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2. O financiamento da Economia Brasileira  Há um sexto exemplo, recente: a evo-  representar uma chance significativa de
                  lução chinesa. Desde a implementação da   acúmulo de capital. Porém, uma vez con-
 A economia brasileira vivenciou diferen-  produtiva o suficiente para financiar seus   estratégia política e econômica de Deng   siderada a estrutura colonial estabelecida,
 tes fases ao longo de sua história econô-  próprios projetos e, espalhando suas téc-  Xiaoping, após a passagem de Mao Tse   a economia brasileira não teve acesso ao
 mica, algumas favoráveis e outras desfavo-  nicas, seu poder econômico e sua influên-  Tung, no final dos anos 1970, a China   próprio capital e à decisão estratégica de
 ráveis de uma perspectiva do crescimento   cia,  financiar  projetos  em  economias  ex-  passou essas etapas. De sociedade empo-  como utilizá-lo. Isso se dá em um longo
 econômico e geração de riqueza. Se os   teriores, exportando não necessariamente   brecida e tradicional, acumulou capitais   período da história brasileira, envolvendo
 diferentes ciclos econômicos foram mar-  produtos, mas, sobretudo capital.   com uma balança comercial superavitá-  os ciclos econômicos do pau-brasil, da ca-
 cantes e frequentes na história da econo-  Essa esquematização foi refletida em al-  ria, consequência de uma taxa cambial   na-de-açúcar e da mineração. Esse é o pri-
 mia brasileira, pode-se, contudo, demarcar   guns teóricos como ROSTOW (1959), em   desvalorizada, e tornou-se nesta segunda   meiro momento de financiamento, ou de
 poucas transições no modelo de financia-  um sentido mais amplo, de desenvolvimen-  década do século 21, após quarenta anos   não efetividade, da estrutura econômica
 mento dos projetos na economia brasileira.   to econômico como um todo. Ademais, foi   de evolução contínua uma exportadora de   brasileira e durou cerca de 300 anos, até a
 A sequência deste capítulo pretende situar   percebido na evolução econômica de inú-  capital relevante.  abertura dos portos em 1808.
 o leitor nessas fases históricas, para que se   meras nações: (1) A Inglaterra, que antes   Com efeito, ao listarmos os exemplos   O segundo momento do financiamen-
 possa colocar em perspectiva a dificuldade   da Revolução Industrial acumulou parcelas   bem-sucedidos de transições produtivas e   to, portanto, inicia-se com a abertura dos
 e os desafios atuais que inclusive compro-  consideráveis de capital pelo comércio e os   acúmulo de capital, citamos todos os prin-  portos e sua perspectiva. Por algum tem-
 metem o desempenho da economia brasi-  reinvestiu  nas tecnologias industriais,  no   cipais atores mundiais com disponibilida-  po regiões isoladas como o Maranhão e
 leira nas últimas décadas.   século  18, transformando-se até meados   de de capital no contexto presente: à ex-  seu ciclo do algodão foram capazes de
 Como é natural, o financiamento de   do início do século 20 na maior exporta-  ceção da Inglaterra e dos Estados Unidos,   levantar capital, porém de forma ainda
 uma nação passa por fases, que a literatu-  dora de capital do mundo, sendo então   todos os demais mantêm posição prepon-  tímida. Mas com a viabilidade da cultura
 ra econômica mapeia dentro da evolução   ultrapassada pelos EUA; (2) Os Estados   derante na exportação de capitais para   do café em território do Centro Sul brasi-
 e indicadores do balanço de pagamentos.   Unidos, de país importador de capital no   o  mundo  desenvolvido  e em  desenvolvi-  leiro, a perspectiva se concretizou: o café
 É bastante lógico e refletido na técnica de   século 18 para o maior exportador de ca-  mento; ocorre através de financiamento   iniciou uma aceleração das exportações,
 contabilização das contas nacionais.  pital no século 20, ancorado inicialmente   em títulos públicos ou de empresas, finan-  dentro de uma estrutura comercial acessí-
 Inicialmente, uma economia nacional   em economia industrial, pouco depois em   ciamento de projetos ou aquisição direta   vel a todo o mundo e com independência
 provavelmente terá necessidade de desen-  economia de serviços e alta tecnologia;   de empresas e capital produtivo. Alguns   de utilização dos capitais, paralelo a um
 volver uma infraestrutura e serviços pú-  (3) os países denominados Tigres Asiáticos:   estão com prioridades voltadas para a vi-  fortalecimento do sistema de crédito e
 blicos, porém, como não obtém receitas,   Japão, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan,   zinhança – caso da Alemanha –, outros   bancário, em geral. É também nessa fase
 dependerá de fluxos iniciais para viabilizar   que através de uma política de exportações   ainda não criaram uma estratégia ao exte-  que a Inglaterra se torna a principal finan-
 a produção e os serviços, endividando-se.   agressiva acumularam significativo capital   rior – caso dos árabes, da Noruega e dos   ciadora dos projetos brasileiros, investidos
 Em uma segunda fase, amadurecendo   e posteriormente o reinvestiram em outros   Tigres Asiáticos –, e outros ainda o fazem   na consolidação do estado nacional e em
 seus processos produtivos, a economia é   países, durante o século 20; (4) os países   de maneira política – caso da China.   alguma infraestrutura.
 capaz de obter receitas, incrementar pro-  árabes e a Noruega, a partir do choque de   Essa ilustração permite que se possa   Esta segunda fase alcança sua maturi-
 dutividade e contar com produção dispo-  petróleo, que investiram na mudança do   agora passar ao caso em foco: o Brasil.   dade nos primeiros vinte anos do século
 nível a pagar os primeiros empréstimos re-  perfil produtivo de suas economias e torna-  Como território colonizado em seus prin-  20, quando a estrutura bancária, aliada a
 alizados na fase anterior. Em uma terceira   ram-se em paralelo exportadores de capital;   cípios e dotado de uma significativa quan-  um crescimento da vida urbana, dotada
 fase, quando o endividamento inicial se   (5) a Alemanha, pela força de seus produ-  tidade  de  recursos  naturais,  a economia   dos capitais acumulados pelos agricultores
 extinguiu ou diminuiu consideravelmente,   tos industriais nos séculos 19 e 20. São to-  brasileira por aproximadamente 450 anos   estabelece um programa de empréstimos
 a economia torna-se madura e sua estru-  dos exemplos de países que, de uma con-  especializou-se na exportação de produtos   destinado a uma infraestrutura industrial
 tura de produção tem  capacidade para   dição inicial de desvantagem acumularam   commodities. Em última análise, não é um   (BAER; KERSTENETZKY; VILLELA, 1973). A
 acumular capitais próprios, destinados a   capitais suficientes aos seus projetos, bem   impeditivo para o acúmulo de capitais, an-  industrialização acelera-se em setores bá-
 projetos internos e avanço da estrutura.   como permitindo uma condição de expor-  tes, pelo contrário, devido a uma estrutura   sicos e complexos nos principais centros
 Finalmente, a economia pode se tornar   tação desse capital para outras nações.   de custos e tecnologia mais simples pode   urbanos, sobretudo em São Paulo, polo



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