Page 595 - Livro - Economia Azul
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exportador  de  café,  e  tendo  a  Inglaterra   econômicos, com características regionais,   empobrecimento das camadas mais caren-  setor  externo  dessas  economias,  compro-
 como principal cliente nos mercados mun-  o Brasil teve apenas 3 modelos de financia-  tes da população (DINIZ, 1978). Entendia-se   mete as moedas, compromete a estabilida-
 diais (DRAIBE, 1985).  mento, sendo apenas 2 na sua fase inde-  que a dinâmica do setor público poderia   de monetária e desacelera o crescimento
 Uma terceira fase inicia-se nos anos   pendente. Modelos esses que refletiram o   criar compensações às camadas econômicas   econômico, gerando desemprego e estag-
 1930, em consequência de mudanças sig-  privilégio de relações com Portugal, Ingla-  prejudicadas no decorrer do processo de de-  nação. A rápida mudança das condições,
 nificativas no contexto mundial, na vida   terra  e  Estados  Unidos,  respectivamente,   senvolvimento (DRAIBE, 1985).  ademais, cria traumas e pressões em um
 social brasileira e aos quais a economia não   em que cada nação a seu tempo espelhou   A cooperação e chegada de recursos   contexto de sociedade de massas, politica-
 ficou alheia, em especial. Além de uma troca   a sua posição mundial na afinidade com a   internacionais  também  se  deu  por  meio   mente volúvel (CARVALHO; LIMA, 2009).
 do principal parceiro, com os EUA assumindo   economia brasileira. A terceira fase ganha   de  instituições  multilaterais,  como  o  FMI,   São esses fatos que, em nossa interpre-
 protagonismo  a partir dos conflitos mun-  destaque por equivaler a economia brasi-  e curiosamente acelera-se na crise do pe-  tação, ainda que distantes, condicionam o
 diais, opta-se por um financiamento e estra-  leira às principais economias do mundo,   tróleo: com a liquidez gerada pelos inves-  presente em termos de desempenho eco-
 tégia consolidados no setor público (BAER,   seja em perfil, seja em importância (BAER;   timentos árabes em bancos europeus e   nômico. Esgota-se, em paralelo, a capaci-
 KERSTENETZKY; VILLELA, 1973). Não pode   KERSTENETZKY; VILLELA, 1973).  americanos, estes recursos necessitavam   dade do setor público manter os projetos
 passar  despercebida a tendência mundial   Esta última fase é importante para en-  de investimentos lucrativos, e os países da   operacionais e ampliá-los, ao que tam-
 nesse sentido, reflexo das necessidades de   tendermos o processo atual. Os fundos in-  América Latina contraíram os empréstimos   bém, por ocasião da dívida externa cres-
 ações militares e organização do estado para   ternacionais em contínuo fluxo, contudo,   para seus projetos de desenvolvimento.   cente e em alguns casos não paga confor-
 enfrentar as crises econômicas. A criação de   não tinham o Brasil como uma prioridade:   Não à toa, tornaram-se à época os países   me o previsto, novos aportes externos se
 estatais e órgãos de regulação passa a ser   como área refratária da Guerra Fria, o Brasil   mais endividados do mundo, tanto em ter-  tornam inviáveis. Com o esgotamento da
 uma crescente, além de proporcionar uma   tinha menor importância do que o leste da   mos absolutos como em termos per capita.   fonte de financiamento, esgota-se a capa-
 estrutura de planejamento para identifica-  Ásia, a Europa Ocidental e o Oriente Mé-  A estratégia dos países em desenvolvimen-  cidade de viabilização de projetos. O que
 ção de gargalos e direcionamentos possíveis   dio. A chegada de multinacionais, transfe-  to, todavia, parecia adequada, pois despro-  era um crescimento econômico ao redor
 (MALAN; BONELLI; ABREU; PEREIRA, 1977).  rindo sua tecnologia, foi marcante no perí-  vidos de capital e diante de juros baixos, o   de 3-4% ao ano, em uma década, tor-
 Por 50 anos, ou até 1980, essa terceira   odo e, por fim, o auxílio no planejamento   potencial de um projeto qualquer era en-  na-se um crescimento de 1-2,5% ao ano
 fase foi capaz de gerar crescimento eco-  da economia não pode ser desprezado, ao   corajador e o retorno social politicamente   (CARVALHO; LIMA, 2009).
 nômico  significativo,  no  chamado  “na-  colaborar no diagnóstico dos setores cha-  compensador (DINIZ, 1978).  É  bem  verdade  que  em  alguns  perío-
 cional-desenvolvimentismo”, uma com-  ves da economia.   Mas a mesma crise do petróleo que dis-  dos o crescimento econômico acelerou-se
 binação de capitais  providos pelo setor   Uma  alternativa  a  este  financiamento   ponibilizou capitais e reduziu os juros tam-  para logo ceder: esses períodos correspon-
 público, via tributação crescente, e capital   foi a estrutura pública. O aumento de im-  bém foi responsável por alterar a tendência   dem a algum dinamismo no setor externo.
 internacional, notadamente americano e   postos pode ser viabilizado pela comple-  dos juros mais à frente: com o processo in-  Nos anos 1980, consequência da desvalo-
 europeu em articulação. Ao setor público   xidade crescente da estrutura econômica,   flacionário acelerado nas principais econo-  rização do cruzeiro e do aumento de ex-
 cabia o papel de planejador, incentivador   sendo lançados impostos sobre a renda   mias, os bancos centrais optam por conter   portações. Nos anos 1990, resultado da
 e a construção de políticas de viabilização   (na década de 1940) e sobre o consumo   a inflação através da política monetária, via   flexibilização no mercado mundial e da es-
 da efetividade do capital, como a política   (ICMS, no final da década de 1960). Além   aumento dos juros. Com efeito, o que era   tabilização e atração de capitais para inves-
 de substituição de importações (PSI) (MA-  do canal tributário, o governo deu-se conta   um financiamento acessível, com taxas de   timento especulativo e direto. Finalmente,
 LAN; BONELLI; ABREU; PEREIRA, 1977). O   da capacidade de financiamento embutida   viabilização de produtos, logo torna-se um   na primeira década do século 21, consequ-
 crescimento econômico desta terceira fase   na moeda fiduciária e monopólio estatal: a   fardo para os países que aceleraram a con-  ência da emergência da China e Índia e na
 de financiamento caracterizou-se por uma   impressão monetária permitia um crescente   tratação desses recursos. A chamada crise   valorização associada das commodities nos
 rápida urbanização, consolidação do ter-  poder de compra ao governo e ainda que   da dívida externa, no início dos anos 1980,   mercados globais.
 ritório brasileiro em direção à Amazônia   tenha  gerado  pressões  inflacionárias,  com   tornou politicamente instável as conforma-  Parece-nos nítido, portanto, julgar que é
 e aumento significativo da infraestrutura   trocas de padrão monetário já a partir da se-  ções políticas locais, bem como impediu o   crucial retomar uma fonte de financiamen-
 energética e de transportes.   gunda metade da década de 1960, permitiu   equilíbrio financeiro das nações (DRAIBE,   to contínua para que se possa obter cresci-
 Logo, em benefício de uma pausa para   a criação de uma infraestrutura de habita-  1985). A necessidade de pagamentos de   mento econômico a médio e longo prazos.
 resumo, apesar de viver inúmeros ciclos   ção, energia e transportes, ao  custo  do   juros crescentes e proibitivos inviabiliza o   E é relevante discutir as alternativas.



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