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Dessa forma, são marcados  atualmente   priação e os seus usos (MORAES, 1999). É   seu potencial de expansão ainda não foi   Outro vetor de ocupação da zona cos-
 por uma apropriação sociocultural que os   interessante notar que esta lógica da valo-  explorado devidamente, principalmente no   teira que atualmente encontra-se em evi-
 identifica como local de veraneio e lazer  rização e apropriação está relacionada aos   contexto da cabotagem e no transporte de   dência é o turismo, considerado a vocação
 por excelência, quando bem preservados.   espaços horizontais assim como aos verti-  águas interiores, contudo, a recente publi-  de muitos municípios costeiros. Segundo
 As dimensões das áreas utilizadas pelos  cais, ou seja, quanto mais ampla é a mi-  cação da legislação – Lei nº 14.301, de 7 de   Moraes (2004), são as funções turísticas
 empreendimentos na zona costeira estão   rada para o litoral, maior será o seu valor.   janeiro de 2022 – institui o Programa de Es-  as principais responsáveis pela dinâmica
 diretamente relacionadas ao seu retorno,   Sendo assim, é importante destacar que   tímulo ao Transporte por Cabotagem (BR do   hoje vivenciada em tais espaços. Esta ativi-
 vide exemplo, os complexos portuários e   o objetivo do capítulo é propor um modelo   Mar) como nova forma de estímulo ao setor.   dade vem explorando os ambientes litorâ-
 turísticos. Submetidos a uma lógica mer-  para identificar setores e atividades econô-  O principal problema relacionado à in-  neos num processo bastante desordenado.
 cantil, o valor dos espaços costeiros é bem   micas mais compatíveis aos territórios dos   dustrialização na zona costeira é a degrada-  Multiplicam-se os complexos hoteleiros,
 mais elevado do que os da hinterlândia,   municípios costeiros, denominado Design   ção ambiental provocada pelos lançamen-  os balneários e as marinas, criando um
 o que acaba por condicionar a sua apro-  de Negócios Azuis.   tos de rejeitos e efluentes carreados pelos   mercado imobiliário com insuficiente visão
                  rios e pela atmosfera. Entretanto, algumas   de ordenamento espacial, estabelecendo
 2. Da Economia do Mar à Economia Azul   outras formas de poluição são lançadas   empreendimento sem infraestrutura de sa-
                  diretamente nos oceanos, como podemos     neamento e apropriando-se ilegalmente de
                  citar: as tubulações de efluentes industriais   áreas públicas (QUADROS; FILHO, 1998).
 A  formação  da Economia  do  Mar  flo-  A atividade industrial tem-se intensi-  e urbanos, emissários submarinos, rejeitos   A falta de ação política na zona costeira
 resce em pequenos agrupamentos huma-  ficado na zona costeira com a criação de   das operações da indústria petroquímica e   permitiu que municípios sem infraestrutura
 nos através do uso do mar nas atividades   diversos polos e distritos industriais, sobre-  das plataformas de petróleo e, finalmente,   turística deixassem construir enclaves, re-
 de transporte e comércio marítimo, junta-  tudo os relacionados à produção de ener-  das atividades marítimo-portuária, através   dutos isolados, em seus territórios. Os ho-
 mente com a atividade pesqueira devido   gia através da produção de petróleo e gás,   de lavagens de porões e resíduos de bar-  téis tipo resorts contribuem, sem dúvida,
 à abundância de alimentos e à rica biodi-  e  atualmente,  das  renováveis  conforme   caças. No que se refere ao gerenciamen-  com arrecadação de impostos municipais e
 versidade  disponível  nas  águas  costeiras.   o Decreto nº 10.946 de 25 de janeiro de   to costeiro, é importante uma política que   estaduais, contudo, para a economia local
 Muitos dos aglomerados urbanos e cidades   2022, que trata da cessão de uso de espa-  integre as metas dos setores industriais a   pouco contribuem, geram grandes exter-
 costeiras do mundo possuem uma cultura   ços físicos e o aproveitamento dos recursos   maior eficiência ambiental das atividades,   nalidades socioambientais, alterando ecos-
 e um modo de vida associado ao mar, com   naturais em águas interiores de domínio da   principalmente as do setor do petróleo e as   sistemas, bem como a cultura local, geran-
 áreas de elevado potencial econômico para   União, no mar territorial, na zona econô-  do setor marítimo-portuário.   do, consequentemente, uma desagregação
 a nossa sociedade moderna. A produtivi-  mica exclusiva e na plataforma continental   A urbanização é o principal vetor de ocu-  social das comunidades tradicionais onde
 dade das  lagoas costeiras, manguezais  e   para a geração de energia elétrica a partir   pação da zona costeira, que, desde o pe-  se instalaram. Atualmente novas formas
 estuários têm um importante papel a de-  de empreendimento offshore, o que pode-  ríodo colonial, o país apresenta um modelo   de turismo se apresentam, como aponta
 sempenhar na produção alimentar, através   rá gerar sérios impactos socioambientais   econômico voltado para a exportação. Um   Weeden (2001), seguindo os princípios da
 da manutenção da pesca e da aquicultura,   se não forem gerenciados com a partici-  fenômeno que caracteriza a urbanização na   sustentabilidade, e que estão relacionados
 bem como na preservação da cultura e da   pação da sociedade nos lugares onde se   zona  costeira é o  descontrole do ordena-  com a equidade social, econômica e am-
 biodiversidade (BARROS, 2003).  encontram instalados esses empreendi-  mento espacial, que tem sua matriz história   biental. Acrescenta ainda que existem dife-
 Segundo Carvalho e Rizzo (1994) e   mentos. A industrialização foi responsável   vinculada às dinâmicas dos ciclos econômi-  rentes formas de turismo sustentável, como
 Quadros e Filho (1998), os vetores de ocu-  pelo processo de urbanização, induzindo   cos ali implantados. Este processo tem ge-  o turismo comunitário, turismo responsável
 pação da costa brasileira, bem como o de-  a população brasileira para uma nova or-  rado um inchaço das grandes cidades cos-  e ecoturismo, contudo, cada tipologia tem
 senvolvimento de uma economia do mar   denação espacial. O crescimento industrial   teiras, cabendo destacar, segundo Moraes   seu próprio ponto de vista ético.
 foram: (1) a industrialização, que está li-  brasileiro centralizou-se principalmente no   (1999), que cinco das nove regiões metro-  Gostaríamos de salientar que quando
 gada diretamente ao segundo vetor, (2) a   eixo Rio-São Paulo, onde estão localizados   politanas do país se localizam nessa faixa,   tratamos de economia do mar remete-se
 urbanização. Por sua vez, esta última está   os maiores portos e terminais do país, o   agregando 15% da população. No estado   à ideia de uma economia tradicional, já
 ligada ao terceiro vetor, (3) o de transportes   de Santos, o do Rio de Janeiro e o de Ita-  do Rio de Janeiro, este número aumenta   consolidada em designs economicamente
 e, finalmente o quarto, (4) o turismo.   guaí. O setor de transporte marítimo com   para 65% da população (BARROS, 2007).  lucrativos, mas que trazem externalidades


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