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ENTREVISTA


           Programas Estratégicos da Marinha



               para a manutenção da soberania e



                                                             da defesa do País






                                                       Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen





            O Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen está                                      Almirante Olsen
          à  frente  da  Diretoria-Geral  de  Desenvolvimento  Nucle-
          ar  e  Tecnológico  da  Marinha  desde  dezembro  de  2017.
          O Órgão de Direção Setorial tem como missão planejar,
          orientar, coordenar e controlar as atividades nucleares,
          científicas,  tecnológicas  e  de  inovação,  atuando  como
          centro executivo do Sistema de Ciência, Tecnologia e Ino-
          vação da Marinha. Contribui para o preparo das Marinhas
          do Amanhã e do Futuro.
            Em entrevista à Nomar,  o Diretor falou sobre as ex-
          pectativas do Programa Nuclear da Marinha para o ano
          de 2021, os desafios e a importância dos Programas Es-
          tratégicos da Marinha para a Defesa do País.

          Por que o desenvolvimento da energia nuclear no Brasil
          está tão ligado à Marinha?
            Para poder contextualizar o tema, é oportuno fazer um
          breve histórico sobre como transcorreu o desenvolvimen-
          to nuclear no âmbito da Marinha, até que fosse obtido o
          domínio da tecnologia nuclear. Coerente à estratégia do
          exercício da soberania ao longo de 200 milhas náuticas   de  um  sistema  de  propulsão  nuclear,  iniciando-se  pela
          sobre o Atlântico Sul adjacentes à linha de costa, o Plano   construção de um reator de pesquisa de baixa potência no
          Estratégico da Marinha de 1979 preceituava a busca pelo   Campus da Universidade de São Paulo (USP). O protótipo,
          domínio do ciclo do combustível nuclear e da tecnologia   batizado de IPEN/MB-01, foi comissionado em 1983, cuja
          aplicada a reatores de potência. O objetivo implícito era   operação ininterrupta desde então permite a realização
          dotar  o  País  de  um  submarino  com  propulsão  nuclear.   de  pesquisas  e  a  produção  de  radiofármacos.  É  impor-
          Contudo, o Tratado de Não Proliferação deixaria tácita a   tante  destacar  que  o  PNM  experimentou,  em  1982,  um
          indisponibilidade da tecnologia necessária para conduzir   expressivo avanço quando o processo de enriquecimento
          um empreendimento dessa magnitude, tornando evidente   isotópico  de  urânio  em  ultracentrífugas  integralmente
          que  era  imprescindível  um  desenvolvimento  autônomo,   projetadas e construídas no Brasil obteve êxito. Em 1988,
          quer  para  o  projeto  e  a  construção  de  uma  plataforma   a inauguração do Centro Experimental Aramar, no muni-
          capaz de embarcar um reator, quer para dispor-se de ele-  cípio de Iperó (SP), permitiu o domínio do ciclo comple-
          mento  combustível,  cujo  domínio  do  ciclo  até  então  re-  to  do  combustível  nuclear.  Hoje,  o  complexo  industrial
          presentava uma incógnita. Para solucionar a questão, foi   abriga diversos laboratórios, destacando-se as cascatas
          criado o Programa Nuclear da Marinha (PNM). Em 1981, a   de  ultracentrífugas  para  enriquecimento  de  urânio  e  a
          Marinha celebrou um acordo com o Instituto de Pesquisas   Planta Nuclear Embarcada, protótipo em terra do siste-
          Energéticas  e  Nucleares  (IPEN)  para  o  desenvolvimento   ma  de  propulsão  do  submarino.  Desde  2008,  quando  o


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