Page 142 - Livro - Economia Azul
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entanto, busca estudar como a ciência in-  sejamos detentores de riquezas que vão além                            contribuir com o avanço de um futuro mais   Se cooperar é importante, e tem indica-
               forma a tomada de decisão internacional,  de nossa capacidade científica. Dessa forma,                            sustentável para o oceano.               tivos de sucesso, quais seriam as estratégias
               como a diplomacia pode promover e fo-    o Brasil é alvo de interesse das grandes po-                                Haas (1992) argumenta que a difusão  usadas por outros países para a coopera-
               mentar projetos conjuntos de pesquisa, e  tências científicas do mundo. Pelo viés da                              de novas ideias e informações é um dos  ção e a diplomacia científica no contexto
               também como tais projetos e comunidades  diplomacia científica, temos a chance de or-                             fatores que pode levar a novos padrões de  da Economia Azul que vem dando certo ou
               de pesquisadores podem amenizar ten-     ganizar nosso sistema de ciência e tecnolo-                              comportamento, sendo um determinante  tem  potencial  para  ser  bem-sucedido?  O
               sões políticas (THE ROYAL SOCIETY, 2010).  gia e buscar os elementos estrangeiros que                             necessário de eficácia da cooperação po-  discurso em torno da Economia Azul tem
               Mais recentemente, houve uma tentativa  atendam a nossa demanda nacional, obtida                                  lítica internacional. Além disso, para Haas  sido promovido como algo benéfico, como
               de incluir no conceito o papel que os in-  por meio de amplo diálogo com os atores                                (2015), três principais condições podem  um bem comum a todos. No entanto, di-
               teresses (nacionais, regionais e globais)  envolvidos.  Assim,  a  diplomacia  científica                         contribuir para o sucesso do manejo de  versos países têm adotado diferentes con-
               teriam nas distintas motivações em se en-  pode se tornar uma ferramenta poderosa                                 problemas ambientais através de institui-  ceitos para a Economia Azul com base nos
               gajar em práticas de diplomacia científica  de negociação de acordos bi e multilaterais                           ções. Primeiro, a preocupação governa-   interesses nacionais e na importância que os
               (GLUCKMAN; TUREKIAN; GRIMES, 2018).  e a busca pela implementação das provisões                                   mental deve ser suficientemente alta para  serviços ecossistêmicos marinhos têm para
               Inegável, no entanto, é que cada vez mais  legais contidas nos diversos instrumentos                              mobilizar os estados a ponto de disponibi-  a economia daquele país (PEREIRA, 2020).
               a ciência tem papel importante nos deba-  multilaterais que regram a governança do                                lizarem recursos, já escassos, para resolver  Ponto de inflexão em todos os conceitos
               tes ambientais internacionais.           oceano (POLEJACK; COELHO, 2021).                                         o problema ambiental. Segundo, os pro-   abordados é a necessidade de promover o
                 No oceano, esse papel da ciência tor-                                                                           blemas ambientais comuns e transfrontei-  desenvolvimento de forma sustentável, o
               nou-se preponderante, em especial nas ne-  Por que é importante a cooperação?                                     riços não podem ser efetivamente resolvi-  que em si requer níveis de cooperação no
               gociações para a adoção da Convenção das                                                                          dos sem um ambiente contratual em que  qual a ciência e a diplomacia interagem sig-
               Nações Unidas para o Direito do Mar, ou a   A discussão sobre a governança glo-                                   os estados assumam compromissos que  nificativamente (POLEJACK, 2021).
               constituição do oceano (ROBINSON, 2020).  bal do oceano foi incluída entre os princi-                             sejam capazes de cumprir e honrar. E, por   Assim,  a  cooperação  e a  diplomacia
               Desde a adoção da Convenção e até os dias  pais temas discutidos na Conferência das                               último, mas não menos importante, que  científica apoiam e fomentam a boa go-
               atuais, a ciência tem atuado como uma for-  Nações Unidas sobre Desenvolvimento                                   os estados possuem capacidade política  vernança, que entre outros princípios in-
               ma de poder brando nas negociações oce-  Sustentável – Rio+20 e vem desde então                                   e administrativa para fazer os ajustes do-  clui a existência de um Estado de Direito,
               ânicas, ou seja, uma forma de poder não  ganhando espaço na arena internacional.                                  mésticos necessários para a implementa-  com previsão clara de competências e de
               coercitiva pela qual países seduzem seus  Por meio da Agenda 2030 e em especial                                   ção do acordo.                           responsabilidades no que concerne à ges-
               pares a adotarem posturas e valores basea-  do Objetivo de Desenvolvimento Sustentá-                                 Ainda para Haas e Stevens (2011), o  tão do espaço e dos recursos; a garantia da
               dos na ciência apresentada em negociações  vel 14 (Vida Abaixo da Água), estabelece-                              conhecimento opera e muda o comporta-    participação pública, do acesso à informa-
               internacionais, muitas vezes usada para jus-  ram-se indicadores relevantes para manter                           mento quando organizado e transmitido  ção e da transparência em todo o ciclo das
               tificar fins políticos (NYE, 2017; POLEJACK,  a saúde do oceano e das zonas costeiras.                            de forma que os formuladores de políticas  políticas públicas; a previsão, o monitora-
               2021). Assim, torna-se preponderante o  Ainda, nesse mesmo contexto, as Nações                                    possam entender e confiar na informação.  mento e a fiscalização de instrumentos re-
               entendimento da dinâmica entre ciência e  Unidas lançaram a Década da Ciência do                                  Nesse contexto, regimes que são desenvol-  lacionados à gestão dos recursos; a existên-
               diplomacia no oceano.                    Oceano para o Desenvolvimento Sustentá-                                  vidos por um processo de aprendizagem  cia de equidade e inclusão; a capacidade
                 Países como o Brasil, com alguma ca-   vel (também conhecida como Década do                                     social e cujas regras refletem o consenso  de lidar com emergências e a coerência
               pacidade de pesquisa oceânica, mas ainda  Oceano) (2021-2030) para apoiar os esfor-                               científico sobre sustentabilidade ambiental  de decisões entre diferentes instituições
               longe dos níveis desejados de fomento e  ços científicos de reverter a tendência de                               tendem a ser mais efetivos.              (OLIVEIRA et al., 2022) (Figura 1).
               desenvolvimento de capacidades, têm cer-  degradação do oceano e garantir que seja
               ta dependência das capacidades analíticas  produzida uma ciência oceânica que pos-
               estrangeiras (POLEJACK; BARROS-PLA-      sa ser interdisciplinar e útil no sentido de
               TIAU, 2020). No entanto, nossa posição  apoiar a tomada de decisão (RYABININ et
               geográfica, nossa excelência em produção  al., 2019). Com isso, esforços para a diplo-
               de conhecimento e a rica diversidade social  macia científica e para a cooperação mere-
               e cultural ao longo do Brasil faz com que  cem destaque e atenção para que possam



     140   ECONOMIA AZUL                                                                                                                                                         Governança, Cooperação e Diplomacia no Oceano 141
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