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2.2. O espinhel de fundo 2020). As principais espécies associadas a
essas pescarias no Sudeste e Sul do Brasil Figura 6. Interpolação do esforço de pesca (horas) para a frota brasileira
O espinhel de deriva não é utilizado nas são o peixe-batata (Lopholatilus villarii), os (agrupados os anos de 2013 a 2021) que opera com espinhel de deriva
em toda ZEE brasileira e região oceânica internacional
capturas de peixes demersais e bentônicos, chernes (Epinephelus niveatus e Polyprion
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o espinhel de fundo (Figura 4) é a técni- americanus) e o namorado (Pseudoper cis- 55 0’0 W 50 0’0 W 45 0’0 W 40 0’0 W 35 0’0 W 30 0’0 W 25 0’0 W 20 0’0 W
ca utilizada para capturar essas espécies numida). Espécies como a abrótea-de-pro-
com anzóis (FAO, 2022). Este equipamento fundidade (antes utilizada quase exclusiva-
segue a mesma estrutura do espinhel de mente como isca), o bagre (Genidens bar- 10 0’0’’N 10 0’0’’N
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deriva com anzóis ligados sequencialmen- bus), a corvina, o congro-rosa (Genypterus
te a uma corda de multifilamento principal brasiliensis) e a cação-bico-doce (Heptran-
na qual se prendem os anzóis, utilizam do chias perlo) são também exploradas (Valen- 5 0’0’’N 5 0’0’’N
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mesmo tipo de embarcação (Figura 5), e tin e Pezzuto, 2006).
têm também a premissa de atrair os peixes A frota industrial e semi-industrial brasi-
a partir de iscas presas nos anzóis (FADER leira que atua com espinhel de fundo ope- 0 0’0’’ 0 0’0’’
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et al., 2021). A diferença é que o espinhel rou entre os anos de 2013 e 2021 predo-
de fundo possui boias grandes apenas nas minantemente na região Sul e nos estados
suas extremidades, possuindo boias pe- de São Paulo e Rio de Janeiro, no Sudeste. 5 0’0’’S 5 0’0’’S
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quenas e chumbo por todo o filamento Os maiores esforços de pesca encontram-
principal, fazendo com que estes fiquem -se em áreas de até 100 km da costa, que
sempre muito próximos ou encostando ao apresentam profundidades aproximadas de 10 0’0’’S 10 0’0’’S
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fundo (FAO, 2022). O espinhel de fundo é 100 m. A partir destas áreas, o esforço de
voltado para espécies da família Serranidae pesca é menor, apesar das operações ocor-
(sirigado, garoupas e chernes), dos elas- rem até os 2.000 m de profundidade, em 15 0’0’’S 15 0’0’’S
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mobrânquios (tubarões e raias), da família distâncias da costa aproximadas de 200 km
Lutjanidae (vermelhos), da família Carangi- (Figura 7). Essa frota representou 32,4%
dae (xareús e arabaianas) e Sparidae (par- dos registros das embarcações rastreadas 20 0’0’’N 20 0’0’’N
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gos) (ECHWIKHI et al., 2014; PINHO et al., pelo PREPS no período.
25 0’0’’S 25 0’0’’S
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30 0’0’’N 30 0’0’’N
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35 0’0’’S 35 0’0’’S
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40 0’0’’S 40 0’0’’S
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55 0’0 W 50 0’0 W 45 0’0 W 40 0’0 W 35 0’0 W 30 0’0 W 25 0’0 W 20 0’0 W
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0 310 620 1.240 1.860 2.480 3.100
Kilometers
Fonte: Autores baseado na Global Fishing Watch (2022)
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