Entre os dias 17 e 19 de novembro, o Comando da Força de Minagem e Varredura realizou a MINEX-2025, mais importante exercício de Guerra de Minas da Marinha do Brasil. Esta edição representou um marco na consolidação das capacidades navais nas áreas de Minagem e Contramedidas de Minas (CMM), destacando avanços significativos em tecnologia, doutrina e integração operacional.
Realismo e inovação
O exercício foi conduzido em estreita coordenação com a ARAMUSS (Aratu Maritime Unmanned Systems Simulation), permitindo a aplicação de Táticas, Técnicas e Procedimentos (TTP) modernos para o emprego de Sistemas Marítimos Não Tripulados (SMNT). Os cenários simulados foram cuidadosamente estruturados para reproduzir situações realistas, alinhadas às práticas de marinhas de referência internacional, impondo desafios técnicos e operacionais às tripulações, analistas e operadores.
Resultados e validação doutrinária
Entre os principais resultados, destacam-se:
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Cumprimento exitoso de objetivos de adestramento nos níveis tático e operacional.
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Exploração intensiva de procedimentos de detecção, classificação, identificação e neutralização de minas.
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Condução de operações de minagem segundo padrões internacionais.
O exercício também serviu como plataforma para validar conceitos em desenvolvimento na Nota Doutrinária sobre Operações de Caça de Minas, acompanhada pelo Centro de Desenvolvimento Doutrinário de Guerra Naval. Essa oportunidade foi essencial para ajustar diretrizes que orientarão o emprego futuro da Força Naval brasileira.
Emprego de sistemas não tripulados
Um dos diferenciais da MINEX-2025 foi a participação simultânea de cinco SMNT em diferentes corredores de navegação (Q-Routes). Entre eles, destacou-se o Veículo de Superfície Não Tripulado (VSNT) WAM-V 16, fornecido pela empresa Oceanwave, que demonstrou excelente desempenho em estabilidade, alcance e integração com sensores de caça de minas.
Pela primeira vez no Brasil, foi utilizado um dispositivo automático de lançamento e recolhimento de ROV (Remotely Operated Vehicle) a partir de uma embarcação não tripulada nacional, o SUPRESSOR X. Esse sistema permitiu identificar uma mina naval remotamente, a partir de um centro de controle em terra — um feito extraordinário, com tecnologia de classe mundial.
O CASNAV (Centro de Análises de Sistemas Navais) também participou ativamente com o VSNT-CASNAV, realizando busca e classificação de objetos submersos a partir da Corveta Caboclo. Esta, por sua vez, conduziu operações de minagem segundo metodologias da OTAN, reforçando o compromisso da Marinha com padrões modernos de emprego operacional.
Para aumentar o realismo, as posições das minas lançadas não foram informadas aos operadores dos SMNT, exigindo confiança plena nos sensores, algoritmos e protocolos táticos. Além disso, o exercício incluiu um cenário de ataque assimétrico, com VSNT simulando ameaças contra o Navio de Comando e Controle. Essa dinâmica reforçou a necessidade de respostas rápidas, coordenação defensiva e gerenciamento de incidentes em tempo real.
Outro avanço relevante foi o emprego do LAUV (Light Autonomous Underwater Vehicle) pelo IPQM, em coordenação com o GDAE-MeC (Grupo de Desativação de Artefatos Explosivos dos Mergulhadores de Combate). A sinergia entre veículos autônomos e mergulhadores especializados permitiu executar todo o ciclo de localização, classificação e neutralização de minas, evidenciando o amadurecimento da capacidade naval em combinar tecnologia de ponta com expertise humana.
A ARAMUSS desempenhou papel essencial como vetor de integração e análise, registrando lições aprendidas e orientando o aprimoramento doutrinário e tecnológico. O intercâmbio entre tripulações, operadores, analistas e engenheiros criou um ambiente fértil para inovação e avaliação crítica dos sistemas empregados.
O MINEX-2025 foi muito mais que um exercício de adestramento: representou uma oportunidade robusta de validação doutrinária, integração tecnológica e fortalecimento das competências nacionais em Guerra de Minas. O emprego de sistemas não tripulados, a condução de minagem nos moldes da OTAN, a simulação de ameaças assimétricas e a integração de equipes especializadas consolidaram o exercício como referência nas Américas.
Os resultados alcançados reforçam o compromisso da Marinha do Brasil com a modernização, interoperabilidade e inovação, ampliando as possibilidades de emprego de sistemas não tripulados e assegurando a defesa dos interesses estratégicos nacionais.

