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ARTIGO


            O Rio e o mar









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               "O Desenvolvimento de uma nação é proporcional à sua   mércio exterior. Nossa "Receita Federal" era a maravilhosa
            maritimidade". Certa vez ouvi essa máxima de um Almiran-  Ilha Fiscal. A Baía de Guanabara era limpa e com superfície
            te da Marinha do Brasil, quando fui proferir uma palestra na   generosa. Nossa orla era repleta de trapiches (piers) e ram-
            Escola de Guerra Naval.                              pas públicas para livre transporte de cargas e passageiros.
               As  primeiras  nações  que  conquistaram  o  mar  foram   O mar não representava mera beleza e contemplação. Era
            aquelas que conquistaram vastos territórios no Novo Mun-  o eixo do comércio, transporte, lazer, esporte e recreação.
            do, nas Américas, no Oriente, no continente Africano e na   Nos dias de hoje, pagamos caro para vivermos com vis-
            Oceania. Dominaram continentes por séculos por meio do   ta para o mar, mas infelizmente nossa cultura não ultrapas-
            imperialismo e do colonialismo. No mundo contemporâneo   sa à arrebentação das ondas na praia. Nossa cultura náuti-
            globalizado, essas mesmas nações tratam o mar como fon-  ca é mínima e o mar foi desvalorizado com o tempo. Local
            te de riqueza, comércio e possuem portos desenvolvidos.   para admirar, mas, para jogar dejetos que não nos servem.
            Valorizam a cultura marítima e desenvolvem o turismo náu-  Nossa Baía de Guanabara está entre as mais poluídas do
            tico. Navegar, para eles, é uma paixão secular.      planeta e mais de 20 anos se passaram do Plano de Despo-
               Nosso Brasil foi descoberto por meio do mar. Por ele,   luição de Baía de Guanabara - PDBG, ainda com resultados
            extraíram  nossas  riquezas.  Pelo  do  Atlântico  chegou  a   pífios e distantes de um patamar aceitável.
            Família Real Portuguesa, caminho inverso feito mais tar-  Com o desenvolvimento urbano da Grande Rio, construí-
            de pela Família Imperial. O Rio de Janeiro de outrora era   ram aterros e estradas de rodagem separando o cidadão do
            voltado para o mar e nele depositávamos todo nosso co-  mar. As rampas e trapiches desapareceram e o acesso ao


            CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA MARINHA                                                           21
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