SecNSNQ realiza o 1º Seminário Regulação Nuclear Naval no Brasil com foco na transição energética no transporte marítimo
A Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (SecNSNQ) realizou, em 27 de fevereiro de 2026, na Escola de Guerra Naval (RJ), o 1º Seminário Regulação Nuclear Naval no Brasil, reunindo representantes de órgãos reguladores, da indústria, da academia e especialistas nacionais e internacionais para discutir o papel da regulação no contexto da transição energética do setor marítimo.
O evento ocorreu em um momento estratégico para a navegação mundial. A Organização Marítima Internacional estabeleceu a meta de neutralidade de emissões de carbono da frota global até 2050, impulsionando o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas para a propulsão naval. Nesse cenário, a energia nuclear foi debatida como alternativa de alta densidade energética, capaz de oferecer propulsão limpa, estável e eficiente para embarcações comerciais de longo curso.
Referências internacionais e alinhamento regulatório
A programação teve início com a apresentação “Regulação Nuclear Naval Internacional”, proferida pela Sra. Karine Herviou, Vice-Diretora Geral e Chefe do Departamento de Segurança e Proteção Nuclear da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Em sua exposição, destacou a importância do engajamento dos Estados-Membros no diálogo internacional para assegurar a implantação segura, harmonizada e protegida de tecnologias nucleares inovadoras no ambiente marítimo, incluindo os pequenos reatores modulares embarcados (SMR).
A visão do regulador no Brasil
O Painel I – “A Visão do Regulador no Brasil” – contou com a participação do Almirante de Esquadra Sílvio Luís dos Santos (Diretor-Geral de Navegação), do Almirante de Esquadra Petronio Augusto Siqueira de Aguiar (Secretário Naval de Segurança Nuclear e Qualidade) e do Dr. Alessandro Facure (Diretor-Presidente da ANSN), sob mediação do Contra-Almirante (RM1-EN) Humberto Moraes Ruivo (SecNSNQ).
O debate abordou o modelo brasileiro de governança regulatória nuclear naval, a integração entre autoridade marítima e autoridade reguladora nuclear, os mecanismos de licenciamento e fiscalização, além do alinhamento do País às melhores práticas internacionais. Também foi ressaltado como a regulação pode proporcionar previsibilidade e confiança institucional para futuros projetos de propulsão nuclear comercial.
Perspectivas do operador e desafios industriais
O Painel II – “Perspectivas do Operador no Brasil” – reuniu o Dr. Fábio Menezes Passarelli (Petrobras), o Vice-Almirante (Reserva) Ney Zanella (Núcleo Brasil Energia Participações) e o Dr. Douglas José Rosa (Constellation Óleo e Gás), com mediação do Contra-Almirante (Engenheiro Naval da Reserva) Ivan Taveira (SecNSNQ).
Foram discutidos aspectos relacionados à viabilidade tecnológica, aos desafios de engenharia, à integração com cadeias logísticas e às expectativas do setor energético e industrial diante da introdução da solução nuclear como alternativa para atendimento às metas globais de descarbonização. Destacou-se, ainda, que a clareza e a robustez regulatória são fatores determinantes para estimular inovação, investimentos e cooperação internacional.
Regulação como instrumento estruturante
Ao longo do Seminário, ficou evidenciado que a regulação nuclear naval não representa obstáculo ao desenvolvimento tecnológico, mas sim instrumento estruturante capaz de assegurar segurança, responsabilidade e confiança. Em um contexto de transição energética global, a construção de um ambiente regulatório sólido é condição indispensável para que novas soluções de propulsão nuclear comercial evoluam de forma segura e sustentável.
Ao promover esse diálogo, a SecNSNQ reafirma seu compromisso com a segurança da navegação, a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento responsável de tecnologias estratégicas, contribuindo para posicionar o Brasil de forma proativa diante das transformações energéticas que moldarão o futuro do transporte marítimo mundial.
Site do 1º Seminário Regulação Nuclear Naval no Brasil




