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CAPÍTULO 1 - AMBIENTE OPERACIONAL


         1.1 – INTRODUÇÃO

         A  ideia  de  um  “pacifismo  unilateral"  dificulta  a
         identificação  de  ameaças  ao  Brasil,  como  também
         é  insustentável,  quando  constatamos  as  diversas
         formas de disputa que ocorreram – e ainda ocorrem
         – na história da civilização.


         Na  dinâmica  e  amplitude  atuais  de  emprego do
         Poder  Naval,  constatamos  a  distância  existente
         entre o “pacifismo unilateral” e a realidade daquelas
         ameaças  que,  direta  ou  indiretamente,  exigem
         crescentes níveis de prontidão. Assim, é importante
         identificar  as  ameaças  existentes  ou  potenciais
         ao Brasil  e estimular  o desenvolvimento de uma
         mentalidade  de  defesa  na  sociedade  brasileira,  de
         modo a destacar a importância das questões que
         envolvam  antagonismos  aos  interesses  nacionais,
         em todas as suas vertentes.


         Nesse  contexto,  o  ambiente  operacional  marítimo
         e  fluvial  caracteriza  uma  ampla  porta  de  entrada,
         tanto para o intercâmbio de riquezas e obtenção de
         prosperidade, como para os perigos de toda a ordem,
         representados pelos diversos  tipos de ameaças à
         sociedade existentes no mundo globalizado (estatais;
         criminosas; não convencionais;  decorrentes  de
         fenômenos da natureza; pandemias; disputas por
         recursos naturais, como água e minérios; mudanças
         climáticas;  “ciberterrorismo” e o “bioterrorismo”).

         Dessa    forma,  é    importante  considerar  posiciona-  Fragata União em operação na Amazônia Azul
         mentos pautados em análises coerentes de situações
         político-estratégicas que  envolvam  os interesses
         nacionais  e  justifiquem  o  emprego  das  Forças  1.2 –  MAR E ÁGUAS  INTERIORES:  RIQUEZAS  DO
         Armadas  (FA).  Tais análises  envolvem  conceitos  BRASIL
         “oceanopolíticos”,  como  o  Poder  Marítimo  e  a
         Amazônia Azul, e também devem considerar o caráter  O mar e as vias navegáveis interiores são vitais para o
         dual do ambiente marítimo e fluvial, que poderá ser  Brasil. Nas Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB), o
         empregado como vetor para o desenvolvimento  País possui direitos patrimoniais e de soberania que
         econômico e social ou arena para disputas políticas  incluem  o aproveitamento  econômico de recursos
         e militares.                                         até 200 milhas náuticas e, mais além, da extensão do
                                                              solo e subsolo das áreas submarinas do País, definido
         Este capítulo tem o propósito de apresentar o ambiente  pelos limites da Plataforma Continental. Estamos
         operacional marítimo e fluvial, sua importância, bem  apontando uma área que, acrescida da Elevação do
         como conceitos político-estratégicos que salientam a  Rio Grande , abrange cerca de 5,7 milhões de km² e
                                                                        1
         contribuição desse ambiente para o desenvolvimento  cerca de 60.000 quilômetros de hidrovias.
         e segurança do Brasil.

         ¹ A Elevação do Rio Grande é uma proeminente feição morfológica do Atlântico Sul, situada a cerca de 1.200 Km de
         Rio Grande-RS, com elevado potencial econômico, mineral e energético, o que lhe confere relevância estratégica.

          12       PLANO ESTRATÉGICO DA MARINHA
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