
 ONGs, empresas) interagem. Por isso, o tra-  cia da cooperação e da diplomacia científica   tral de coordenação representada pela Or-  rios, nos quais a humanidade pode ope-
 tamento dos problemas ambientais no oce-  para a governança e a economia do oceano,   ganização das Nações Unidas (ONU) e suas   rar com segurança, quanto também dis-
 ano só pode ser analisado sob a ótica da go-  com destaque para o caso brasileiro.  agências, bem como as cúpulas periódicas   cutem soluções inovadoras na busca de
                  entre seus membros. No âmbito da ONU,     um planeta mais sustentável. Nesse sen-
                  a governança é uma forma de articulação,   tido, a ciência torna-se ator crítico nos
 2. Panorama: relevância do oceano na cooperação e diplomacia   e não de comando. Para alguns estudiosos   processos de tomada de decisão interna-
                  do tema, o objetivo maior da governança   cional. Assim nasce a diplomacia científi-
 Ao longo das últimas décadas, os pro-  as regras e normas institucionais. Embora   global é melhorar o estado atual do am-  ca, na busca de compreender a dinâmica
 blemas ambientais têm sido cada vez mais   a cooperação em ambiente anárquico pos-  biente rumo a um desenvolvimento sus-  entre imperativos distintos com sistemas
 abordados por  meio de instituições inter-  sa ser difícil, as melhores análises sobre as   tentável (RIBEIRO, 2012; NAJAM, PAPA &   de valores próprios pertencentes ao mé-
 nacionais. Estima-se  que existam mais de   relações internacionais têm demonstrado   TAIYAB, 2006; YOUNG, 2021).  todo científico e aos processos políticos
 700 acordos ambientais multilaterais (MIT-  nos últimos 30 anos que frequentemente   No entanto, o futuro da governança do   em âmbito internacional.
 CHELL, 2003). Além disso, há mais de 155   a cooperação pode ser alcançada confe-  oceano como possibilidade de efetivo en-
 acordos registrados com as Nações Unidas   rindo maior eficácia à governança global   frentamento dos graves desafios socioam-  O que é diplomacia científica?
 desde 1921, e mais de 90 Acordos Am-  (KEOHANE, 1984; KRASNER, 1983; SNI-  bientais do século XXI depende de fatores
 bientais Internacionais (IEA, na sigla em in-  DAL, 1993; YOUNG, 2017; 2021).  que na realidade estão absolutamente rela-  Diplomacia científica é um recente
 glês) desde a Conferência das Nações Uni-  A expressão “governança global” co-  cionados, mas que podem ser classificados   campo de pesquisa, mas uma prática an-
 das sobre o Meio Ambiente, realizada em   meçou a se legitimar entre pesquisadores   de estruturais e conjunturais para efeito de   tiga (TUREKIAN, 2018), lidando com os
 Estocolmo, em 1972 (CHASEK; WAGNER,   e atores chaves do cenário político desde o   inevitável redução analítica. Os estruturais   processos nos quais a evidência científica
 2012). Esses acordos procuram proteger e   final da década de 1980. Basicamente, para   dizem respeito à própria noção de gover-  influencia a diplomacia e vice-versa. Ainda
 melhorar o meio ambiente mediante indu-  designar atividades geradoras de institui-  nança e sua difusão. Tem sido mais difícil do   sem uma definição formal, o conceito de
 ção de cooperação em conformidade com   ções que garantem que um mundo formado   que  se  poderia  imaginar  o  convencimento   diplomacia científica é muito debatido. No



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