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Marinha do Brasil apresenta projetos de ciência e tecnologia na maior feira de drones da América Latina

  • Publicado em 23/06/2026 - 10:19
  • Atualizado em 23/06/2026 - 10:31
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Sistemas autônomos, soluções de geointeligência e experiências imersivas voltadas à Defesa Nacional marcaram a participação da Marinha do Brasil (MB) na DroneShow Robotics 2026, realizada de 16 a 18 de junho no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). Por meio da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), a Força apresentou projetos de ciência, tecnologia e inovação desenvolvidos para aplicações em monitoramento marítimo, proteção de infraestruturas estratégicas e apoio às operações navais.

Considerada a maior feira de drones e sistemas autônomos da América Latina e a segunda maior do mundo, a DroneShow atraiu cerca de 10 mil visitantes e reuniu especialistas, empresas, universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais para discutir tendências e apresentar soluções tecnológicas voltadas a áreas estratégicas como defesa, segurança, energia e infraestrutura.

Ao longo dos três dias de evento, a Marinha apresentou em seu estande sistemas autônomos, simuladores e experiências imersivas que permitiram aos visitantes conhecer de perto projetos e soluções tecnológicas desenvolvidos pela Força Naval. As demonstrações destacaram o emprego dessas capacidades em diferentes cenários operacionais, evidenciando o compromisso da Instituição com a inovação e a preparação para os desafios do futuro.

O Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, destacou a importância da participação da Força em eventos voltados à inovação e ao desenvolvimento tecnológico. A DroneShow Robotics proporciona um ambiente privilegiado para a troca de conhecimentos e para a aproximação entre instituições, universidades, centros de pesquisa e empresas que atuam em áreas estratégicas para o País. A participação da Marinha neste evento evidencia o compromisso da Instituição com o desenvolvimento de tecnologias voltadas à Defesa Nacional e reforça a importância da ciência, da inovação e da transformação digital para o fortalecimento das capacidades operativas e da soberania brasileira”, afirmou o Almirante de Esquadra.


Almirante de Esquadra Rabello acompanha as tecnologias apresentadas pela Marinha no evento - Imagem: Terceiro-Sargento Coronha/Marinha do Brasil

Em seu segundo ano consecutivo de participação no evento, a Marinha teve como principal destaque a Plataforma Remota de Interface para Sistemas Marítimos Autônomos (PRISMA), sistema brasileiro de controle e automação de veículos de superfície não tripulados desenvolvido pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV). A tecnologia permite converter embarcações convencionais em Veículos de Superfície Não Tripulados (VSNT), ampliando a consciência situacional dos operadores por meio do processamento de dados que apoiam a tomada de decisão em ambientes marítimos complexos.

O sistema utiliza cartas náuticas vetoriais de alta precisão e recursos avançados de planejamento de rotas, capazes de calcular trajetos seguros e adaptar a navegação às condições ambientais em tempo real. Sua arquitetura modular permite a integração de novas capacidades e o emprego da embarcação em diferentes tipos de missão, como vigilância, reconhecimento, inteligência, guerra de minas, busca e salvamento, patrulha naval e proteção de infraestruturas críticas.

Durante a DroneShow Robotics 2026, o público acompanhou uma demonstração na qual uma embarcação localizada no Rio de Janeiro foi controlada remotamente a partir do estande da Marinha em São Paulo. A apresentação evidenciou o potencial do PRISMA para ampliar a segurança, a eficiência e a flexibilidade das operações navais, reduzindo a exposição de pessoal em áreas de risco e expandindo o emprego de sistemas autônomos no ambiente marítimo.

O Diretor do CASNAV, Capitão de Mar e Guerra Hugo Leonardo Fernandes da Costa, ressaltou a importância do PRISMA para a evolução dos sistemas marítimos autônomos desenvolvidos pela Marinha.

