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Almirante Tamandaré

  • Publicado em 06/11/2023 - 17:19
  • Atualizado em 10/09/2025 - 12:55
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Almirante Tamandaré

Foto do Almirante Tamamdaré em Preto e braco

O Almirante Joaquim Marques Lisboa era natural do Rio Grande do Sul. Em 1823, ingressou na Marinha como voluntário da Academia Imperial de Guardas Marinha, por ocasião da consolidação da Independência. Durante toda a vida, foi exclusivamente marinheiro. Dedicou-se à Marinha e ao Brasil com todo o amor e devoção. De voluntário da Academia Imperial, classe de aspirante que não tinha foro de nobreza - uma das exigências da época - chegou às glórias do Almirantado.

Oficial brilhante, extremamente dedicado à profissão, "sua fé de ofício é a própria história da Marinha Brasileira", como escreveu o historiador Garcez Palha. Tamandaré foi a própria história viva da Marinha Brasileira em seu tempo. Lutou bravamente na Guerra da Independência. Embarcado na Fragata Niterói, participou do combate contra a Esquadra portuguesa de 4 de maio de 1823 e do célebre cruzeiro desse navio em perseguição aos lusitanos que deixaram a Bahia, em 2 de julho de 1823. Combateu em todas as nossas lutas internas, na Guerra Cisplatina (1825-1828), na Campanha Oriental (1864-1865), na Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1865-1870), nesta exercendo o alto cargo de Comandante em Chefe das forças navais do Brasil.

Também foi protagonista de ações humanitárias de grande repercussão. Como Capitão de Mar e Guerra, foi designado, em 1847, o primeiro Comandante do Vapor D. Afonso, construído na Inglaterra. No Comando desse navio, realizou o salvamento dos tripulantes e passageiros da Galera Ocean Monarch, incendiada nas imediações de Liverpool, em 24 de agosto de 1848. Em reconhecimento, o Governo Britânico ofereceu-lhe um relógio de ouro com a inscrição: "In commemoration of his galant exertion on this melancholy occasion".

Dois anos depois, novamente demonstrou sua liderança e habilidades marinheiras ao socorrer a Nau portuguesa Vasco da Gama, desmastreada por um fortíssimo vento sudoeste, nas proximidades da Baía de Guanabara. Após uma faina complicada devido ao mau tempo, o D. Afonso conseguiu rebocá-la com segurança para o interior da baía. O agradecimento da colônia portuguesa foi materializado presenteando o grande marinheiro com uma espada de ouro. Recebeu o título de Barão, em 1860; Visconde, em 1865; Conde, em 1887 e Marquês de Tamandaré, em 1888. O nome "Tamandaré", escolhido para o título com que foi agraciado, se originou da homenagem que o Imperador D. Pedro II lhe concedera, aludindo ao episódio ocorrido no pequeno porto de Tamandaré, localizado no Estado de Pernambuco, onde o Major Manuel Marques Lisboa, seu irmão, perecera na revolução de 1824.

Símbolo de virtudes cívicas, o grande marinheiro foi, por isso mesmo, elevado às honras e à culminância de Patrono da Marinha Brasileira, pelo Aviso do Ministro da Marinha no 3.322 de 4 de setembro de 1925. A data 13 de dezembro, aniversário de seu nascimento, foi instituída como Dia do Marinheiro. Tamandaré faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 20 de março de 1897

Ilustração da Assinatura de Almirante Tamandaré

A Carta Testamento de Tamamdaré

Exijo que meu corpo seja vestido somente com camisa, ceroula e coberto com um lençol, metido em um caixão forrado de baeta, tendo uma cruz na mesma fazenda, branca, e sobre ela colocada a âncora verde que me ofereceu a Escola Naval em 13 de dezembro de 1892, devendo-se colocar no lugar que faz cruz a haste e o cepo um coração imitando o de Jesus, para que assim ornado signifique a âncora-cruz, o emblema da fé, esperança e caridade, que procurei conservar sempre como timbre de meus sentimentos. Sobre o caixão não desejo se coloque coroas, flores nem enfeites de qualquer espécie, e só a Comenda do Cruzeiro que ornava o peito do Sr. D. Pedro II em Uruguaiana, quando compareceu como primeiro dos voluntários da Pátria para libertar aquela possessão brasileira do jugo dos paraguaios que a aviltavam com a sua pressão; e como tributo de gratidão e benevolência com que sempre me honrou e da lealdade que constantemente a S.M.I. [Sua Majestade Imperial] tributei, desejo que essa comenda relíquia esteja sobre meu corpo até que baixe à sepultura, devendo ficar depois pertencente a minha filha D.M.E.M.L. [Dona Maria Eufrásia Marques Lisboa] como memória d'Ele e lembrança minha.

Exijo que se não faça anúncio nem convites para o enterro de meus restos mortais, que desejo sejam conduzidos de casa ao carro e deste à cova por meus irmãos em Jesus o Cristo que hajam obtido o foro de cidadãos pela Lei de 13 de maio. Isto prescrevo como prova de consideração a essa classe de cidadãos em reparação à falta de atenção que com eles se teve pelo que sofreram durante o estado de escravidão; e reverente homenagem à Grande Isabel Redentora, benemérita da Pátria e da Humanidade, que se imortalizou libertando-os.

Exijo mais, que meu corpo seja conduzido em carrocinha de última classe, enterrado em sepultura rasa até poder ser exumado, e meus ossos colocados com os de meus pais, irmãos e parentes, no jazigo da Família Marques Lisboa.

Como homenagem à Marinha, minha dileta carreira, em que tive a fortuna de servir à minha Pátria e prestar alguns serviços à humanidade, peço que sobre a pedra que cobrir minha sepultura se escreva: Aqui jaz o Velho Marinheiro. Joaquim Marques Lisboa

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