Page 29 - A MINHA, A SUA, A NOSSA MARINHA
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Depois das 10 horas da manhã, Barroso decidiu passar
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                                                                         estavam atracados os navios de López . Tirando vantagem
                                                                         do porte da Fragata Amazonas e contando com a perícia
                                                                         do prático  argentino que tinha a bordo, Bernardo Gustavi-
                                                                                   2
                                                                         no, Barroso usou seu navio para abalroar os paraguaios e
                                                                         vencer a batalha que se encerrava próximo ao fim da tarde,
                                                                         após longas horas . O sinal de bandeiras que representava
                                                                         a frase “sustentar o fogo que a vitória é nossa” foi içado
                                                                         na Amazonas. Foi um improviso, seu navio não contava
                                                                         com o esporão  nem a proa propositadamente reforçada
                                                                                        3
                                                                         para ser empregada como aríete . Tanto o esporão como o
               a coluna brasileira, com o Belmonte à frente, seguido pelo   aríete eram algumas das armas mais utilizadas por navios
               Jequitinhonha e pelos outros navios, avistou as barrancas   na antiguidade e que estavam sendo retomadas, como se
               de Santa Catalina, uma das margens da foz do Riachuelo,   conhecia dos exemplos nos navios na Guerra Civil Norte
               onde estavam fundeados os navios da força paraguaia . A   Americana (1861-1865) em algumas batalhas .
               manobra realizada por Barroso de postar a Fragata Amazo-     Até hoje a Marinha do Brasil comemora o dia 11 de ju-
               nas com o fim de deter possível fuga dos navios paraguaios   nho como Data Magna, em alusão ao que ocorreu há 157
               não foi entendida por alguns dos navios brasileiros, levan-  anos . A força e perspicácia, além dos atos de bravura em
               do o Jequitinhonha a encalhar em um banco e a Belmon-     meio a dificuldades vividas pelos que estavam a bordo
               te, à frente e afastada dos demais, atingida severamente   dos navios da Força Naval comandada por Barroso, são
               pela artilharia do inimigo e encalhada de propósito pela   retomadas continuamente e servem de inspiração para os
               impossibilidade de seguir no combate . A corveta Paranaíba   militares da Marinha de todos os tempos .
               teve problemas no leme, impedida de efetuar a passagem,      Com o final da batalha, o bloqueio no Rio Paraná foi
               oportunidade em que foi abordada por militares paraguaios .   estabelecido e a esquadra paraguaia não era mais uma
               Nesse momento, os brasileiros foram resistindo ao ataque   ameaça .
               de maneira heroica, e até a morte, como aconteceu ao Guar-
               da-Marinha  Guilherme Greenhalg e o Marinheiro Marcílio
                          1
               Dias . Até então, a Força Naval comandada por Barroso es-  2 Pessoa conhecedora com detalhes dos acidentes hidrográficos e topográficos em
               tava em desvantagem ante os paraguaios .                  determinadas áreas, como baías, enseadas, rios, ou mesmo contíguas a portos, e que é
                                                                         contratada para auxiliar pilotos nesses ambientes, inclusive pilotando as embarcações
                                                                         dos contratantes .
                                                                         3 O mesmo que aríete . Trata-se de uma saliência com reforço posicionada na parte
                                                                         mais extrema da frente do navio abaixo da linha d’água, isto é, a roda de proa, e que era
               1 Graduação conferida aos saídos do curso de preparação de oficiais, como era a Escola   utilizada para perfurar os cascos dos navios do oponente no momento em que colidia
               de Marinha, ou voluntários, e que aspiravam ao oficialato, círculo seguinte.  propositalmente contra o inimigo .



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