“A demonstração realizada durante a DroneShow evidencia a maturidade tecnológica alcançada pelo PRISMA e sua capacidade de transformar embarcações convencionais em veículos de superfície não tripulados. Trata-se de uma solução nacional que amplia a consciência situacional, aumenta a segurança das operações e abre novas possibilidades para o emprego de meios autônomos no ambiente marítimo”, destacou o Comandante Hugo.


Almirante de Esquadra Rabello acompanha demonstração do PRISMA, que permitiu o controle remoto de um VSNT no Rio de Janeiro a partir do estande da Marinha em São Paulo Imagem: Terceiro-Sargento Coronha/Marinha do Brasil

Além do PRISMA, foram apresentadas outras soluções voltadas ao emprego de sistemas não tripulados, como o Veículo Submarino Autônomo (VSA) utilizado em operações de contramedidas de minagem para varredura do fundo marinho e identificação de objetos submersos.

A participação da Marinha reuniu ainda projetos e experiências imersivas que evidenciam suas capacidades operativas. Entre os destaques estiveram o Robô Expedicionário, desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais (CTecCFN) para atuação em ambientes com risco nuclear, biológico, químico e radiológico (NBQR) e o Simulador Virtual para Estudo Topotático do Terreno (SVETT), empregado na formação dos Fuzileiros Navais por meio da visualização tática de qualquer região do globo em ambiente virtual.


Apresentação de Veículo Submarino Autônomo (VSA) voltado ao monitoramento e à coleta de dados - Imagem: Terceiro-Sargento Coronha/Marinha do Brasil

Para o visitante da feira Nicolas Matheus Paparotte, aluno do curso técnico de Agrimensura da Unicamp, a experiência proporcionada pelo SVETT foi uma das atrações mais marcantes do estande da Marinha. “O que mais me chamou a atenção foi o nível de imersão da tecnologia. A sensação de estar observando o terreno de forma realista ajuda a compreender melhor o ambiente e suas características. Eu também não conhecia esse tipo de aplicação desenvolvida pela Marinha, o que tornou a experiência ainda mais surpreendente. Foi muito interessante perceber como essa tecnologia pode ser utilizada de forma prática no planejamento e na execução de operações”, afirmou o estudante.


A experiência imersiva do SVETT foi um dos destaques do evento - Imagem: Terceiro-Sargento Coronha/Marinha do Brasil

No último dia da programação, o Diretor de Gestão de Programas da Marinha (DGePM), Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes, participou do Fórum sobre Geointeligência na Segurança e Defesa, onde abordou o emprego de drones, satélites e sistemas integrados de monitoramento e proteção das águas jurisdicionais brasileiras. Durante a palestra, o Almirante apresentou o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), iniciativa estratégica da Marinha voltada à ampliação da consciência situacional marítima por meio da integração de sensores, radares, sistemas de vigilância, meios navais e informações geoespaciais, contribuindo para o monitoramento, a proteção de infraestruturas críticas e o combate a ilícitos no mar.

Ao comentar a contribuição de tecnologias autônomas para esse cenário, o Vice-Almirante destacou a importância de soluções como o PRISMA para ampliar a capacidade de vigilância da Força Naval. “Sistemas autônomos como o PRISMA representam um importante multiplicador de capacidades para a Marinha. Integrados a iniciativas como o SisGAAz, eles permitem ampliar a coleta de dados, aumentar a presença em áreas de interesse e fortalecer o monitoramento da Amazônia Azul, contribuindo para uma consciência situacional mais abrangente e para a proteção dos recursos e das infraestruturas estratégicas do País”, afirmou o Vice-Almirante.


Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes aborda o emprego de tecnologias integradas para a proteção da Amazônia Azul - Imagem: Terceiro-Sargento Coronha/Marinha do Brasil

Ao participar da DroneShow Robotics 2026, a Marinha reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento de tecnologias estratégicas para a Defesa Nacional, demonstrando como a pesquisa, a inovação e a transformação digital contribuem para o fortalecimento da soberania e das capacidades operativas do País.

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