
A Marinha do Brasil realizou, no dia 30 de janeiro, no Museu Catavento, em São Paulo (SP), o Tributo ao Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, em homenagem aos 50 anos de sua trajetória nas áreas científica, tecnológica e nuclear, trajetória que o consagrou como Patrono da Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha do Brasil.
A cerimônia contou com a presença do Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria; do Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan; do Reitor da Universidade de São Paulo, Prof. Dr. Aluísio Augusto Cotrim Segurado; e do Diretor-Executivo do Museu Catavento, Jacques Kann.
O espaço interativo ofereceu ao público a oportunidade de explorar parte do acervo pessoal doado pela família do homenageado, além de conferir detalhes tecnológicos em maquetes do reator nuclear e do primeiro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA) brasileiro, que levará o nome do renomado militar pesquisador.

O Secretário Vahan Agopyan e visitantes observam parte do acervo do Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva
Durante o evento, O público pôde saber mais sobre o Programa Nuclear da Marinha (PNM) e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha (PROSUB), além de participar de uma experiência imersiva na “Exposição Submarino”, presente no museu desde 2009, que proporciona uma viagem simulada ao fundo do mar e apresenta conceitos de biologia marinha, oceanografia e preservação ambiental.

O simulador de submarino é uma das atrações do Museu Catavento
A cerimônia foi formalizada pela assinatura do convênio entre o Museu Catavento e a Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), que foi representada no ato pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP).

Assinatura do termo de convênio entre a Marinha e o Museu Catavento
O Almirante de Esquadra Rabello agradeceu ao Museu Catavento por incluir em seu acervo informações sobre o PROSUB, o PNM, a ciência nuclear e a trajetória do Almirante Álvaro Alberto. Ele destacou a importância de levar esses temas ao imaginário dos visitantes, reforçando o uso pacífico da energia nuclear como essencial para o desenvolvimento do Brasil e da humanidade.
“Esse convênio representa mais do que uma parceria institucional: simboliza o compromisso comum com a divulgação científica, a preservação da memória nacional e a formação das futuras gerações. Permite levar à sociedade o legado de Álvaro Alberto e evidenciar a relevância da área nuclear com fins pacíficos, das Ciências do Mar e da Amazônia Azul”, explicou o Almirante de Esquadra.

Almirante de Esquadra Rabello entrega a Jacques Kann um quadro do Almirante Álvaro Alberto
Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Vahan Agopyan, afirmou que o reconhecimento da trajetória do Almirante Álvaro Alberto se expressa no Prêmio Almirante Álvaro Alberto, a mais alta condecoração concedida a um cientista brasileiro e símbolo do reconhecimento à excelência científica nacional.
“O Almirante Álvaro Alberto foi, sem dúvida, um visionário. Mais do que isso, foi alguém que soube aliar visão, coragem, honestidade de propósito e capacidade de articulação. Essas virtudes, quando somadas ao trabalho colaborativo entre instituições e pessoas comprometidas com o País, são capazes de produzir resultados duradouros”, afirmou o Secretário Agopyan.
A programação incluiu ainda uma apresentação da historiadora Doutora Camila Martins Cardoso, do Centro Interunidade de História da Ciência da Universidade de São Paulo (USP), autora da tese Arquivo Álvaro Alberto: vida e obra através dos documentos.
“O Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, nascido em 1889, trouxe importantes contribuições para o nosso País. Foi químico especializado em explosivos, professor da Escola Naval, presidiu a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e representou o Brasil na Comissão de Energia Atômica do Conselho de Segurança da ONU, em 1946 e 1947. É também reconhecido como um dos idealizadores de instituições fundamentais, como o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), além de ter sido o primeiro presidente do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), graças aos seus esforços na articulação de políticas científicas, cujo trabalho foi determinante para a formulação das políticas nucleares brasileiras”, disse a pesquisadora Camila.
O educador Diego Pimentel Ferreira dos Santos contou que já conhecia a trajetória do Almirante Álvaro Alberto e defendeu que os jovens precisam se inspirar em sua história. “O Brasil precisa de mais Álvaros Albertos. Ele foi o criador do CNPq. As bolsas do CNPq são as melhores e ajudam muitos estudantes e pesquisadores. Tenho muita admiração e gratidão por tudo o que ele fez, ressalta Diego Santos”.

Público observa o retrato do Almirante Álvaro Alberto
Passados 50 anos de seu falecimento, a influência do Almirante Álvaro Alberto segue presente, inspirando gerações, e agora seu legado será divulgado pelo Museu Catavento.
Inserida em uma estratégia de aproximação com a sociedade, a iniciativa integra ações de divulgação científica no Museu Catavento, com painéis expositivos, maquete do PROSUB, palestras, eventos e atividades educativas voltadas ao público visitante.
Segundo o Diretor-Executivo do Museu Catavento, Jacques Kann, o ano de 2025 marcou um recorde histórico para a instituição, com 820 mil visitantes, desempenho que posiciona o museu entre os três mais visitados do País. Durante o período letivo, o espaço recebe diariamente cerca de 40 ônibus com estudantes, que encontram no Catavento um ambiente onde ciência e tecnologia são apresentadas de forma lúdica, acessível e estimulante.
Instalado no centenário Palácio das Indústrias, edifício tombado e exemplarmente preservado no centro de São Paulo, o museu acumula, em seus 16 anos de existência, mais de 8 milhões de visitantes, consolidando-se como referência nacional em divulgação científica e formação de novas gerações.
O Museu Catavento funciona de terça a domingo, das 9h às 17h, com bilheteria aberta até as 16h.

O Museu Catavento possui 250 instalações, distribuídas em quatro grandes seções: Universo, Vida, Engenho e Sociedade
