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mar deixou de ser livre e democrático para os navegadores.   fora pela ótica do mar. O desenvolvimento náutico geraria
          Apenas para banhistas e, ainda assim, deslocados para as   emprego, trabalho, renda e impostos.
          praias oceânicas que por vezes possuem índices aprová-  Desperdiçamos a oportunidade de mostrar para o mun-
          veis de balneabilidade.                             do  uma  cidade  olímpica  desenvolvida  e  sustentável.    Já
            Outro dia, um cidadão comum me indagou indignado:   imaginaram  as  competições  de  Vela  em  águas  limpas  e
          "tenho um veleirinho (transporta no teto do carro) e não te-  balneáveis  na  Baía  de  Guanabara?  Constatamos  o  inver-
          nho acesso ao mar, como pode?". Logo disse, "como não?"   so. Cenário nada melhor foi encontrado nas competições
          Ele disse "...aonde? Não temos rampas públicas. Os poucos    de Remo e Canoagem na Lagoa Rodrigo de Freitas, ou, na
          clubes são de limitado acesso! Aonde mais? Me diga!". Parei   competição de Maratona Aquática (Natação) nas águas de
          para refletir e constatei que ele estava coberto de razão.  Copacabana. Não adianta falar apenas na contenção de lixo
            Estive competindo em Miami (EUA), cidade adorada por   e óleo. A questão é qualidade da água! Saneamento!
          muitos brasileiros e refleti quanto ao desenvolvimento de   Perdemos a oportunidade da Rio2016, mas não deve-
          uma metrópole que ousou crescer e conviver em harmonia   mos capitular. Nestes dias, estive em Santos (SP) por oca-
          com o mar. O complexo lagunar foi em parte alterado pelo   sião da 70ª Regata Santos-Rio. Notei que o dilema é exata-
          ser humano, que criou ilhas, marinas, condomínios e uma   mente o mesmo.
          trama de canais artificiais que permitem que um cidadão   O raciocínio vale para todo o Brasil. O desenvolvimen-
          possa  navegar  (com  mastro)  de  Miami  até  Nova  Iorque.   to náutico deve ser priorizado na ótica da solução, e não
          Tudo  isso  com  manguezais  preservados,  águas  irritante-  no raciocínio inverso. O Rio pode ser emblemático, mas a
          mente transparentes e até mesmo Manattees (espécie de   questão é estratégica para todo o país.
          Peixe Boi) em plena área urbana. Admiramos, mas não fo-  Desordem urbana nas grandes cidades no litoral, parece
          mos capazes de copiar.                              não haver limites. Aprovar um empreendimento náutico no
            Imaginem as lagoas de Marapendi e Jacarepaguá navegá-  Brasil requer inúmeras licenças e o sistema é feito para de-
          veis e com águas cristalinas? Imaginem Paquetá com o char-  sestimular o investidor.
          me e turismo de outrora?                               Olhemos para as nações de maior Índice de Desenvolvi-
            O que dizer da bela Baía de Sepetiba e a Baía de Angra   mento Humano - IDH. Coincidentemente são as mesmas de
          dos  Reis  com  marinas  sustentáveis  aos  padrões  interna-  maior grau de maritimidade e cultura náutica. Mera coinci-
          cionais? Que oportunidade de geração de emprego, renda   dência? Não, estratégia de desenvolvimento! Podemos crer
          e trabalho! O que constatamos é o oposto: ocupação de-  que o Almirante estava certo.
          sordenada do solo, ausência de saneamento, descontrole   Desenvolvimento náutico deveria estar aliado às prio-
          urbano, poluição e  assoreamento. Cenário de desinvesti-  ridades das políticas públicas e parceiro das políticas am-
          mento  e  desvalorização  dos  imóveis  e  empreendimentos   bientais. A questão é mudar o paradigma do “não se pode
          turísticos.                                         fazer” para o “como fazer”, dentro das melhores práticas e
            Muitos  dizem:  "Navegação?  Esportes  náuticos?  Temos   regras consolidadas internacionalmente.
          muitas outras prioridades...! Isto é coisa da elite". Triste pen-  Deveríamos  estar praticando  o  desenvolvimento  náu-
          samento conformista.                                tico associado ao desenvolvimento ambiental. Hoje ainda
            A  questão  veio  em  mente  porque,  em  certa  ocasião,   não conseguimos essa integração.
          fui chamado para compor o Conselho Estratégico da Cida-
          de do Rio de Janeiro e um conselheiro chamou a atenção
          para que olhemos com uma visão diferente para o mar da
          cidade maravilhosa.                                                               Lars Schmidt Grael
            O que difere essencialmente o Rio de Janeiro de outras
          metrópoles como São Paulo, Belo Horizonte e Brasília? A
          topografia única e o mar é claro.
            O mar para todos nós é conceitualmente tão especial,
          que uma das obras mais vistosas da Prefeitura do Rio é o
          orgulhosamente denominado MAR - Museu de Arte do Rio.
          Pode se chegar ao imponente Museu do Amanhã de qual-
          quer forma, desde que por terra. Não foi previsto e não é
          permitido atracar pelo mar...
            Precisamos olhar a metrópole fluminense pela ótica que
          eu também vejo, pelo mar. Parte das nossas soluções de
          transporte público poderiam ser solucionadas pela navega-
          ção. Vejam o exemplo da cidade olímpica de Sidney, na Aus-
          trália, por exemplo. A cidade é muito mais bela se vista de


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