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DIÁRIO DE BORDO




          Irmãos de farda

          Capitão-Tenente (AA) Néviton e Suboficial (ES) Neves

          Por: Capitão-Tenente (T) Fernando Jeann Tôrres Araújo e Capitão-Tenente (T) Fernanda Araujo de Castro

          Foto: Acervo Pessoal


                                                                              O  caminho  dos  irmãos  se  cruzou  algu-
                                                                              mas vezes durante suas carreiras, quan-
                                                                              do  serviram  em  uma  mesma  Organiza-
                                                                              ção Militar. “Nas duas primeiras ocasiões
                                                                              éramos Praças e, na primeira delas, no
                                                                              extinto Centro Logístico de Saúde da Ma-
                                                                              rinha, estávamos na mesma graduação,
                                                                              a de Cabo”, disse Neves. Anos mais tar-
                                                                              de, Neves e Néviton tiveram a oportuni-
                                                                              dade de servir juntos novamente, dessa
                                                                              vez na cidade onde nasceram, na área do
                                                                              Comando do 2º Distrito Naval. “Servimos
                                                                              juntos entre os anos de 2010 e 2011 e, no-
                                                                              vamente, de 2015 a 2019, dessa vez ele
                                                                              já como Oficial”, relembrou, referindo-se à
                                                                              aprovação do irmão Néviton no Concurso
          Capitão-Tenente (AA) Néviton e o Suboficial-ES Neves, irmãos de sangue e de farda  para Oficial do Quadro de Auxiliares da Ar-
                                                                              mada, em 2013. “Poderia, inclusive, men-
                                                                              cioná-lo como um excelente exemplo de
          As histórias de vida dos irmãos Néviton   havia passado em um concurso público   dedicação, profissionalismo e sucesso”,
          de Paula Neves, de 45 anos, e Antonio de   na capital fluminense.   orgulha-se Neves ao falar do irmão, que
          Paula Neves, de 43, têm diversos pontos                             também  logrou  êxito  ao  formar-se  ba-
          em comum.  Filhos  de Antonio  e  Alice,   Já o Suboficial-ES Neves nunca havia pen-  charel  em  Direito.    A  última  comissão
          nasceram  em Salvador  e  foram  criados   sado na possibilidade de seguir a carreira   juntos foi no Gabinete do Comandante
          em Feira de Santana, na Bahia, após o pai,   militar,  até  presenciar  o  ingresso  de  seu   da Marinha, onde o Suboficial Neves ain-
          escrivão da Polícia Civil,  ser  transferido   irmão na Força. “Eu pouco sabia sobre a   da serve. Atualmente, o Capitão-Tenente
          para  o município, situado a 108  Km da   Marinha do Brasil e, por isso, a carreira mi-  (AA)  Néviton  serve  na  Junta  Interame-
          capital baiana.                   litar naval não fazia parte de meus planos”,   ricana de Defesa, em Washington, nos
                                            ressaltou. Tudo mudou em 1997, quando   Estados Unidos.
          Ingressar na Marinha do Brasil (MB) era   ingressou, por meio de concurso público,
          um sonho  para  o hoje  Capitão-Tenente   na  Escola  de  Aprendizes-Marinheiros  de
          (AA) Néviton, que, aos 18 anos, pediu de-  Pernambuco (EAMPE). O começo foi difícil,   Além das experiências que compartilha-
          missão da empresa onde trabalhava e en-  devido à intensa rotina aliada à saudade da   ram juntos ao longo da vida e da car-
          trou para a MB como Marinheiro-Recruta.   família e dos amigos. Bem colocado após   reira, os irmãos também acreditam no
          “Meu chefe pediu que eu ficasse um ano   a conclusão do curso, conseguiu ser desig-  esforço pessoal como norte de uma tra-
          no Serviço Militar e depois voltasse para   nado para servir na área do Comando do 2º   jetória de sucesso. “Determinação, leal-
          a empresa, pois as portas estariam aber-  Distrito Naval, na Corveta “Purus”. “Como o   dade e gratidão são as palavras que eu
          tas”. Mas, por sua excelente colocação no   navio estava em período de manutenção,   sempre trouxe comigo na minha carrei-
          Curso de Formação, acabou engajando na   não foi fácil para um Marinheiro de primei-  ra”,  disse  Néviton.  Portanto,  procurem
          Força. “No meu terceiro ano de Marinha,   ra viagem, pois a rotina era exaustiva. Mas,   sempre dar seu melhor, pois certamente
          quando estava indo cursar para Cabo, fui   assim como fiz na EAMPE, ouvi o conheci-  o sucesso será a consequência”. Neves
          novamente convidado para voltar para a   mento e as experiências dos mais antigos,   acredita que dificuldades e desafios fa-
          empresa, dessa vez em um cargo de su-  consegui me adaptar e cumprir as minhas   zem parte de qualquer carreira, seja ela
          pervisão. Mas eu já estava totalmente en-  tarefas”, disse ele, que relembrou, também,   militar ou civil, mas, segundo ele, com
          volvido com a Marinha e queria ser mari-  os conselhos recebidos por seu irmão   perseverança e dedicação, o caminho é
          nheiro, por isso não aceitei”, disse ele, que   Néviton. “Ele dizia: ´Irmão, estude! Sei que   mais fácil. “Tracem objetivos e mante-
          obteve a primeira colocação no Curso de   não será fácil estando longe de casa e da   nham-se focados, pois, com dedicação
          Formação de Cabos e escolheu servir no   família, mas estude, pois valerá a pena´. E   e profissionalismo, os obstáculos serão
          Rio de Janeiro, pois sua esposa, Adriana,   lógico que ele tinha razão”, afirmou.  superados”, finalizou



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