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cerca de US$ 1,5 trilhão por ano, corres- também para os esforços de conservação MCCORMICK, 2002), com o turismo rural riquezas naturais, a produção de energia
pondendo a aproximadamente 3% do valor ambiental das áreas azuis do país. (FARMAKI, 2012) e impactos sobre econo- limpa e o transporte marítimo (EUROPEAN
agregado mundial (WORLD BANK, 2021). Para contribuir com esta discussão, este mias regionais (HADDAD; PORSSE; RABAHY, COMISSION, 2021; TEGAR; SAUT GUR-
No Brasil, o Ministério do Turismo capítulo apresenta uma proposta de defini- 2013) também têm sido reportados. NING, 2018; TONAZZINI et al., 2019).
(MTUR, 2018) tem desenvolvido diferentes ção de turismo azul de acordo com as carac- Uma característica comum aos estudos Neste sentido, o turismo azul pode ser
estratégias regionais para o fortalecimento terísticas das economias das regiões brasi- em economia do turismo é o recorrente des- apontado como uma atividade econômica
e mapeamento do turismo, promovendo leiras. Este mapeamento é importante para taque ao nível de atratividade dos ambientes particularmente relevante para fomentar a
ações e políticas que busquem estimular o orientar a tomada de decisão em relação à costeiros, marinhos e marítimos (BATISTA economia azul, o que se reflete nos estu-
desenvolvimento regional baseado na ativi- valorização das riquezas naturais em torno E SILVA et al., 2021; SHARAFUDDIN; MA- dos aplicados ao campo econômico e social.
dade turística e revalorização das riquezas do turismo como uma das vertentes da eco- DHAVAN, 2020), principalmente em países Sharafuddin e Madhavan (2020) analisaram
naturais. No âmbito da economia azul, o nomia azul. A análise permitirá identificar a e regiões insulares e com fronteira marítima. a evolução dos temas de pesquisa relaciona-
papel das pequenas e médias empresas, localização das áreas potencialmente benefi- Os aspectos naturais do espaço costeiro e dos com economia e turismo azul entre 2000
da integração em cadeias de valor, a sus- ciadas pelo turismo azul, assim como revelar marítimo implicam uma maior disposição e 2019, apontando que os conceitos ecotu-
tentabilidade no contexto da mudança cli- onde os benefícios da atividade econômica a pagar por parte dos viajantes para visitar rismo, desenvolvimento do turismo, turismo
mática e gênero e da diversidade tornam-se estão ocorrendo e em que nível, contribuin- cidades costeiras, ou regiões naturalmente marinho, turismo de cruzeiros e sustentabili-
elementos de alcance da gestão do turismo do para uma melhor compreensão analítica compostas por praias, recifes de coral e dade, além de turismo costeiro e a indústria
azul. Para as regiões costeiras brasileiras, do setor de turismo, e orientar investimen- paisagens marítimas. Essas características de cruzeiros, evoluíram conjuntamente com
que são dependentes do turismo, a capita- tos de proteção aos sistemas naturais que do espaço marítimo e costeiro tornam es- os estudos aplicados de impacto econômi-
lização dos recursos marítimos e costeiros sustentam a própria atividade turística. tas regiões potencialmente atrativas para o co da atividade turística (BALLANTYNE; PA-
requer investimentos em manutenção da O capítulo está estruturado, além da fomento da economia do turismo azul. Tal CKER; SUTHERLAND, 2011; CATLIN et al.,
riqueza oceânica, com investimentos plane- seção introdutória, em mais cinco seções. atratividade regional costeira e marítima 2010; HOSANY; WITHAM, 2009; HUANG;
jados, gestão territorial marinha e políticas Na próxima, se apresenta uma revisão de tem sido ainda mais ressaltada desde a im- HSU, 2009). Essas características apontam
inclusivas que permitam comunidades lo- literatura sobre economia e turismo azul. plementação da Agenda 2030 para o De- para o potencial do turismo azul em gerar
cais serem beneficiadas do capital natural Na sequência, se apresenta uma definição senvolvimento Sustentável das Nações Uni- estruturas produtivas e desenvolvimento de
existente. No entanto, no Brasil, os estudos conceitual e uma métrica de especialização das, principalmente no contexto da econo- escala local (HUH; VOGT, 2007; LI; PETRICK,
aplicados em economia e turismo azul ainda regional em turismo azul para o Brasil. A mia azul. Em 2022, o enfoque de economia 2008; NUNKOO; RAMKISSOON, 2009), prin-
são incipientes, requerendo-se análises que seção 4 mostra os principais resultados da azul tem sido considerado uma importante cipalmente desde o ponto de vista de comu-
permitam mapear e caracterizar o potencial estimação, comparando-se regiões turísticas estratégia de desenvolvimento econômico nidades e das populações costeiras (DIEDRI-
econômico do turismo azul, de forma sus- azuis e não azuis em termos de aptidão à sustentável, em que distintas organizações CH; GARCÍA-BUADES, 2009)).
tentável. Esse conhecimento é importante atividade turística local. A última seção apre- mundiais e governos nacionais, principal- A pesquisa aplicada em turismo costei-
não apenas para a indústria do turismo, mas senta conclusões e considerações finais. mente na União Europeia, têm avançado ro e marítimo também reforça a ideia de
rapidamente na sua incorporação dentro do que o capital oceânico e cultural é capaz
2. Economia do turismo azul marco de desenho de políticas regionais de de motivar as famílias a decidir seus desti-
crescimento econômico sustentável. nos de viagens, em que a experiência com-
Esta seção apresenta o estado da arte ROGERSON, 2013), na economia costeira Em termos gerais, a economia azul pode portamental e econômica dos passageiros
da literatura enfocada em turismo, eviden- (MIKULIĆ; KREŠIĆ; KOŽIĆ, 2015), com enca- ser entendida como uma estrutura para o (tanto de cruzeiros como de outros meios
ciando como os estudos empíricos foram deamentos com o setor de transporte (EIJGE- desenvolvimento sustentável que considera de transporte) se reflete nos gastos em por-
evoluindo e incorporando elementos rela- LAAR; THAPER; PEETERS, 2010) e rodoviário os principais elementos dos ecossistemas. tos e no conjunto setorial econômico local
cionados com a economia azul. Em geral, os (ASAFU-ADJAYE; TAPSUWAN, 2008; NAVAR- Os oceanos são entendidos como espaços (LARSEN et al., 2013). A intenção compor-
estudos sobre os impactos econômicos do RO JURADO et al., 2012), assim como o papel de desenvolvimento, em que o planejamen- tamental nos locais de destino turístico con-
turismo se ampliaram a partir de 2010. Des- do turismo alternativo e ecológico (BOXILL, to espacial marítimo integra diferentes di- tribui para valorizar a gestão e o manejo das
tacam-se a contribuição da atividade turística 2003). Além disso, estudos relacionados com mensões, como a social, a conservação am- praias, assim como se relaciona com dispo-
no desenvolvimento regional e local (PILLAY; a preservação patrimonial (BESCULIDES; LEE; biental, o uso sustentável dos recursos e das sição a pagar dos atores locais e não locais
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