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Figura Z1
 A Província de Hidratos de Gás do Cone de Rio Grande


 O Cone de Rio Grande (CRG) está lo-  em um conjunto de horsts e grabens. No
 calizado na porção sul da Bacia de Pelotas   domínio compressional (retângulo vermelho
 e possui uma área aproximada de 35.000   da Figura Z1) ocorrem as falhas de empurrão
 km², em lâmina-d’agua entre 200 e 3.000   com cavalgamento e dobramento das cama-
 m, distante 200 km da cidade de Rio Gran-  das sedimentares, dobras com alto ângulo de
 de. A espessura máxima de sedimentos che-  fechamento que formam desníveis da ordem   30 o 0’0’’S
 ga a cerca de 5.000 m (FONTANA, 1996),   de 200 m no fundo marinho (SILVEIRA e MA-
 depositados desde o Mioceno  inferior, há   CHADO, 2004; CASTILLO et al., 2009).
 cerca de 23 M.a. O CRG é composto, prin-  Diferentemente da região do Leque da
 cipalmente, por sedimentos siliciclásticos   Foz do Amazonas, o refletor BSR se apre-  Legenda
 finos, cuja construção é atribuída a fluxos   senta de modo contínuo nas linhas sísmi-  Bacia_de_Pelotas
 provenientes de três drenagens distintas,   cas, desde a batimetria de 520 m até apro-  BSR
 os rios de La Plata (MARTINS et al., 1972;   ximadamente 3.500 m de lâmina-d’água,
 CONTRERAS et al., 2010), Camaquã e Jacuí   extrapolando o limite leste do Cone. Sua
 (BUENO, 2021), embora hoje não exista ne-  área de ocorrência alcança os 35.000 km 2
 nhuma drenagem de porte ali desaguando.   (Fig Z1), com espessura média em torno   35 o 0’0’’S
 Da mesma forma que o Leque da Foz do   de 200-300 m (SAD et al., 1998; OLIVEIRA
 Amazonas, o CRG está em processo de colap-  et al., 2010). Sad et al. (1998), assumindo   50 o 0’0’’’W  45 o 0’0’W
 so gravitacional, onde a porção superior es-  estes parâmetros volumétricos e estiman-  Domínio Distensional  Domínio Compressional
 correga sobre a superfície de detachment na   do uma saturação 1,5% de hidratos de   1.000
 base da sequência miocênica. As estruturas   gás, concluem existir um volume  possível   2.000
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 formadas na região do CRG têm sua gênese   de 780 tcf (~22 trillhões de m ) de metano   3.000
 relacionada ao rápido acúmulo de sedimen-  na região. Ressalte-se que estes números   TWTs
                                                                                   4.000
 tos provindos do oeste-sudoeste, a partir do   foram baseados em volumes extrapolados   5.000
 Mioceno, associados megamovimentos de   dos dados sísmicos.                       6.000
                                                                                   6.500
 massa (MTDs) para leste-nordeste, formando
 uma zona de sobre pressão, substrato à mo-  Fig. Z1: Mapa batimétrico do fundo oceâ-  3.000
 nico ressaltando a área de ocorrência do
 vimentação tectônica (zona de detachment).   BSR no Cone de Rio Grande, em azul. A   4.000
 Esta superfície de descolamento fez com que   – Linha sísmica A-A’ mostrando superfície   TWTs
 todas as camadas acima dela se movimen-  de descolamento, em amarelo, e os domí-  5.000
 tassem, formando dois domínios tectônicos   nios distensional e compressional; no do-
 com características estruturais distintas, o do-  mínio distensional são reconhecidas falhas   6.000
 mínio distensional e o domínio compressio-  normais lístricas (preto) e falhas normais
 nal (MILLER et al., 2015 – Figura Z1).  planas, sintéticas e antitéticas (verde). O   3.500
 No domínio distensional, junto ao limite   domínio compressional está caracterizado
 oeste do CRG, falhas normais e lístricas favo-  por falhas de empurrão (vermelho). A li-  TWTs
 receram a migração de gás na posição do de-  nha azul tracejada corresponde ao BSR. B   4.000
 pocentro, e o aumento da pressão nos sedi-  – Retângulo vermelho correspondente ao
 mentos provocou a formação de diápiros de   detalhe das dobras. C – Nota-se o cavalga-  4.500
 lama, anticlinais residuais e enxames de fa-  mento das camadas de NW-SE.
 lhamentos que acomodam a movimentação   Fonte: Miller et al., (2015)


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