Page 634 - Livro - Economia Azul
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Figura Z1
               A Província de Hidratos de Gás do Cone de Rio Grande


                 O Cone de Rio Grande (CRG) está lo-    em um conjunto de horsts e grabens. No
               calizado na porção sul da Bacia de Pelotas   domínio compressional (retângulo vermelho
               e possui uma área aproximada de 35.000   da Figura Z1) ocorrem as falhas de empurrão
               km², em lâmina-d’agua entre 200 e 3.000   com cavalgamento e dobramento das cama-
               m, distante 200 km da cidade de Rio Gran-  das sedimentares, dobras com alto ângulo de
               de. A espessura máxima de sedimentos che-  fechamento que formam desníveis da ordem                                                                                             30 o 0’0’’S
               ga a cerca de 5.000 m (FONTANA, 1996),   de 200 m no fundo marinho (SILVEIRA e MA-
               depositados desde o Mioceno  inferior, há   CHADO, 2004; CASTILLO et al., 2009).
               cerca de 23 M.a. O CRG é composto, prin-    Diferentemente da região do Leque da
               cipalmente, por sedimentos siliciclásticos   Foz do Amazonas, o refletor BSR se apre-                                                                               Legenda
               finos, cuja construção é atribuída a fluxos   senta de modo contínuo nas linhas sísmi-                                                                                Bacia_de_Pelotas
               provenientes de três drenagens distintas,   cas, desde a batimetria de 520 m até apro-                                                                                BSR
               os rios de La Plata (MARTINS et al., 1972;   ximadamente 3.500 m de lâmina-d’água,
               CONTRERAS et al., 2010), Camaquã e Jacuí   extrapolando o limite leste do Cone. Sua
               (BUENO, 2021), embora hoje não exista ne-  área de ocorrência alcança os 35.000 km 2
               nhuma drenagem de porte ali desaguando.   (Fig Z1), com espessura média em torno                                                                                                35 o 0’0’’S
                 Da mesma forma que o Leque da Foz do   de 200-300 m (SAD et al., 1998; OLIVEIRA
               Amazonas, o CRG está em processo de colap-  et al., 2010). Sad et al. (1998), assumindo                                                           50 o 0’0’’’W          45 o 0’0’W
               so gravitacional, onde a porção superior es-  estes parâmetros volumétricos e estiman-                                                        Domínio Distensional    Domínio Compressional
               correga sobre a superfície de detachment na   do uma saturação 1,5% de hidratos de                                                                                                1.000
               base da sequência miocênica. As estruturas   gás, concluem existir um volume  possível                                                                                            2.000
                                                                                  3
               formadas na região do CRG têm sua gênese   de 780 tcf (~22 trillhões de m ) de metano                                                                                             3.000
                                                                                                                                                                                                 TWTs
               relacionada ao rápido acúmulo de sedimen-  na região. Ressalte-se que estes números                                                                                               4.000
               tos provindos do oeste-sudoeste, a partir do   foram baseados em volumes extrapolados                                                                                             5.000
               Mioceno, associados megamovimentos de    dos dados sísmicos.                                                                                                                      6.000
                                                                                                                                                                                                 6.500
               massa (MTDs) para leste-nordeste, formando
               uma zona de sobre pressão, substrato à mo-  Fig. Z1: Mapa batimétrico do fundo oceâ-                                                                                              3.000
                                                        nico ressaltando a área de ocorrência do
               vimentação tectônica (zona de detachment).   BSR no Cone de Rio Grande, em azul. A                                                                                                4.000
               Esta superfície de descolamento fez com que   – Linha sísmica A-A’ mostrando superfície                                                                                            TWTs
               todas as camadas acima dela se movimen-  de descolamento, em amarelo, e os domí-                                                                                                  5.000
               tassem, formando dois domínios tectônicos   nios distensional e compressional; no do-
               com características estruturais distintas, o do-  mínio distensional são reconhecidas falhas                                                                                      6.000
               mínio distensional e o domínio compressio-  normais lístricas (preto) e falhas normais
               nal (MILLER et al., 2015 – Figura Z1).   planas, sintéticas e antitéticas (verde). O                                                                                              3.500
                 No domínio distensional, junto ao limite   domínio compressional está caracterizado
               oeste do CRG, falhas normais e lístricas favo-  por falhas de empurrão (vermelho). A li-                                                                                           TWTs
               receram a migração de gás na posição do de-  nha azul tracejada corresponde ao BSR. B                                                                                             4.000
               pocentro, e o aumento da pressão nos sedi-  – Retângulo vermelho correspondente ao
               mentos provocou a formação de diápiros de   detalhe das dobras. C – Nota-se o cavalga-                                                                                            4.500
               lama, anticlinais residuais e enxames de fa-  mento das camadas de NW-SE.
               lhamentos que acomodam a movimentação                       Fonte: Miller et al., (2015)


                                                                                                                                                                                                                       633
     632   ECONOMIA AZUL                                                                                                                                                        Estado da Arte das Ocorrências de Hidratos de Gás 633
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